<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876</id><updated>2012-02-16T20:07:19.829-08:00</updated><title type='text'>Gestos</title><subtitle type='html'>Haveria aqui alguma coisa de azul ou sempre. Não sei. Uma pedra chispando por cima das folhas, um pedaço de papel voando. Não sei. Digo por mim o que não sou e fico satisfeito, eis a proposta estendida: este braço cego sem paredes. Parece uva. É um gesto muito simples...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>92</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-1664374675028777720</id><published>2011-05-02T23:45:00.000-07:00</published><updated>2011-05-02T23:57:29.541-07:00</updated><title type='text'>Partido Alto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Estive pensando numa frase pra dizer há horas coisas aleatórias que chocassem, mas prefiro improvisar como se estivesse sambando o movimento das pernas que não sabem aonde vão e de onde vieram. Partideiro é aquele que ainda possui a essência de dizer antes de ser, advinhando, e assim procuro levar minha escrita e meus sentimentos, antes de tudo, na coisa primitiva que não se consegue dialogar porque existe um momento e a ele estou preso, como num cordão umbilical. Uma hora essa coisa sangra, se reparte e algo nasce para o mundo. Eis a minha forma de mostrar minha paixão por ti, que não sei mais se existe ou se invento, pois estás no movimento louco da vida girando como pés em movimento.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;E a embriaguês me descama como um bicho trocando de pele e o ritmo vai regendo minha falta de compromisso com coisas estabelecidas. Quero a verdade minha, que te disse na hora e fez a poeira levantar num movimento concreto de sujeira que vai respirando por dentro das narinas a ordem suja do que ainda não se pode comentar porque está em gestação constante. O que eu procuro aqui? Um samba ou a poesia maestra? Talvez as duas coisas e algo além do que não consigo suportar visto que você não se desloca e arruma as pistas certas para me manter acorrentado, preso ao teu modo de movimento como uma ostra agarrada ao seu lado de concha estúpida até o momento de ser devorada viva. Me devora vivo, por favor! com tua crueldade de sal na pele suada e eu juro que agradecerei pelo resto da vida, embora saiba que meu tempo é curto.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Acendo outro cigarro e solto meus pulmões na noite que desce úmida sobre mim. Você é apenas um espaço de memória que me toma inteiro e posso dizer que isso é ritmo, ondulações diárias de uma proporção impossível de concentrar em meus dedos que fertilizam imagens apenas quando penso conduzir palavras estranhas, mas veja: quero apenas que isso te faça olhar para dentro de si e conhecer a presença daquilo que és, porque tenho bondade e o sacrifício é grande até que eu consiga sondar teus limites impróprios, tua face que está sempre virada para o outro lado, escondida e rasteira, arisca, soberana; até que esteja parecida com o que não sei se sou, mas luto.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Quando o terreiro esquenta e as coisas se diluem em plena sensibilidade, aí você deve levantar as mãos e pedir a vez. Perder-se! Eis o destino dos que são iluminados apenas em momentos levianos, instantes de solidão plena em que os outros batem palmas e todos percebem que tu és diferente; a consagrada estrela simples entre os demais que nunca guardou rancor e possui nos olhos mínimos a seiva determinada de uma gota d’água perdida entre o ar e a queda, pois nunca tocarás o chão dos homens que vivem pela utilidade banal e responde a tudo com uma gratidão superior que derrama a filosifia de um lado e a poesia de outro. O que escolherás, senão a harmonia?! Pensa! Sente! Alguma coisa que separe isto será vossa perdição; a minha e a tua, mas não queres temer a enorme tragédia de restar entre coisas fragmentadas.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Há muito tempo não tinha um encontro tão completo contigo, comigo, com o mundo que pensei odiar. Mas quero aceitar este gênero como a realidade aceita a existência de coisas que gozam o prazer de não ter argumentos e meus pés continuam em movimento. Não sei se canto ou danço com essas palavras, mas a surdez de sentir me toma pelas mãos e desejo nunca mais sair dessa imensidão que, de repente, tomei para mim. Se estou errado ou certo, não sei, não me interessa saber e o quanto mais continuar embriagado será a medida do sofrimento que esta raiz fincada em solo trêmulo terá de aguentar antes que o broto se permita mostrar sua face rasa e molhada de vida.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Você me diz coisas, eu te digo outras. Dentro do som das palavras tudo se pode perder e os amantes conseguem desembrulhar as reações imortais da lembrança por construir. Eu, que ainda nada vivi de ti, espero ansioso pelo magma, a quentura principal em que te darei as mãos e você me dirá: Sim! Daí então o partido improvisará em versos simples aquilo que espero e não haverá homem no mundo que me impeça de te convocar no beijo que, talvez, teus lábios ainda não imaginem, mas rasgam por minhas víceras e nódoas o animal constante da sobrevivência e a respiração vai fazer com que os estranhos reparem, olhem, vigiem por nós com ternura ou desprezo e alguém dirá: “Deixa ser! É música o que eles sentem e nessa matéria falta o significado. Escuta só!”. Talvez eu levante o rosto, talvez você; mas a vergonha de existir deixaria uma ferida muito grande em nosso improviso e assim ganhamos o dia apostando em ser os maiores irresponsáveis possíveis! Move teus pés, teu corpo, tua forma de ser. E o universo compartilha da nossa ousadia um gesto de viver sem perigos e tragédias, agradecendo.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Assim é que penso que te mereço, mas nada é certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-1664374675028777720?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/1664374675028777720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=1664374675028777720&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1664374675028777720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1664374675028777720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2011/05/partido-alto.html' title='Partido Alto'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-2629574449483073169</id><published>2011-04-11T14:09:00.000-07:00</published><updated>2011-04-11T14:31:58.837-07:00</updated><title type='text'>Majestades</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Aquilo era ainda alguma coisa de corpo ou a alma estava levitando por alguns instantes dentro do torpor? Não seria possível, visto que não era torpor ou coisa que se nomeasse tão facilmente. Era algo maior! Bem maior! Enorme! Simplesmente viver dentro de mim e ir morrendo, topando com os cacos de angústia no meio do caminho e encontrar alguém. Vazio, sim, mas permitido e, quem sabe, otimista, rasteiro como um homem que se entrega e vive intensamente buscando em sentimentos imediatos a resposta certa, escondida naquelas manchas impenetráveis que cismam e coçam, beliscam, incomodam, trituram, queimam, mordem, ralam, fatiam, manducam, afogam, enfim... essas manchas que andam pela casa do Ser como espadas prontas e afiadas, como qualquer coisa que diz que ainda não é o momento e avança contra a vontade!&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;E o que tenho ainda traz em seu bojo vermelhidões e feridas, caldos e sobras apodrecendo, restos intermináveis de uma pessoa que foi feliz e reconhece da antiga criatura apenas a vontade de retornar. Tudo isso de forma concreta vai te contaminar e seu rosto transitando entre minhas mágoas aprenderá continuamente o saber de um homem sofrendo, mas sentindo prazer e gostando, mas morrendo e eufórico, mais nada. Porque muito da seiva de que me alimentava engasgou num recheio de tempo que deixei escorrer pelos meus lábios. E agora?! Agora você encosta seus lábios nos meus e se marca de meus fluidos alimentando uma pequena esperança de afeto que sobrou transformada em limo nas paredes da sensibilidade. Toda essa imundícia se transforma em suor na cama e, inadvertidamente, adoramos. Eis o que transforma a sujeira em coisa linda e boa; eis o que me faz um homem bom, ainda, mesmo perdido entre migalhas.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;E você me conheceu no interior de momentos imprecisos, num tempo de rastejamentos profundos onde alguma coisa de mim procurava por dentro da casca e encontrava somente um eco perseguindo vozes, sussurros, vibrações sem significados, mas qualquer coisa de sensível. No fim de uma anestesia, depositei o meu corpo e te encontrei deitada por cima das minhas lembranças e pensamentos quase apagados de uma vida que poderia ter, não fosse o destino sempre essas águas turvas em movimento de fera. Pesa sobre mim! Deposita teu perfume natural em minhas narinas e tuas mãos em meu corpo. Preciso voltar a sentir e é preciso que uma veia estoure, que alguma coisa me belisque e volte a doer intensamente, mas com alegria. Essa responsabilidade agora flutua entre uma existência e outra e anseia repousar quando o martelo da minha consciência rebentar num julgamento de me lançar na rua em liberdade total. É preciso, repito, que alguma coisa me belisque e volte a doer intensamente, mas com alegria. Eu permito, já disse: você pode me ferir com teus desejos!&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-2629574449483073169?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/2629574449483073169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=2629574449483073169&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/2629574449483073169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/2629574449483073169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2011/04/majestades.html' title='Majestades'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-1769051719178580222</id><published>2011-03-12T15:09:00.000-08:00</published><updated>2011-03-12T15:10:10.533-08:00</updated><title type='text'>Paz!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Tenho esse costume de viver dentro de mim até em horas impróprias, quando deveria ensaiar o desdém natural pelas coisas alheias e tentar abraçar o mundo com meus tentáculos insignificantes que não servem sequer para me sentir importante dentro desta sensibilidade tosca de gente que chora e esconde. Porque eu sou do tipo que chora e esconde, e me sinto fraco e leviano quando qualquer um, o mais reles e imbecil que seja, me surpreende escorrendo uma gota de qualquer coisa que se possa apontar e que sempre se aponta. O ponto fraco é chorar e por isso tenho me transmutado em pedra. A maior rocha que o ser humano já pode construir em sua forma de levar a vida. Assim me satisfaço de arrastar as correntes, fantasmas que o tempo deixou escorregar por entre os dedos deixando uma saudade sem peso e repleta de imagens moribundas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora acontece um som e o corpo teima e se levanta. O rosto dentro daquele susto ninguém poderá compreender, raspar uma camada e dizer que é felina a maneira de ser arisco e correr na mancha de uma multidão cansada que só poderá abrir os braços quando tudo se afastar como a família segura afogando os restos de solidão. Estarei morto entre os escombros ou minha voz será um giro de corda solta no vento?! Ainda procuro encostar em seus dedos e morrer pela última vez antes de recomeçar a vida salgada como o mar doendo na areia. Tenho vértebras e soluções exageradas, poses desconfortáveis desejam meu sangue de pessoa que inventa mundos por debaixo das escadas e os caminhos não se fartam de abrir cada vez mais e mais, como imãs que se repetem e enojam da fórmula, como olhos que se fecham para não reparar em nada e ainda assim parece que são os mais importantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproxima teu rosto ao meu. Alguma vida pede que aconteça qualquer coisa e não é possível aprender essa manha sem viver com intensidade e beleza as coisas simples, estúpidas miniaturas de vitalidade assombrando restos e conclusões, departamentos lógicos e arrumados conforme a estética moderna de ser feliz e ter um rosto postiço, uma alma postiça, um ventre postiço que jamais terá a simplicidade de gerar. Eu quero multiplicar essas boçalidades e estender meus dedos quebrados ao filho que jamais será corpo na terra e, talvez, nunca sentirá a dor de possuir um rosto e olhar nos olhos dessa gente apressada, esbarrando demente por cotovelos e ombros que trazem em si o carimbo de uma revolta silenciosa, um sopro desgastando qualquer desejo de garganta e uma rouquidão brava que não aguenta e finalmente grita: Paz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-1769051719178580222?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/1769051719178580222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=1769051719178580222&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1769051719178580222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1769051719178580222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2011/03/paz.html' title='Paz!'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-1944578474050000969</id><published>2011-02-16T06:22:00.001-08:00</published><updated>2011-02-16T06:22:55.382-08:00</updated><title type='text'>Leão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Olhos de quando? Verticais e setas apontando por dentro do tempo das minhas palavras como um sonho baixinho descendo e tocando a superfície quente do meio da terra. Ali onde o fogo permanece em bolhas e respeita a maciez calada dos outros territórios. Mas esta fera feita de ferver decidiu rasgar os limites e encontrou os animais pastando; bastando tranquilos na serenidade invocada dos que se acostumam e sentem a doçura da rotina. Este leão feito de fogo não conhece laço ou circunstância e, ainda que doa percorrer a carne alheia, solta entre todos os caminhos vivos de humanas criaturas e de coisas simples que podem desmanchar pelos olhos. Olhos de quando?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sim, verticais como o tempo bate por cima de encontrar um rosto e marcar novamente, meu Deus, a suspeita de penetrar o interior dos segredos; conviver as madrugadas como dois loucos à deriva e sentir a náusea das embarcações vizinhas perdidas por dentro de sonhos rasos, raspando nas pedras e desfazendo a leveza da estrutura solta no mundo. Mas ele decidiu pintar o quadro daquela fera deitada no quarto das suas emoções antigas: Um dia esse bicho acorda e acaba comigo, voa para dentro do meu coração e arranca, uma por uma, todas as artérias até me recompor e ser novamente eu na existência concreta dos que respiram e têm sangue para dar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por enquanto, tento abrir esta jaula com todas as palavras que posso oferecer. O animal persegue meus movimentos com desconfiança e leveza e percebe que algumas palavras têm sentimento (engraçado como às vezes parecem sorrir os felinos dentro da graça animal); continuo buscando a combinação certa, girar o mecanismo e transformar tudo em beleza, refazer uma vida inteira e abraçar a besta como a Cristo ressurrecto e perceber que também eu dentro deste movimento pego fogo como dentro da terra a vida borbulhando espalha seus costumes num leão de brasas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-1944578474050000969?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/1944578474050000969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=1944578474050000969&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1944578474050000969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1944578474050000969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2011/02/leao.html' title='Leão'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-3422340964253329781</id><published>2011-01-29T05:06:00.000-08:00</published><updated>2011-01-29T05:08:12.404-08:00</updated><title type='text'>Raízes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Teu feto se desmancha na memória do que ainda não vivi e crescem ramos e lágrimas, coisas soltas dentro do espaço impreciso da vida que retorna, vai e vem no interior dos meus olhos e bate, dispara como louca na parede das sensações deixando quase que só o gesto e o perfume: coisas de que lembro e não poderei tocar jamais. Vejo tuas roupas e os costumes que não chegaste a possuir, teus braços e acenos, dedos tão frágeis que uma força sem delicadeza quebraria em pedaços, mas nem se abriu o portão da existência para estas possibilidades e eu fico sozinho, torcendo para você chegar na minha esperança louca de homem que nunca aceita e não supera fatos de perda. Onde estão agora tuas raízes? Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguma faísca de tempo traz novamente teus lábios, desenha um contorno de face que um dia pensei fosse tocar, meus carinhos tão ansiosos e agora só uma brecha de realidade inconcreta fazem parte do que vivo. É estar assim perto da loucura como penso ou isto é apenas ser triste de verdade? Levar você aos lugares que talvez nunca mais visitarei, olhar a felicidade tranquila dos cães bem tratados e pensar que poderia, um dia, morrer acreditando que existe céu e inferno, que tudo o que te dei me fosse recompensado por um Deus único e benevolente, por uma força que realmente considera o amor verdadeiro e sabe o dom de atravessar o coração do Ser Humano com uma pluma analgésica. Eu queria a leveza de novamente acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vai, chama a tua mãe e diz que alguém está morrendo dentro de mim e que já não é possível discernir quem de nós três. Esta dor é tão forte que até um barulho de avião comove e mesmo o ser mais desgraçado ainda é rei na realidade em que possui meu destino. Leva contigo minha última esperança e espera. Espera e espere sempre por mim que, se a vida não me concluir em seus rumos, um dia eu volto e aperto seu corpo no maior abraço que nunca irá acontecer, que tomo suas mãos e olho dentro dos teus olhos que nunca verão a luz de um dia comum e te levo num passeio por caminhos que jamais existirão. Vai, leva contigo minha falta de coragem e meu senso de razão, leva minha dor e lança junto de teu corpo no abismo das coisas vivas que perderam o esplendor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-3422340964253329781?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/3422340964253329781/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=3422340964253329781&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3422340964253329781'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3422340964253329781'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2011/01/raizes.html' title='Raízes'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-3981618028870972358</id><published>2010-12-28T20:10:00.000-08:00</published><updated>2010-12-28T21:21:37.105-08:00</updated><title type='text'>Que mais?</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable  {mso-style-name:"Tabela normal";  mso-tstyle-rowband-size:0;  mso-tstyle-colband-size:0;  mso-style-noshow:yes;  mso-style-parent:"";  mso-padding-alt:0in 5.4pt 0in 5.4pt;  mso-para-margin:0in;  mso-para-margin-bottom:.0001pt;  mso-pagination:widow-orphan;  font-size:10.0pt;  font-family:"Times New Roman";  mso-ansi-language:#0400;  mso-fareast-language:#0400;  mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;o:shapedefaults ext="edit" spidmax="1026"&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;o:shapelayout ext="edit"&gt;   &lt;o:idmap ext="edit" data="1"&gt;  &lt;/o:shapelayout&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Esperava o momento em que aquela dor começasse a sufocar e o amor não lhe deixasse mais nada. Nem respiração, nem alimento, nem destino ou carinho algum. Sim, haveria uma coisa: haveria uma memória gosmenta feita estar preso e de anulações profundas no seio da existência. Haveria uma piscina de arrependimentos ou desejos ébrios e inacabados, parafusos dando voltas na parte que dói de qualquer canto em sentimentos confusos cheios de nada. Assim caminhava e esperava todos os dias que aquela dor se tornasse o motivo de sua morte, que não vinha.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Restava guardar tudo dentro de si. Bater aquela calda espessa de retratos olhando dentro de um rosto quase feito de fumaça ou pó. Tantas pessoas no mundo e fora ver exatamente nesta que lhe deixaria a imagem daquela que lhe acompanharia para o resto de sempre, que é eterno e, ainda assim, cheio de manchas. Compreender o que seria e carregar aquele desejo era pular de olhos abertos aproveitando cada instante de agonia na queda. Estava caindo e a velocidade, a altura, o medo eram engolidos como uma realidade feita de vento percorrendo todos os órgãos maciços e destrutíveis do corpo. O amor havia se tornado também uma coisa como o coração? Estava sangrando, sim. Mas poderia parar de uma hora pra outra, sem chances de reavivar? Tudo é confusão e risco e tudo é tudo, eu sei, mas que massacre ter sempre que encarar a morte de si mesmo!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;Estava disposto a que, depois dessa morte? Crer piamente que estava no limite dos gatos, aquela era a sétima e a esperança ainda estava ali. Mas como destruir o passado, se não acreditava nesse tempo louco dos que passam e dos que virão a ser? Havia muitas perguntas promovendo rodeios no seu deslumbramento de homem cansado de sentir e esperava medroso o momento em que aquela dor começasse a sufocar e o amor não lhe deixasse mais nada. E o que tinha já era tão pouco... Que mais, meu Amor? Que mais você quer tirar de mim além daquilo que me deste?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify; font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-3981618028870972358?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/3981618028870972358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=3981618028870972358&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3981618028870972358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3981618028870972358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/12/que-mais.html' title='Que mais?'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-6914834214660088931</id><published>2010-12-11T08:12:00.000-08:00</published><updated>2010-12-23T23:53:19.201-08:00</updated><title type='text'>Muletas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez sangue,&lt;br /&gt;fisgada inconsciente&lt;br /&gt;e dentes em nada.&lt;br /&gt;Pela casa, rubras&lt;br /&gt;reverberações&lt;br /&gt;e coisas de morte&lt;br /&gt;assinalam calos&lt;br /&gt;batidos, mulheres&lt;br /&gt;passadas, antigas&lt;br /&gt;fotografias, vivas,&lt;br /&gt;piscando seus olhos&lt;br /&gt;para o sentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tempo de amar&lt;br /&gt;esta casca triste&lt;br /&gt;por cima do rosto&lt;br /&gt;e agir novamente&lt;br /&gt;entre os meus iguais.&lt;br /&gt;É tempo de ser&lt;br /&gt;e assumir o gosto&lt;br /&gt;profundo de ser.&lt;br /&gt;Mesmo nesta dor,&lt;br /&gt;mesmo sem ternura&lt;br /&gt;e coisas azuis&lt;br /&gt;de céu em meu peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É feita de tempo&lt;br /&gt;a esperança manca&lt;br /&gt;que carrego sempre.&lt;br /&gt;Retornar de novo,&lt;br /&gt;voar mais uma vez&lt;br /&gt;como se, no voo,&lt;br /&gt;um rumor qualquer,&lt;br /&gt;estalo ou sequela,&lt;br /&gt;rompesse o cordão&lt;br /&gt;e meu corpo nu,&lt;br /&gt;de tanto estar só,&lt;br /&gt;vivesse a existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-6914834214660088931?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/6914834214660088931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=6914834214660088931&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6914834214660088931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6914834214660088931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/12/muletas.html' title='Muletas'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-5821519838357307457</id><published>2010-12-03T21:51:00.000-08:00</published><updated>2010-12-13T07:49:28.715-08:00</updated><title type='text'>Solidão, solidões</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Todos sabem que não é possível compartilhar solidão com ninguém, mas por que será tão difícil lidar com a própria solidão? Por que será que existe um sentimento desses, quando os corpos foram feitos para se irmanarem? Quando as coisas se encaixam e mesmo não se encaixando, todos queremos amor, amor de verdade, arrebatamentos e cambalhotas por cima de nossos corações! Por que será tão difícil acreditar na desistência dos outros? E quando estes sentem amor de verdade, paixão verdadeira, fogos e chamas, lavas, vulcões de sentimentos, por que as pessoas desistem e por que – repito – por que diabos passeia em nosso peito essa ventania de tristeza sempre apontando para os lados confusos da solidão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não quero escrever a crônica dos apaixonados sem razão! Eu quero que a razão me engula, engasgue, vomite o meu ser de dentro de suas entranhas com bile, ácido estomacal, gosmas imprecisas e passe mal, muito mal por ainda ter um pingo de relevância! Quero que a razão se arrependa de ter nascido e que a paixão fale tão forte quanto um instinto animal de cio e como o gozo imediato dos desesperados! Quero tanta coisa passando por cima da solidão dos sensatos que quase sinto pena da minha maldade! E você há de me olhar com o rosto secreto dos que escondem e há de pensar: Eu te quero, te amo, você é a melhor coisa do mundo, mas serei guardada de mágoas longe de você! E pensará assim pelo resto da vida, aflita, apaixonada, sensata, sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por quê? Meu coração não entende, nunca entendeu, não entenderá! Nem o seu! Mas é a coisa certa a se fazer, mesmo com esse desespero e essa esperança rondando nossos pensamentos. Medo! Medo de tudo dar errado e tropeçar mais uma vez! E para que as pernas se levantam novamente? Para que sabemos que erramos, que doemos, que somos seres humanos propícios a tudo? E para que desistimos? Eu prefiro qualquer agulha pura a uma que contenha um mililitro de anestesia. Eu prefiro a dor que saber, ao menos, que não deixei de amar por completo a pessoa que amo! Eu prefiro um tiro do maior calibre em meu peito a ter um coração à toa, ou doendo com a pessoa amada implorando para ter filhos, para seguir em frente, para não deixar morrer a tal da última que morre! Eu prefiro injeção na testa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, sem escolha, sem perspectiva e com a frase reconfortante de que por enquanto há de doer, mas tudo vai ficar bem?! Que tempo é esse que resolve tudo e conhece a sensibilidade humana como um deus perverso que apaga o que há de melhor em nós? Eu não quero essa passagem! A teimosia taurina dos apaixonados continua soprando por cima da brasa, a paixão não vai apagar e não adianta! Não adianta e jamais adiantará! A solidão não vai escolher uma outra praia onde eu vá me banhar! Somente as águas que ainda bebo são capazes de matar a minha sede. Águas que se vão distantes, misturadas em oceanos e coisas marinhas, flutuando em seus ares de lágrimas dissolvidas, mas volta! Volta! Volta que ainda hão de quebrar nesta praia vazia o murro de tuas impetuosas volúpias e duas solidões serão uma, duas, três, quatro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-5821519838357307457?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/5821519838357307457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=5821519838357307457&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5821519838357307457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5821519838357307457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/12/solidao-solidoes.html' title='Solidão, solidões'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-5497911428078753331</id><published>2010-11-08T20:33:00.000-08:00</published><updated>2010-11-08T20:37:42.414-08:00</updated><title type='text'>Cartas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Queria participar daqueles gestos, compartilhar com ela sua memória para que as pudesse reinventar a seu modo. Transformar-se em parte daquela vida que agora conhecia e reescrever o livro da sua: este era o destino que queria para si e não podia receber aquele rosto encantado de gesso sem amor; aquela forma de desejar as coisas e falar com a inocência dos que se criam em silêncio. Gostaria de fechar as portas, encerrar tudo dentro de si apenas naquele contato e dizer que sentia tudo, absolutamente tudo por ela, incluindo as coisas ruins, incluindo o nojo e o tédio porque ele era inteiro e ela era inteira. Apesar de tudo que imaginava, não queria uma mulher para suas ideias. Ele procurava amor de verdade sem saber com palavras que já o sentia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quantas cartas escreveu, quantas cartas teve medo de entregar e de que modo se entregava no pavor silencioso? Nunca seria possível medir o desespero calado daquelas sensações percorrendo seus pelos, o peito correndo feito um louco atrás da morte mais bonita, atrás daquela moça que lhe tomara os sentidos. Fica contigo toda a minha vida, todo o meu amor que eu me dispenso dos cuidados que devo a este ser que passeia por dentro de mim e você pode reparar se olhar dentro dos meus olhos. Estas palavras, mil outras, um milhão... as cartas se amontoavam num canto de seu coração guardando o segredo daquela alma sensível como uma música tocando baixinho enquanto um casal se beija pela primeira vez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E quantas vezes desejou beijar aqueles lábios, toca-los com suavidade e sentir aquele formato finalmente colado em sua boca. A menina mais bonita deste lugar. Era o seu comentário de sempre como se não desse tanta importância, mas por dentro explodia como um animal se libertando da morte, as frutas caindo e o sumo da primeira mordida. Era impossível, então, realizar aquele amor? Não. Ele amava intensamente em segredo e gostaria de conseguir uma palavra que pusesse os seus dedos em caminho por entre aqueles cachos; uma palavra que trouxesse ela nos braços e a deitasse em sua cama; a palavra que a fizesse sentir todas as coisas do mundo, também, e mostrasse o seu amor verdadeiro como a dor do susto. Ele poderia então dizer com a voz de homem que morreria por ela; que lhe daria filhos, se quisesse; que seriam os dois, se quisesse; e que a faria feliz e a faria triste, mas amariam, meu Deus! como se amariam aqueles dois e como andariam por aí como um casal representando a raça humana em suas possibilidades. Porque ele era inteiro e ela era inteira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-5497911428078753331?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/5497911428078753331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=5497911428078753331&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5497911428078753331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5497911428078753331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/11/cartas.html' title='Cartas'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-442404139285518771</id><published>2010-10-30T12:29:00.000-07:00</published><updated>2010-10-30T12:30:24.614-07:00</updated><title type='text'>Serenidades</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o tempo de serenidade. Sei que logo passa, mas o coração descansa mesmo dentro da tristeza. É sereno aquele que sente vontade de chorar e respeita a fisgada interior com tranquilidade e resignação. Este é o tempo. As mesmas rasuras na existência e a mesma mágoa de ser assim. Calmamente suportar e descobrir uma habitação dentro da paciência. Você terá a sua chance de irritar, bater, espernear, gritar, pular em cima do meu estado de alma e violentar a pessoa que me tornei. Por enquanto, não digo nada. Você, meu Amor, é o senhor das decisões e dos conflitos.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobriu que a serenidade era fria; que não havia de fazer alarde por conta de seu próprio sofrimento e que a situação pode ser maior que tentar. Ouvia ainda os ruídos estranhos, retirados de alguma conversa sem sentido e poderia construir uma fada com aquela emoção vazia. Era uma diferença construída com vida e percebeu que, mesmo em sereno, tudo lhe afetava. A tristeza talvez fosse menor se pudesse chorar, mas era impossível. Só conseguia remoer dentro de si aquela memória se engolindo e mastigando tudo dentro de si; olhar as coisas com absoluta resignação e vontade de morte. Sim, o desejo de morte lhe pesava e batia asas dentro de seu corpo aquela ave desconhecida que conduz ao término das coisas. Mas com que frieza morrer, se tudo doía e a sensação de vida era uma obrigação ainda feroz? Se poderia ainda encontrar beleza em coisas desconhecidas, pessoas desconhecidas que jamais suspeitariam de sua existência e que, no entanto, seriam reis e rainhas caso não morresse já. Era uma navalha de possibilidades cortando seu pescoço e o fluido caindo era uma piscina de ilusões guardadas, escritas perfeitamente como se fossem planos decorados. Escorria de seu pescoço todo o desespero e o líquido secreto escondido por dentro do sangue era o amor que não saberia cultivar na solidão.&lt;br /&gt;Não era isso morrer?&lt;br /&gt;Quem sabe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-442404139285518771?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/442404139285518771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=442404139285518771&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/442404139285518771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/442404139285518771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/10/serenidades.html' title='Serenidades'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-1581063025825416346</id><published>2010-10-23T13:21:00.001-07:00</published><updated>2010-10-23T13:22:22.359-07:00</updated><title type='text'>Caos (início de coisa)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Não me importo em repetir. Moro num lugar onde as coisas se repetem e eu me repito. Mas mudo. Quando eu não mudo é porque estou mentindo e a vaidade da mentira é como se um bicho pensasse que morre. Sou vaidoso e no lugar onde eu moro existe um bar que eu mais gosto. Lá as pessoas se reúnem e se conhecem. Quando um estranho chega, ninguém ri de suas piadas até ele desistir. É nossa forma de aceitar. Um dia, estávamos reunidos e passou um senhor de barbas enormes, os fiapos brancos encardidos pareciam existir antes do homem, mas era uma ilusão e todos sorriam debochando. Eu simpatizei com aquela figura em silêncio e desejei que em mim crescesse aquela barba ridícula porque tenho a cara lisa demais. Um dia eu sonhei que tinha uma perna maior do que a outra e sempre pensei que poderiam muito bem me pagar para escrever poemas na hora que eu quisesse. Isso sim seria emprego e mesmo neste emprego eu não seria feliz. Poeta bom é poeta triste! Se alguém ainda não disse isso, deveria ter dito porque é o tipo de frase que deve ser dita daquele jeito assim: “ Já dizia fulano: Poeta bom é poeta triste!” , não é verdade? E tem mais: o analgésico das palavras, o analgésico do som, o analgésico das cores eu te digo qual é: é a dor, meu caro; é a dor e a confusão, a dúvida, as coisas se atropelando e morrendo todo santo dia. Uma vez eu cheguei em casa e descobri que meus pais fornicavam. Estranho sentir nojo daquilo que me fez repetindo a fórmula, mas repetição não incomoda, eu já disse. Não gosto de insistir porque os chatos, esses sim, incomodam. Os chatos e os inteligentes. Ainda não inventaram no mundo coisa mais débil que a inteligência, pessoas cheias de argumento, como eu. Mas deveriam inventar porque gosto de ser inteligente, mas não de ser débil. Li num poema a imagem de um marimbondo sendo morto, agulha em seus olhos. Quase chorei de pena. Poesia é linguagem de tudo e você não está reparando, mas ela passeia diante dos seus olhos enquanto este poema dança. O corpo do poema é uma série de coisas cuja forma não se pode segurar entre os dedos. Os tolos acreditam que podem segurar e passam a vida iludidos. Sofrem do mal da inteligência. Eu sofro de irracionalidade, que é o bem da inteligência. Os loucos inteligentes costumam ser artistas. Eu tive um cachorrinho vira-latas que era tão pequeno que cabia nas minhas mãos. Até hoje tenho curiosidades e gostaria de saber por que ele ficou doente e por que um homem chora diante da morte de um cachorro e nunca diante da morte de uma formiga. Um dia, isto é um plano, uma formiga vai significar para mim e hei de chorar a sua morte, também. Não é ruim atropelar a semântica das frases, apenas difícil, mas eu sou rápido diante da prova e te digo com toda segurança que é fácil driblar. Continua sendo difícil, mas driblar é fácil. Quando você aceita o jogo, percebe que precisa ganhar. Esse é o ponto! O drible na poesia é perder de antemão e gozar a derrota. Assim é que se colhem os frutos. No lugar onde eu moro existem pessoas loucas na mendicância e todos nós zombamos deles e damos risadas entrando em acordo na mediocridade, porque eles realmente são engraçados e nossa moral, nossa ética e toda essa baboseira desviada de suas origens viram apenas um monte de lixo onde o palhaço e o público se amontoam no mesmo sítio. Estou mudando. Novamente estou mudando e reparo com felicidade que me prefiro assim. Sempre prefiro o que sou quando mudo e é uma tolice porque sempre se está mudando, mas certas mudanças são iguais. Estou gozando aquela mudança que o ser realmente percebe e sente. Por dentro ou por fora não sei, mas ele sabe. Como num mergulho se tem a consciência de que não é possível respirar, esta é fase de mudança novamente. Preciso inventar um futuro para as coisas que crio. São muitas e pessoas reais, sentimentos comuns e extraordinários, acontecimentos banais, misturas de entidades que não se combinariam nunca, todas as coisas do mundo dependem de mim e preciso inventar um futuro para as minhas criações porque dependo delas, são o sopro e o sentido escondidos na ponta dos meus olhos, são o filtro e a perfeição do mar, é o raro. Ser raso é tão manso que fica quase sendo uma benção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Continua...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-1581063025825416346?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/1581063025825416346/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=1581063025825416346&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1581063025825416346'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1581063025825416346'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/10/caos-inicio-de-coisa_3621.html' title='Caos (início de coisa)'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-8639567645752561734</id><published>2010-09-14T00:49:00.000-07:00</published><updated>2010-09-14T00:50:10.908-07:00</updated><title type='text'>Vozes</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;Ser como um vestígio raso.&lt;br /&gt;Desembrulhar-me das informações&lt;br /&gt;como um ganso flutua e repara nas águas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Solidão das vozes sem tempo,&lt;br /&gt;compartilho convosco raiz e dor,&lt;br /&gt;mínimas figuras por dentro da noite e um golpe,&lt;br /&gt;demência de sorriso filtrado na bile.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algum dia, um canto qualquer&lt;br /&gt;e meu corpo dirá um acorde em teus cabelos.&lt;br /&gt;Você vem e me atira suas jóias,&lt;br /&gt;contas e murmúrios comuns no tempo das coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a poesia nasce do nada e permite&lt;br /&gt;que tudo se realize sem cordões&lt;br /&gt;nem limite,&lt;br /&gt;tudo é círculo e bolhas sem precisão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como um homem que mistura a fala&lt;br /&gt;e o sono&lt;br /&gt;na raiz dos problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser como um vestígio raso&lt;br /&gt;que sente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-8639567645752561734?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/8639567645752561734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=8639567645752561734&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8639567645752561734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8639567645752561734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/09/vozes.html' title='Vozes'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-4001566590504469365</id><published>2010-08-20T16:40:00.001-07:00</published><updated>2010-08-20T16:40:43.172-07:00</updated><title type='text'>Sonhar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Não sei há quanto tempo ouvi dizer que sua voz mudou, que tudo muda e o tempo descobre até os mínimos bocejos da preguiça de Deus. Ouvi dizer que você caiu, que derrubaram alguma coisa em seus olhos e que, desde então, você anda afastado dos seus. Não posso conseguir a tua ausência porque hoje vejo que de tanto me esconder só penso em ti, nos movimentos que faziam teus braços dentro do instante e a hora morta em que te disse o gesto morno quando fui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E você foi, recolheu um silêncio e mergulhou o mais fundo quanto pode. Quero alcançar seus cabelos entre as coisas do mar e perceber que são algas, coisas vivas dentro da escuridão. Um corpo. Qualquer movimento e seus dedos respondem como peixes que passam, como um sinal de que ainda é presença essa falta e que eu sou tua entre os seus. Respirar em seu rosto um vaga-lume de força e te fazer lembrar a luz em que tu somes. Vem, vem que ainda encontro cinzas pra queimar na tua história e o sono é enorme como um dia que inventei. Madrugada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No meu sonho você acordava e já sabia de tudo. Sabia da dor que eu sinto e de uma espera que vaga entre as coisas feitas no vazio que plantei. Você estende os braços e finalmente pode responder, os olhos abertos e a fala. Linguagem de antes de existir este dia, a noite em que você se consumou diante do baque e a minha espera. Novamente. Sempre esta lacuna disparando dentro em mim o seu efeito e tenho um corpo feito das saudades que guardei. Mais. Tenho muito mais e rezo todos os dias para que você olhe para trás, retorne da distância e ainda lembre o meu nome. Ou qualquer nome, mas que me chame, não importa mais ser quem eu sou assim perdida. No meu sonho você permanecia calado na hora do beijo e eu desmanchava em seus lábios um batom de nuvens. Toca meu corpo, aceito finalmente que se deite ao lado meu se acaso não morreres. Ainda é segredo sumindo na memória, mas... no meu sonho... você não dormia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-4001566590504469365?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/4001566590504469365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=4001566590504469365&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4001566590504469365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4001566590504469365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/08/sonhar.html' title='Sonhar'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-3804787166531729222</id><published>2010-08-10T10:39:00.000-07:00</published><updated>2010-08-10T10:40:31.944-07:00</updated><title type='text'>Trato</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Mais que pedra e tanto,&lt;br /&gt;pássaro morrendo&lt;br /&gt;sem nenhum desvio:&lt;br /&gt;quadro azul e rubro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voz de seda e canto,&lt;br /&gt;música no tempo&lt;br /&gt;quando foge o rio:&lt;br /&gt;trapo nu que assumo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais que jogo e trato,&lt;br /&gt;sombra oferecida&lt;br /&gt;de manhã e chuva,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vês que morro dado,&lt;br /&gt;cumpro minha vida&lt;br /&gt;no que é vão e muda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-3804787166531729222?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/3804787166531729222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=3804787166531729222&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3804787166531729222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3804787166531729222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/08/trato.html' title='Trato'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-4684140189983345046</id><published>2010-07-12T15:42:00.000-07:00</published><updated>2010-07-12T16:32:17.793-07:00</updated><title type='text'>Elegia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Já não é possível escapar dessas figuras sem corpo; esta saudade girando por dentro da ausência me dói e é impossível tocar seus motivos, reparar os danos entre as ruínas e permanecer ainda nesta vida como um tolo que vai. E são tantos esses que vão!... Deixam seu rastro em mim e uma dor solta um grito e uma sensibilidade enquanto corro nos sinais. Relembrando antigos movimentos é possível conformar as presenças, destacar os olhos chorando que me tocam como um homem que acorda e se percebe só; e iluminar essas pessoas com as lágrimas que deixei viver num coração doente, tomar entre as minhas suas mãos, o pó de que são feitas agora e o testemunho de tanta existência. De que são feitos nesse toque, se os dedos desintegram no contato e resta apenas um chiado nos meus poros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É possível que esta lança nunca saia do meu peito. É possível que este rosto, todas as coisas em que se concentravam seu sangue e seus passos, todas as pessoas que guardo neste sofrimento mudo estejam agora diante de mim; fotografias que revestem meu olhar de cansaço e mais, muito mais do que eu posso suportar e ainda assim fico de pé. Esta é a condição de perder e estar vivo: ser forte como tudo o que desaba e é pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é pedra meu coração e o que choro é vivo como tudo que flui. Suas rugas, forma de sentar na cama e as palavras separadas uma por uma, até que alguma coisa se dissesse de repente. Dois passos adiante e um novo rosto, aquele que nunca mais vi e um dia se deitou entre os muitos. Você levanta os braços que já não existem e eu te encontro no invisível formando uma custódia no vento. Esse espaço é longo por dentro dos sonhos e é duro como tudo o que jamais olhou pra trás, e nunca voltará – líquido que some e se transforma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existir é exercício de mudança. Palavras que agora reparam minutos; segundos que guardei entre os braços e esqueci. Meus olhos abertos procuram entre as ruínas, mas vocês habitam agora um tempo de sono e é inútil buscar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim! Ao menos na folha caindo, distração da natureza em tantos recursos olhando para mim; as nuvens passando sua língua no céu desenham pedaços de coisas que são... Ao menos em tudo que vi e escapa e ficam os mortos brincando nos vãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-4684140189983345046?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/4684140189983345046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=4684140189983345046&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4684140189983345046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4684140189983345046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/07/elegia.html' title='Elegia'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-7768344390096460964</id><published>2010-06-01T14:35:00.001-07:00</published><updated>2010-06-01T14:39:48.955-07:00</updated><title type='text'>Poema</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Quero escrever um poema que diga todas as coisas do mundo. Dizer que tenho dó de ter chegado tarde e que o seu rosto refletido na corrente líquida era como a vida passeando em calma no meu peito. Dizer que não há explicação e que a morte pesa e tem beleza, que a memória é um peixe veloz roubando todas as cores do tempo e que nada há que supere seu rosto em meus ombros, nada mais sereno que repousar em teu corpo e trazer à pele seu encanto e fúria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem me dera hoje escrever um poema onde as pessoas se encontrem e fiquem paradas, olhos nos olhos como dois viajantes mudos que se apaixonam e cessam de pensar por um minuto. Quero este momento em que a navalha da percepção se ausenta e fica boiando pela realidade inútil da conta, os amantes se tocam e não conhecem palavra que revele o tato. Duas mãos e os corpos, como queria dizê-los! Escrever um poema que faça a paixão nascer nos olhos do gato e me permita viajar no voo do pássaro mais belo, asas abertas, planar em meio à carne do mundo e sentir seu cheiro de pulmões inflados como o sangue de uma mãe que acabou de dar à luz. Ser esta mãe com palavras, quem me dera! E viajar entre o sabor de tuas pernas brancas, beber o leite e a raiz secreta do teu corpo recebendo a benção de uma nota musical. Ser esta nota, Deus, quem me dera!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inventar um verso que celebre a gentileza dos gestos e que reinvente a sabedoria das coisas simples. Comum, muito pequeno e fácil de se ler, mas com vida e, na vida, o encanto de um rosto de mulher que passa tão depressa. Concentrar neste momento um passeio de cão e encontrar o cosmo em sua baba de alegria, reparar em cada tensão o minúsculo teor da vida e novamente te encontrar e amar o seu jeito. Ir com você daqui até os lugares do poema em que se brotam nadas palpitando, chamar o teu nome e morrer por dentro do seu corpo rosa como todas as coisas que um dia sangrarão. Um poema que será ainda o anúncio da palavra que eu te dei e que dirá, num único vigor, aquilo que eu não fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-7768344390096460964?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/7768344390096460964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=7768344390096460964&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7768344390096460964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7768344390096460964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/06/poema_01.html' title='Poema'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-1089597437481132015</id><published>2010-05-11T22:27:00.000-07:00</published><updated>2010-05-11T22:28:58.144-07:00</updated><title type='text'>Poema sem querer</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Sim, era isso! Rasgar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a carne como se o vento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sentisse piedade e dor&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou soubesse o desespero&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;humano; sombras e vícios&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que esqueci em gavetas mortas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e hoje desenterram culpa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e solidão. Para quê?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meu coração se pergunta,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;mas sou estúpido e frio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e não arrisco nem um golpe&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;de sorte. Nenhuma voz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;merece cantar este&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;homem fatiado entre versos...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Silêncio!... Agora é tarde!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-1089597437481132015?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/1089597437481132015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=1089597437481132015&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1089597437481132015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1089597437481132015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/05/sim-era-isso-rasgar-carne-como-se-o.html' title='Poema sem querer'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-6846800948204714286</id><published>2010-04-25T15:02:00.000-07:00</published><updated>2010-04-25T15:16:50.893-07:00</updated><title type='text'>Elixir</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Ainda não descobri a Verdade, olhos vendados no turbilhão da vida e nenhuma teoria, nenhum alívio ou vela acesa ao impossível me deu qualquer faísca de sossego. Se eu temo teus resultados absurdos, Verdade, é porque voo ao seu encontro como um bicho desavisado que só sabe da vida o verbo e o medo, este sangue apertado nas mãos também escapa cheio de fome e células. Onde a linguagem disparar em meus olhos serei entregue ao sacrifício de esquecer todo o aprendizado e, pegado à poesia, provar do limo primordial e retirar do seu caldo um poema cheio de imagens perdidas, um quadro onde o pintor mergulha e morre no templo de seu pincel. Quero ser a tinta e sei que meu corpo receberá esta dor com alegria e profundezas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Este é o trabalho que me foi entregue: reparar no que desconheço e inventar um galardão para cada falta, abençoar sua dignidade e crescer na raiz da minha ignorância. Por cima da labuta, o que se modela é um homem diferente como todo homem diferente e trazendo de mais somente a marca de não ter certeza alguma. Esta sua benção e motivo de prece, mesmo por cima dos olhares, das vozes, da violência e da guerra vazia. Morte aos senhores de todas as coisas, aos iludidos da moral e do conhecimento! Meu elixir é uma casca repleta de sombras e ali fará a circulação da minha voz um rompante cheio de música e escuta. Esta é a fera, a garra e os dentes morrendo na perfuração da presa. Este o desejo, queda absoluta onde se cria movimento e corte. Este o homem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Esperança de lhe dizer tanta palavra e só tenho voz para os carinhos, para dizer em vão aos amigos que abraço e trazem consigo o cálice do meu desempenho saltando inutilmente entre o verde e o cinza. Esperança de tanto e ainda é só poesia o que eu respiro quando tento lhe tocar. Seu rosto vazio acena para mim uma resposta que engulo e é como se o veneno repousasse a maldade em meus dedos. Não ser capaz de falar e tentar um diálogo maçante contra todas as possibilidades de convívio: este é o pavor da minha loucura e, mesmo assim, danço por entre a gente pisado por tudo constatando a distância entre os humanos. Agora veja, isto que te digo não é uma coisa que sinto, são palavras que escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-6846800948204714286?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/6846800948204714286/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=6846800948204714286&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6846800948204714286'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6846800948204714286'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/04/elixir.html' title='Elixir'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-336567652581208832</id><published>2010-04-11T00:59:00.001-07:00</published><updated>2010-04-11T00:59:58.936-07:00</updated><title type='text'>Um Nome</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Tua sombra mudou por efeito de vida e eu quis encantar uma palavra, reconstruir seu terreno e arquitetura para firmar o germe do teu corpo. Você avança entre as ruínas do tempo e eu percebo que nem a sensatez, nem o pó voando por dentro dos teus olhos podem cegar mais que esta perseguição involuntária de tocar o que somos e arquitetar com isso um sentido de viagem; rumos e frota para todas as navegações. Mas que barco, quem será capaz de arriscar uma seta, apontar o dedo e ter certeza, firmar os pés com vontade e descobrir a morte em sua timidez de espera e angústia? Existe no vazio da expressão uma tentativa de poema que eu te oferto pelo nosso tempo, pela nossa história e pela confusão de existir, esta base inconclusa de terminar sempre atirado no círculo perfeito da espiral sagrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu te ofereço um braço cheio de segredos, as mãos entrelaçadas parecem um brinquedo de confiança e força correndo presa pelo ar. Esta inveja que sinto dos pássaros é o amor total que lhe sirva de aliança e faça chorar os herdeiros; ouvidos abertos e a memória repleta de coisas em formato de portas. Você parece mais bonita quando dorme e eu me enxergo pelos teus olhos pensando tanto que quase deixo a imagem morrer. Mas não deixo e te seguro com um único toque: o seu. Respirar é a única testemunha deste ato cheio de cortes e excessos, cheio de figuras e preguiça quando as águas suspendem aquele feto no alto da planície e os cães percebem a madrugada. Esta largueza de confusão, meu Amor, é o nosso tempo jorrando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um brinde aos dois que se amam porque conhecem a verdade e a verdade os libertará, porque amar é um espelho vazio e desesperado onde a imagem está sempre distorcida e não conhece luz humana com prestígio de certezas, porque basta que uma nuvem se corrompa que um deus nasce em forma de chuva e se permite beber pela redenção dos homens. Eu bebo a loucura de viver ao teu lado e sou louco de tudo; por todas as frequências e caminhadas quero ser tudo de mim, por mais que seja pouco e tenha que me repartir contigo, com a poesia e a natureza desta terra que sobe pelos meus ombros. Sim, Atlas interrompido na consciência do peso como um grito que neva por três mil anos e consegue apenas o sussurro de um nome: Nicole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-336567652581208832?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/336567652581208832/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=336567652581208832&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/336567652581208832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/336567652581208832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/04/um-nome.html' title='Um Nome'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-4051045203572006681</id><published>2010-03-23T20:53:00.000-07:00</published><updated>2010-03-23T20:59:20.456-07:00</updated><title type='text'>Alento</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;O que se diz ainda é tortura de estar vazio. A boca não colhe o juízo das plantas e tampouco sabe a cor qualquer prato. Mas sabe, mas colhe, porque a palavra se contorce, bailarina em movimento, e tudo se desmancha de significados, e resta só aquele pó essencial de onde o juízo se formou. Espelho, quem te garante? Eu sou a aliança repartida com que o primeiro homem de bom coração temeu a vida e quis se levantar, agir diante da terra e cavalgar a marcha louca dos que decidem por si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A boca não aprendeu a quebrar seu corpo com poesia e o homem, bem vestido, sereno em comportamento, está queimando em seus números. Sete ossos repartidos, todos reparados conforme o gancho da razão cotidiana; Cinco mulheres e nenhum amor, nenhuma mágoa; tudo se reúne em torno de si mergulhado num único desprezo. A paixão definha diante do topo e se precipita nas pedras. Um cão ama de verdade e possui mais verdade nos olhos, mais calma e firmeza diante da guerra. O homem tem desprezo, aprende a vida e a morte e tudo se conforma, teoria gentil e sem tato de saber e acreditar. É o dono do mundo que despreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me pergunte nada. Não conheço estas frases e não sei de acordos. De tudo o que vi até hoje o que mais me comove é o mar e um pássaro voando, o peito enorme mirando o acolhimento das águas e um mergulho de busca, caça incessante de mais e mais tempo. Não conheço as frases que persigo e, se as tenho em mim, sou a presa. Aprendi a caçar o lobo que me mata. Não se preocupe, meu Amor, que tudo nesta vida é um gênio e suas permissões; o mundo cresce no contato dos seus olhos e, quando a noite arde, ele sopra mais uma vela e a parafina cerca em meu sorriso uma aparência de vida que pretendo lhe dar. Não chore, meu Amor, que a verdade é maior que o fogo e dentro do teu coração eu vou deixar um arrepio de pavor e voo, mar e asas para que este quadro seja sempre em mim a tua benção. Não se preocupe, meu Amor. Aprendi a caçar o lobo que me mata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-4051045203572006681?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/4051045203572006681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=4051045203572006681&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4051045203572006681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4051045203572006681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/03/alento.html' title='Alento'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-3090398916888361186</id><published>2010-03-11T21:59:00.000-08:00</published><updated>2010-03-13T09:40:35.951-08:00</updated><title type='text'>Apelo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Procuro um coração maior do que o mundo, um coração do tamanho daquela estrela morrendo e com uma música crescendo por cima da situação. Preciso de uma cena, os corpos dançando sobre o tablado tecendo um drama de conhecimento e beleza. Estarei chorando, talvez, porque há uma demora de poesia na sensibilidade e os homens carregam no susto do peito as águas que rolam no fogo da terra. Preciso que a dama segure meu rosto, respeite este silêncio de toque e se afogue cheia de lábios e gosto. Este é o drama que merece a vida inteira e a cegueira imensa da luz fez uma sombra no corpo do quadro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Existe aqui uma curiosidade de homem percebendo de leve, enquanto as rosas se movimentam e os olhos do cão abanam o rabo sem perceber a vida em seu caos, mas por dentro. Essa a falta de permissão, este o apelo mais grave que grita este poema: repara nas coisas e na ignorância farta de minúcias, mímica perfeita onde o homem se resgata e cobre de suor e destino as suas chaves. Este apelo pede ao homem que abandone suas portas, suas paredes e tetos; pede que somente a possibilidade arrepie e que dentro do ovo a gema se forme. Aqui eu te dou um apelo de vida e todo o desespero que isso traz. É o que lhe dou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora isso, a palavra em bolhas, o surto e a esquina vazia da memória. Crianças em velocidade de sopro passam pelos meus olhos e eu vejo a criança que fui. Esta criança já teve medo de perder a vida e tudo o que me resta é uma esperança miúda e sem voz, calada na lembrança de ter nascido e ter gozado o enterro de tudo com desprezo. Esta criança não recorda os fatos, está preocupada demais com a vida e com as pessoas. Quer perceber um jeito novo de andar e de chamar. Preocupa-se com a solidão e com o abandono e tudo o que fez foi servir a si mesma estas fezes. Esta criança é um poeta magro voando no turbilhão das formas e dos gritos, é uma menina sem coragem de chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro um coração maior do que o mundo para sentir uma semente e salvar os homens da mágoa. As pálpebras pesadas descontam nos pés o cansaço e, rasgando a dor, nasce um solitário que se ama e tem pena do ódio, e percebe a compaixão como um terror de beleza e entrega, e tudo o que faz é perceber o mundo em silêncio. Sim, nenhum movimento, o herói maior. Sem lutas, sem convencer sequer os próprios nervos, a pele calma e limpa de protestos; sem tintas, o terror desmancha na lei do fracasso e este homem escreve um poema de amor. O herói maior que já se viu. Poeta magro no cosmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-3090398916888361186?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/3090398916888361186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=3090398916888361186&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3090398916888361186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3090398916888361186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/03/apelo.html' title='Apelo'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-346863447067580632</id><published>2010-02-09T14:45:00.000-08:00</published><updated>2010-02-09T22:26:26.444-08:00</updated><title type='text'>Exílio e Sono</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;"Sempre eu tinha razão&lt;br /&gt;Sempre eu era quem não&lt;br /&gt;Pode errar&lt;br /&gt;E quem sempre tá certo&lt;br /&gt;É o primeiro, por certo&lt;br /&gt;A cansar&lt;br /&gt;Mas agora as águas vão rolar"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Edu Lobo &amp;amp; Joyce)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Tive medo da distância, viajar para longe e deixar um rastro perdido de amor e confiança. Tive medo de ouvir a tua voz me dizendo a forma das coisas como elas são e mergulhei por dentro da tristeza como o pássaro que é morto em pleno vôo, no alto. A queda e a solidão deste tempo é vertical e sem fundos, sem voz e ouvido que diga e ouça qualquer grito, qualquer sinal de fumaça ou lágrimas de se mostrar vivo diante do sofrimento agudo de perder. Mais que tudo, essa ausência de mim não tem remédio porque desfiz em teu dedo uma aliança triste e cheia de cacos. Você não deve descuidar de uma pessoa nem de si, nem de nada; não deve suspirar na madrugada, chorar pelos cantos ou morrer de repente; hoje você não pode muito e precisa, mais que tudo nessa vida, sim, abaixar a cabeça e contemplar o chão, olhar a terra sem desprezo e sussurrar em segredo o meu nome. Você precisa pedir perdão pelos seus pecados e abafar o soluço na direção do sopro em que ventar qualquer saudade. Você precisa esquecer que é só maldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brilha dentro do fogo e aperta uma faísca como se escapa da morte no último instante, a última farpa continua travando os meus olhos e serei a figura canhota, o tolo das ilusões em que os bichos tombam desacordados e depois não sei. É teu rosto esse mosaico cheio de figuras cruzadas, ilhas de sentir pavor e silêncio como sentença nobre de acordado em meio às trevas. Você não merece a imagem que desenho pra você. Meu coração desapontado está remoto no meu corpo e não se lembrará mais do teu jeito, teu perfume e agonia de viver desesperada, despreparada no turbilhão insensato do mundo em que te entrega às garras cheias de vontades. Você não merece o meu canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda assim é a única escolha. O poeta é sempre a figura opaca de tudo e, repito, ainda assim, os dedos brilham nas formas do seu desejo morto de cansaço; maciço de faltas. Este amor, agora a sombra de um homem na cama, será o destino de alguém ou minha última fé. Se isto acabar, nem Deus, nem todas as forças ocultas porque o camaleão prestará seus serviços em mim e serei o que não sente mais; serei o da cor das pedras em que meu coração repousa a tua memória e com os olhos atentos. Este homem despertará em seu leito esquecido das dores, mas não pela fuga. Este homem despertará por amplidão e vontade. Você precisa merecer o que eu sou e o meu canto; você precisa esquecer que é só maldade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-346863447067580632?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/346863447067580632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=346863447067580632&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/346863447067580632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/346863447067580632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/02/exilio-e-sono.html' title='Exílio e Sono'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-8255082306914601895</id><published>2010-02-05T16:31:00.000-08:00</published><updated>2010-02-05T16:33:13.905-08:00</updated><title type='text'>Vermelho Som</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Eu quero que você compreenda o segredo da minha solidão, quero que pisque os olhos diante de tudo o que eu disser com o meu corpo estranho, esquálida figura que não atrai sequer a respiração dos grãos perdidos. Porque são as tuas mãos, o toque e a força com que te disparas em alucinada corrida para qualquer lugar esta raiz inventando a palavra forte que te aceno, e hei de escrever em teu nome a marca de um poema que levantará os mares e transbordará de ventos e ventos, ruídos de fogo e a parceria terrível dos deuses. E será para sempre este choro quando teu rosto pertencer a minha casa, dobrar as esquinas e perceber a sombra de mulher em minha cama; e habitar, separar teus cabelos tremendo de frio e anseio. Nossa casa pode ser da cor que escolher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou pintar os meus olhos com a tinta dos teus desenhos, fingir de morto e de amparo. Este será o dia em que vou te recolher nos meus braços, passar o limite da porta e beijar os teus olhos. Há um corpo quente dentro do teu corpo e é esse que desejo cheio de fome e espírito. Você não pode adivinhar o meu gosto por dentro até as estrelas e depois voltar, asas para quem se abisma e um gole de vinho. Vermelho teu país sereno cheio de rios e frutas. Eu vou te mostrar o meu mundo, também. Mas é triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque este é um coração cheio de raivas e manchas e, a cada pingo de sal, arde no meu peito este veneno louco cheio de gírias e palavras tortas, este pensamento de morrer, cair em separado do resto dos homens e fugir para a cadeia vazia de uma mente confusa e cheia de pedras. Sim, no meu coração tudo se esconde, tudo é possível e tudo se afasta. Deixa que o tempo; deixa que o teu calor suspenda um pouco este cansaço e me leva embora de mim, para bem longe onde eu persiga uma rota e me transforme em som dos teus ouvidos cheios de passeio de mãos dadas!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-8255082306914601895?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/8255082306914601895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=8255082306914601895&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8255082306914601895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8255082306914601895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/02/vermelho-som_05.html' title='Vermelho Som'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-8386214886101480061</id><published>2010-01-19T17:17:00.000-08:00</published><updated>2010-01-19T17:18:33.276-08:00</updated><title type='text'>Corrente</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Eram eles estranhos? Seriam? A experiência guardada construindo as flores daquela memória viva, pele roçando pétalas e o furto sem contato agora demasiados olhos mirando. Estariam parados no tempo se a terra rolasse e a chuva consumisse o desejo de escorrer, lágrimas e prestes, palavras soltas por dentro dos miolos e o sangue tremendo por dentro nos pelos do braço, da nuca, aquele pescoço uma longa viagem e subir, fazer amor como se faz na lama o sorteio dos porcos, das vezes tranquilas e o grande arco-íris. Assim eram eles estranhos de tudo, os íntimos fortes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Era ele o culpado, ela a culpada de tudo e de todos, as mãos vazias e a tempestade caindo fisgando seus corpos de gotas manchadas de susto e terror. Mas onde estivessem, sempre os mesmos, todos mudando, o mundo e a faca, lâmina seca e nada concentra aquela agonia. Rever, criar por um momento o estômago antigo dos dois que se cruzam e breve apaixonam, a música toca e os dois se confundem, rostos acesos, pernas cruzadas. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quem sabe a hora de chegar quando o amor se vai é o que acredita e busca todos os segredos, e acerta. Sim, vale o amor esse risco de morrer, vale os olhos abertos e a figura pálida gritando um antigo poema em nosso pulmão inflado, vale o risco de qualquer coisa e nada resiste o voo dos amantes que se cruzam uma outra vez na vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ninguém sabe a palavra com que eles se foram, com que se amaram e descobriram no corpo do outro a essência de um perfume combinado que cantava e enquanto se esvazia a caixa dos retratos, cigarros imensos, uma semente viva se pergunta pelo canto onde se irá guardar na alma dos dois. Eles, os tolos, se perseguem mudos&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-8386214886101480061?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/8386214886101480061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=8386214886101480061&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8386214886101480061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8386214886101480061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2010/01/corrente.html' title='Corrente'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-1184039060869928074</id><published>2009-12-19T22:25:00.000-08:00</published><updated>2009-12-19T22:36:12.797-08:00</updated><title type='text'>Como um Cisco no Ar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Qual é o nome dessa ternura cega que se sente quando alguém por quem apenas sentimos uma leve indiferença morre? Realmente não era um amigo, de se contar os segredos, mas fazia parte de uma parte da minha vida e agora está morto. E agora fica batendo esse trecho de tempo, um recorte, caracol enlouquecido dentro da minha sensibilidade porque uma pessoa morreu e estava bem, bebia o que bebia e me cumprimentou quando saí. Qual o nome? Se o que eu sou passa também por este corpo que nunca mais poderá erguer os braços, gozar, dar um passo em direção a qualquer canto, qual o nome desta ternura, meu Deus, porque eu sinto que diminui e não posso santificar o meu morto, recolher de sua memória uma taça importante e lançar ao gosto de qualquer dignidade que seja. Se não valia um centavo da pior moeda, o que é isso que pesa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enorme é o tamanho da realidade e a morte, o caminho dos homens, é sempre um broto aquecendo seus fios. Estive a ponto de querer olhar o corpo, levantar a voz e chorar sobre o corpo vazio, o sangue e o pano casando a minha nova tristeza e a historio sutil do meu desdém. Estive a ponto de chorar, mas não saí de dentro do silêncio porque ali estava uma coisa única, fantástica e fria: ele era o que não sente mais dor. O medo, o desespero dos últimos segundos, tentar correr, esbarrar nas outras pessoas buscando proteção, cair por cima da grama e finalizar desmanchado numa pose estúpida de humilhado era agora a ausência de dor, era saber o que vem, saber se há alguma coisa. Apagar, subir, descer, girar e pernoitar entre os espíritos, ser julgado ou sabe-se lá o quê. Era estúpido, mas agora sabia. Mais que todos os grandes pensadores, todos os religiosos debruçados em suas imagens e textos, todos os cientistas preocupados com as substâncias produzidas pelo cérebro no momento em que se apaga a luz dos homens; sim, agora ele sabia o truque da grande jogada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu que lancei a minha voz um dia em direção aos teus ouvidos, que escuta é essa do que não me diz? Meu coração está ardendo e penso no teu jeito de andar, em como já não me fazia diferença estar você ali ou não; sua distância mais distante que estar morto e eu apertei a sua mão como se aperta um parafuso. E agora, que saudade deste toque, sua voz que nunca me disse nada que prestasse é um pouco de estar eu também morrendo, apagando aos tantos dentro dessa coisa cheia em que sempre falta alguma coisa, em que sempre foge algum parente, algum encanto; em que vai ficando desenhado agora somente o teu retrato, parado, sentado, com um copo quase vazio na mão como eu te vi pela primeira vez antes de perder a sua pobreza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-1184039060869928074?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/1184039060869928074/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=1184039060869928074&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1184039060869928074'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1184039060869928074'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/12/como-um-cisco-no-ar.html' title='Como um Cisco no Ar'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-2367462530821143361</id><published>2009-11-29T21:49:00.000-08:00</published><updated>2009-12-02T11:51:42.179-08:00</updated><title type='text'>Descer</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 24pt; text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 24pt; text-align: justify; font-style: italic;"&gt;A essa altura você já deve saber que o amor é uma grande chave e a vida se espalha entre as coisas mais difíceis, mesmo correndo por fora das nossas vontades. Sim, é verdade, nossas virtudes são um vento inútil diante da vida e sei que já é tempo para que saiba de coisas que doem, coisas com as quais você discorda e treme de pavor, mas que não obedecem nunca ao apelo da nossa covardia diante da realidade. Interessa saber que, diante da morte, nós participamos de tudo e sempre ela nos compromete por vizinha leal, jaula vigiada por todos os cantos pelos olhos profundos de uma coisa que somente aprendeu a nos querer com toda a força, toda a vontade liberada de uma essência sem forma e sem conflitos. Você é o único desejo e libertação daquilo a que se destina a tua vida. É tempo de aprender sozinho.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 24pt; text-align: justify; font-style: italic;"&gt;Essa voz está enfraquecendo todos os dias porque começa a aquecer no espírito uma grande admiração pelo eco e sinto que, das memórias que vivi, da vida que corri como um louco, encontrei o ponto onde a raiz não pode mais forçar a descida. Tenho chamado a esse ponto de inferno e, sempre que alguém me acusou de tolo por querer penetrar cada vez mais e mais esse lugar, eu respondi com o silêncio dos que procuram e não sabem ainda a verdadeira música do sangue, o frio que solta para dentro de nós quando encaramos o abismo porque é preciso muita ignorância, muita calma e ignorância para aprender o juízo terreno que a vida faz de nós. Hoje eu tenho a calma dos que amam suas mães.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 24pt; text-align: justify; font-style: italic;"&gt;Você já deve saber de muita coisa que ainda não descobriu o nome que tem. Já deve saber o amor e o tempo, a angústia e a inveja; já deve saber o desejo da carne e os olhos dos que desprezam, a mente dos que se vingam e a morte. Você já deve saber porque duvida, seus olhos derramam a agonia dos que ainda não aprenderam a palavra certa e às vezes te consome o desespero dos loucos sem respostas porque você advinha tudo sem palavras. Eu vejo tanta coisa nos teus olhos que me parece ouvir o seu coração bebendo aos poucos a minha solidão. Tenho medo que você descubra minha dor porque os seus olhos veem tudo sem palavras e a falta de argumentos é sempre um passo muito largo em direção a outra alma.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 24pt; text-align: justify; font-style: italic;"&gt;Quero que você me abrace e que abrace minha saudade para onde você quiser se soltar, mas que isso não te espete a liberdade. Desejo que você carregue consigo a minha forma de dizer as coisas e que seja completamente diferente de mim. Quero que não tenha donos e não seja dono de ninguém, mas não posso te pedir coisa alguma porque amo isso que você é e a ferida dos pedidos é sempre um tormento, sempre um muro de desprezo daqueles que não sabem decerto que o amor não é exigência, mas consegue tudo que o nutre por doação de si mesmo. Espero que já saiba que a indiferença, assim como o ódio e a vilania são possibilidades como a ternura e a gentileza; que saiba que não somos uma linha seguindo em frente, mas uma espiral que um dia se pôs em rumo de interminável caminho porque não conhecemos a morte como um depois e porque amadurece dentro de nós a sua destreza e a sua luta pelo nosso corpo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 24pt; text-align: justify; font-style: italic;"&gt;Você me permitiu desdobrar a vida como um pássaro e foi assim que aprendi o teu sonho de voar. Com o mistério pairando sempre entre as nossas conversas eu senti que teu rumo me guiava, que era forçado a relembrar antigas histórias e velhos navegantes, homens cujas vidas se apresentavam enormes porque estavam sempre consumidos de tristezas e desgraças. Você sempre foi o príncipe dos mortos e entrevistava a todas as figuras que tive de inventar para o seu deleite de pessoa crescendo. Tenho todas as respostas inventadas e sei que hoje você já não desconfia tanto do que não acredita ser verdade; tenho na palma das mãos o teu consórcio com as coisas da invenção, da mágica, e sei que te agrada aquilo que nunca apresentou a referência das provas. Você tem orgulho das palavras que criou para dizer o que sentia e eu tive medo de você crescer muito.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 24pt; text-align: justify; font-style: italic;"&gt;E você cresceu. Desdenhou da ordem e dos limites, quis o voo, o desfiladeiro e a largura brava do mar porque seu tamanho era uma rocha profunda dentro do coração comum dos homens e eu soube que a tua mágoa crescia, que você se preparava para sumir, aquietar-se na distração das pessoas transparentes e você nunca poderá entender o tamanho da minha doença quando tudo o que eu temia se tornara um tumor dentro da minha cabeça. Você com suas asas subia e eu sangrava o desespero dos que se perguntam pela veracidade das coisas suando frio. Eu vi o seu rosto mudar de expressão e me culpei. Hoje você deve saber que a culpa é só uma conseqüência de ser livre e, apesar disso, ter consciência. Não havia nada em seus gestos que não fosse uma cicatriz e um grito. Então eu chorei por você e senti que não precisava mais de mim. Conquistara a ambigüidade e era aquilo que eu sempre procurei te dar na minha imagem: um ser superior.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 24pt; text-align: justify; font-style: italic;"&gt;Hoje você deve saber que estas são as palavras de um homem morto e, consequentemente, sabe que fui um homem fraco. Sabe que não se pode construir uma vida inteira com medo de ser o que se é e, sobretudo, com medo de ser superado. Hoje eu não tenho escolha, nem Narciso nem Casmurro, nem Cristo nem ninguém; hoje eu sei que não posso mais aprender coisa nenhuma e que deixei nos seus olhos a marca da minha passagem. Por isso me desculpo. Hoje eu vou tocar a semente da tua raiz naquele inferno que não sei.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-2367462530821143361?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/2367462530821143361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=2367462530821143361&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/2367462530821143361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/2367462530821143361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/11/descer.html' title='Descer'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-302831040272244339</id><published>2009-11-27T19:43:00.001-08:00</published><updated>2009-11-27T19:43:49.888-08:00</updated><title type='text'>Momentos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Recolhidos os pés e a cara fria,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;um homem brotará de si pequeno.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Brotará como larva de poesia&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e transformando tudo em cada aceno.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu continuava triste e sem os braços,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tonto de ver no tamanho do mundo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o movimento frágil dos calados&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e o tatear secreto dos profundos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quando a Terra preparou aquele corpo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;era como se fosse quase nada,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;era como se fosse um bicho morto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas quando ele viu a cor desesperada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e tanto mar, tanta água e ainda o porto,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;transformou aquela imagem em sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-302831040272244339?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/302831040272244339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=302831040272244339&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/302831040272244339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/302831040272244339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/11/momentos.html' title='Momentos'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-6538162802939200208</id><published>2009-11-16T19:32:00.000-08:00</published><updated>2009-11-17T08:31:24.626-08:00</updated><title type='text'>Contato</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt; font-style: italic;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Há quanto tempo não recebo tua benção, a vazia sensação de que está correndo os dedos pelo meu rosto insensível, áspero, parado e definhando nas partículas de tempo que morrem e voltam, morrem e voltam... Palavra, nenhuma sensatez dentro desta sala, nenhuma opinião ou bebida que me dê conforto e a fumaça se esconde por trás da malícia, do desejo e da indiscutível responsabilidade de dizer o que eu penso do teu corpo, teu rosto, vestido voando pela janela dos meus olhos. Esta é a saudade de não te conhecer, saber teu nome profundo e possuir, enorme, a tua imensa solidão de pessoa desconfortável dentro de si.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt; font-style: italic;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Eu sei, e para sempre será esse descompasso das tuas ancas, pérola em serpente, rosto de pobre como um lírio perfumado. Esta imagem é mais forte que um homem. Eu vou soltar a poesia do teu contato em um balão que vai subir, subir e, até que não alcance o ponto de queimar inteiramente, será teimoso como a vida que se assusta, reflexo de atropelado que se salva, raiz profunda dessas alturas inesquecíveis. Eu me apaixonei no ponto zero em que te vi e este é o grande perigo, o ponto em que sossega a vista e a figura recortada ganha espaço maior no que eu sou. Tenho medo que se transforme em mim, na coisa pequena que eu sou e que tenho construído durante anos e anos e que desgosto, e assume as posições mais impertinentes, e revela o cinismo dos ignorantes e a raiva dos ciumentos perdidos. Tenho medo que perca a sua forma de ver, seu medo de acabar de repente e fique apenas com a minha segurança inútil de homem enganado. Tenho muito medo que se dê a mim e fique só a minha presença dispensável.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt; font-style: italic;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;É preciso, para que tudo aconteça, que me sussurre o teu nome calmamente, que não esqueça de que sempre é preciso retornar ao espelho, recuperar tua vaidade de mulher e renovar os teus perfumes. Sim, é importante que teu cheiro continue visitando este vento agradecido desde a ponta do meu nariz até o topo de qualquer coisa que não seja mais eu; alguma coisa além da vista que me forma, que me argumenta e que seja mais e cada vez mais a tua voz o que me chama a descobrir o que eu sou porque ando perdido atrás de ti como um pastor; cego pastor a confiar naquela ovelha que perdeu. É preciso descobrir o teu abismo e a tua fome para que eu me entregue de um salto e numa noite, para que eu suba no teu corpo como um bicho, como pluma oferecida para os deuses do acaso, para que eu me encontre em ti.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-6538162802939200208?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/6538162802939200208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=6538162802939200208&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6538162802939200208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6538162802939200208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/11/contato.html' title='Contato'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-5716701074478861779</id><published>2009-09-20T22:30:00.000-07:00</published><updated>2009-09-20T22:46:55.746-07:00</updated><title type='text'>Concha</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 24pt; text-align: right; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="color: rgb(255, 0, 0);"&gt;Às águas que nasceram depois&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 24pt; text-align: justify; font-style: italic;"&gt;Se eu te amo? Sim, eu te amo. Porque é preciso que, de alguma forma, se tente dizer a palavra estranha com que vibra o que não tem nome e, dentro de mim, é gestação e certeza. Este é um quadro que se pinta enquanto os dedos viajam pelo corpo de concha dos teus cabelos. A eterna indecisão dos ecos respondendo ao seu cansaço, ao sono profundo com que te deitas e cala e fica apenas a memória guardada da tua respiração por dentro dos meus olhos e os ruídos da noite cheia de vagantes desencarnados. Esta é a imagem que persigo e loucamente te cuido como quem gera uma pena que não pode me ouvir. Desliza a pena no ar como se a música do eco desta concha a perseguisse e brincasse e falasse ao seu ouvido que se fuja de mim. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 24pt; text-align: justify; font-style: italic;"&gt;Meus dedos talvez ainda não conheçam a delicadeza deste corpo feito de vento e solidão. Mas repara em mim: o vento e a solidão que me enraíza e empurra, e sobe como eu subo, e sangra dentro do meu corpo a luta desta entrega ainda cheia de egoísmo e prece, que ainda não me conheço, e nunca saber, nunca estar para mim como alguém tranquilo que esteja, enfim, disposto ao amor, esta palavra cheia de mares. Mas é com estes dedos que posso te dar a paz enquanto dormem seus olhos cheios de água, esta placenta viva de temores incríveis e todas as imperfeições, todos os motivos e mágoas, angústias e a música dos vivos batendo no seu coração cravado pelo meu nome imperfeito. Eu, que nunca aprendi, que nunca serei o que eu mesmo quis, como posso te embalar, sonho perdido? Mas é com estes dedos que aprendi a arte do teu sono e os detalhes do teu rosto enquanto bagunço os teus cabelos. Esta é a lição de amor que procuro ou o que eu tenho a ensinar? Não sei; meus dedos desenham na areia o teu nome.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 24pt; text-align: justify; font-style: italic;"&gt;Estas palavras, menos que tudo e, ainda assim, grande parte do que eu posso te dar. Eis a minha oferta sem vantagens: o dom desta enorme pobreza de poeta que se cala diante de tudo e tem apenas a oferecer uma fúria de homem falhando enquanto pensa. Isso é tudo, e aquele sentimento fino, dolorido de saudade na presença porque está a todo tempo levando algo de mim que não tenho, esta coisa sem nome e sem mundo, ventre paspalho das antigas formações, destes olhos ardendo. Corre e chama a tua presença que é urgência este fogo de tudo que concentra minha alma em teu corpo, que daqui tudo o que sai se dissolve em mancha e resta apenas, guardado neste eco profundo do teu sono, este dedo tocando sua pele nas conchas.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-5716701074478861779?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/5716701074478861779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=5716701074478861779&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5716701074478861779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5716701074478861779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/09/concha.html' title='Concha'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-4766881304811898027</id><published>2009-09-07T13:48:00.000-07:00</published><updated>2009-09-07T13:50:11.975-07:00</updated><title type='text'>Sombra</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;No último dia da minha vida o homem estará feliz e cinza como um bicho tranquilo dentro da sua ignorância. A solidão se afastará dos meus olhos e a lâmina atravessada a partir dos sonos da mulher amada vai responder ao último gesto com a tristeza dos que amam, acima de tudo, o medo insuspeitado da terra e do fogo, dos elementos primordiais e, principalmente, das águas. Não haverá uma gota de criança a mais em meu corpo e os movimentos serão todos como o vento disfarçando por trás da tela de vidro. Chega daí vem o senhor construir a sua pintura no meu rosto inerme, a soma dos gestos, um homem já formado vestindo o terno da tristeza e do comportamento humano, das ruas carregadas daquela tristeza, também, e de todas as chuvas, de lama e perfume como um discurso vazio de todas as bocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É como se morresse de tudo um pouco naquilo que conheço, a voz ativa dentro do cosmos e a penetração sem toque de uma alma que sua, que transpira e repara nos gafanhotos, nas curvas repentinas, no som que ela faz enquanto dorme e que o Deus todo poderoso não me furte desta memória se houver, porque brincam em seu jeito a conformação universal das coisas que voam e eu vou chamá-la mais uma vez e até que a morte carregue consigo o seu nome transpirado em meu último canto. Sim, a música que embala lentamente esta ciranda em que a vida me sustenta e mais o dedo de um homem velho que abaixa a cabeça e chora (talvez um amigo, meu pai, talvez)... Você precisa reparar melhor no que imagina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haverá aquela lua transparente da tarde e – pudera eu inventar uma condição – um pássaro virá pousar seu corpo no fim dos meus cílios cobertos de lágrima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-4766881304811898027?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/4766881304811898027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=4766881304811898027&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4766881304811898027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4766881304811898027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/09/sombra.html' title='Sombra'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-7323854784311475412</id><published>2009-07-23T20:45:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T20:48:47.832-07:00</updated><title type='text'>Bile</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Meu rosto no escuro.&lt;br /&gt;Nem mais uma gota&lt;br /&gt;de sonho patife&lt;br /&gt;ou pássaro cinza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recordar, viver&lt;br /&gt;a plena fração&lt;br /&gt;de melancolia&lt;br /&gt;dentro do perfume&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;extático e manco&lt;br /&gt;da imagem vazia.&lt;br /&gt;Na margem canhota,&lt;br /&gt;as rugas e as sombras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o mar que tenho&lt;br /&gt;mais profundo em mim.&lt;br /&gt;Memórias de carne,&lt;br /&gt;nomes, naufragar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por entre as pessoas&lt;br /&gt;e não recolher&lt;br /&gt;sequer a saudade.&lt;br /&gt;E ser esquecido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na fotografia&lt;br /&gt;mofada, coberta&lt;br /&gt;de paralisia&lt;br /&gt;e doença; e ser&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tomado de ódio,&lt;br /&gt;o sangue gelado&lt;br /&gt;por baixo das unhas&lt;br /&gt;rasgando meus mortos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta alma pesada...&lt;br /&gt;E quantos e tantos&lt;br /&gt;pousaram as mãos&lt;br /&gt;no meu sacrifício&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;recebendo a marca,&lt;br /&gt;o parto secreto&lt;br /&gt;de uma vida inteira&lt;br /&gt;anestesiada;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quantos e tantos...&lt;br /&gt;O tempo incontável&lt;br /&gt;não sabe o destino;&lt;br /&gt;palavras que fiz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e não criarão&lt;br /&gt;asas nem distância,&lt;br /&gt;nem certeza alguma&lt;br /&gt;além deste rosto,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem a voz serena&lt;br /&gt;clamando por luz&lt;br /&gt;(o mofo confirma&lt;br /&gt;sua estranha agonia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, de dentro, alguma&lt;br /&gt;coisa queima e vibra,&lt;br /&gt;recupera o som&lt;br /&gt;e a música. Vai,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desce pela angústia&lt;br /&gt;até o nojo, até&lt;br /&gt;a raiz mais firme&lt;br /&gt;em que se percebe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a marca dos homens.&lt;br /&gt;O que será então&lt;br /&gt;ainda se esconde&lt;br /&gt;na trama dos fios&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em que se pergunta&lt;br /&gt;o canto sonhado&lt;br /&gt;e a lágrima acesa&lt;br /&gt;desbotará a estátua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deixando somente&lt;br /&gt;o choro fluindo&lt;br /&gt;por onde desliza&lt;br /&gt;esta redondilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-7323854784311475412?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/7323854784311475412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=7323854784311475412&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7323854784311475412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7323854784311475412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/07/bile.html' title='Bile'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-4820096417581064388</id><published>2009-06-28T19:45:00.000-07:00</published><updated>2009-06-28T19:46:34.520-07:00</updated><title type='text'>Amor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Você vinha subindo pelas paredes, pela ponta dos meus dedos você vinha conjugando seu perfume ao meu. Seu corpo, a lente total da escuridão presa em teu ventre e concordando na harmonia musical destes espaços. Encontrar um rosto no escuro, minha jóia, todas as mãos do mundo estão soltas dentro destes poros, tudo é sentido e tato e a alma queima por cima de tuas unhas, dentro de minha carne como a raiz velando seu princípio de inferno. Tudo queima e procura seus anjos de vidro, estes olhos imensos de gata vibrando no corpo da noite, um copo de leite ou de água. Tudo celebrará neste formato sóbrio a canção do meu sussurro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escalar, subir pela parede nua de tua perna, concluir que o espaço vazio é maior no meio das árvores porque o delírio morre apenas no sonho das reses. Delirar. O formato do corpo é azul como um planeta em gestação, o espírito da minha sombra decifra teu mundo no quarto fechado e um sorriso em ti me morde a consciência. Longe daqui, no reino das flores, do mundo das coisas, alguma coisa pede licença e começa a agitar as suas formas, seus suplícios secretos de vidas e ondas. O canal da solidão não sabe se estranha, não sabe se perde, mas dilui do pensamento sua virtude triste e incorpora a aurora destes campos soltos. No céu, o horizonte se desenha como a luz vermelha do teu sangue sob a pele. E eu preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você vinha subindo pelas paredes quando a chuva desabou e a alegria do corpo abençoou o teu milagre de luz e som. Nuvens no meu coração, nos teus olhos, mas claro como a tempestade com que choves pela terra. A musa, argila originária das ideias, a louca que dirá a vida desta linha em que escrevo sua posse, meu desejo e pureza, a farpa que atinge e sangra até o final como um sorriso, a santa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-4820096417581064388?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/4820096417581064388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=4820096417581064388&amp;isPopup=true' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4820096417581064388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4820096417581064388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/06/amor.html' title='Amor'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-4275121610099626422</id><published>2009-06-21T13:47:00.000-07:00</published><updated>2009-06-21T13:49:57.624-07:00</updated><title type='text'>Calor</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;O sol não sabe como a sombra se move sóbria em si mesma. Não sabe que sobre as paredes do tempo acima de suas asas paradas, pesadas, repousa um movimento fértil de infinitas paisagens universais, as constelações maiores que o horizonte de nossa humanidade. Não, e além de toda a correnteza de astros e pupilas azuis que vagam sobre a face da terra, uma estrela acaba de explodir e a música de sua amplitude devastadora perpassa agora a maré perdida do limite ultrajado. Quem saberá um dia a que cosmos se eleva o nosso corpo quando a morte tateia nosso rosto? Este deverá se haver com todos os gostos e somente um sonho recompõe a tristeza dentro do espaço inútil do invisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem, calor! De todas as formas traz a sua perdida incoerência e unge nosso descontentamento com a tua mudez incomparável e cheia de vida por fazer. Vem, que estamos prestes, que estamos a um passo de saltar. O chão se move abstraído de toda culpa e o que resta somente são os braços abertos, a correnteza inflamando em nosso corpo de pássaro demente. Recebe o apelo e o grito desespera louco em seus ouvidos; tu, que esqueces, que és feito de desilusão e carne, apareces diante de tua gente e sorri, que bebemos seu desprezo. Vem, calor, a vida decola de dentro do teu peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando as palavras se cansam é já uma morte que antecipa o jogo, travessa. E dizer, sim, que tudo quanto vive é um som e sentido ainda não dá conta, mas sentimos o gosto das palavras e a música canta em nós o som da realidade pressentida, inventada pelas mãos da terra. Engendra tuas raízes de mãe em nossos dedos para que a poesia gesticule teus atos. Estende sobre nosso corpo débil a sensação de que nos cobre e lança teu sinal de gozo ameno por que faça no que somos teu milagre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-4275121610099626422?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/4275121610099626422/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=4275121610099626422&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4275121610099626422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4275121610099626422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/06/calor.html' title='Calor'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-817256762151079745</id><published>2009-06-12T18:23:00.000-07:00</published><updated>2009-06-12T18:25:11.133-07:00</updated><title type='text'>Semente</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Estou num desespero sem música. A palavra sem tinta e o pensamento sem sabor não deixam que eu perceba a poesia destas linhas. Estou seco, meu Deus, e tua divindade estéril perdeu o rosto no contentamento do meu traço construindo lentamente no véu com que adorno o poder da tua boca. Enormes os homens com que vens ao meu caminho, mas tão pouco o sentido da linguagem e do amor que poderia até mesmo o amargo desprovido de ternura secar em meu rosto a última lágrima de emoção que chorei e esqueci. Agora vem, entrega teu júbilo cinzento e minhas mãos serão de fogo contra a face das águas, meus olhos amaldiçoados pelo teu juízo serão a serpente que ruge e treme por cima dos varais. Você não perde por esperar: a humanidade não agüenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nem mesmo o senhor, que todos os dias, no mesmo horário, se levanta da mesma cama já fria pelo tempo de sua morte madura dentro dos olhos tão estúpidos, tão vazios de tanta idade e nenhuma experiência, e vai, e segue seu caminho de sempre até o ponto onde pára e se cansa e verte novamente o caminho de volta. Não, nem mesmo este senhor resistirá ao engolir a dor de toda a ignorância a que tu o condenaste. Nem mesmo ele, cuja solidão grita tão forte e cujo corpo mais lhe desespera no peso da falta, o desgosto, as doenças, o ser frágil e depender de estar vivo sem motivos. Ele não agüentaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando as portas se trancarem diante do tumulto e a ira varrer com seu fogo de prata os corpos desavisados, eu vou sorrir, meu Pai, e a morte há de tecer um movimento todo puro pelos corpos de teus filhos e tuas filhas. Sobre todas as gerações a marca de uma passagem insatisfeita. Os seres renegados de tua presença inventarão o lírio da desculpa e o perdão consumará os restos de memória que voarem fugidas pelo vento sombrio que viaja o firmamento. Este será o momento em que a tua palavra levantará de novo a voz e os céus resplandecerão como a semente abrindo um novo dia de flores e frutos e todas as criaturas conhecerão o teu nome, e todos os homens levantarão os seus olhos perante a força da luz e louvarão o seu canto de paz e harmonia. Dentro da música, enfim refeito, um coral todo feito em cores e plumas entoará o meu canto de súplica e força e você conhecerá o rigor da minha presença mais humana no sangue das flores. Este, Senhor, é o dia dos homens!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-817256762151079745?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/817256762151079745/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=817256762151079745&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/817256762151079745'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/817256762151079745'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/06/semente.html' title='Semente'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-856497953333385275</id><published>2009-06-04T15:17:00.000-07:00</published><updated>2009-06-04T20:21:59.370-07:00</updated><title type='text'>Casa cheia de saudades</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mote:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;Alguma coisa grita e pede socorro e ao mesmo tempo quer ficar porque esta é uma casa toda feita de saudades e no corpo das paredes um perfume todo pleno, tão vazio que se chora sua perdição no tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Glosa:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia ela chegou em casa e percebeu que seu filho rondava novamente pelos vazios irrecuperáveis daqueles corredores. Poderia sentir sua presença a quilômetros de distância, a saudade nunca lhe deixou mentir e aquele era o momento mais lindo de sua vida. Ele estava ali, perto do pianinho que talvez fosse tocar um dia, agora somente as percepções de súbita presença, seu corpo munido apenas de solidão e pó, seus ossos estalando por dentro da moldura dos móveis antigos, o tempo desacompanhando os olhos de uma mulher cheia de medo e alegria. Estava ali, alguma coisa parada diante daquele piano tão novo, sem uso, e tão pequeno. Aquela era casa cheia de saudades e foi muito de repente que naquela madrugada ela tremeu, e o filho mais velho, mais solto, vivo de tudo percorrendo aquelas fotografias também pela memória; ah, o filho mais velho percebeu também a desenvoltura do acaso e surgiu como um sublime, pássaro apressado diante da porta de seu quarto. Os dois se olhando e as palavras nenhumas, apenas o silêncio de saber uma presença toda densa pelo vento. O perfume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só Deus sabe que ali, naqueles corredores, naqueles cômodos soturnos ninguém jamais ousara um certo cheiro depois que ele se foi, tão novo, enquanto o dia estava chovendo e a noite choveu, também. E nunca choveu tanto neste mundo porque nunca se viu uma mãe tão triste em sua condição e nunca uma criança se foi tão de repente, tão de súbito, tão sem música e tristeza, sem saber. Aquela era uma casa repleta de lembranças, passos pelo chão, marcas nas paredes, mas o perfume sumiu. Até que aquela noite estava ali, todo de novo; e nunca mais esqueceriam novamente um perfume tão vivo concentrado no piano. Ela levantou da cama, do seu medo, com seu corpo todo trêmulo e abraçou seu filho vivo. Eles dois ali parados, eles três, porque a presença era forte no sentido. E assim, como se fosse de repente amanhecer, conseguiram vislumbrar uma presença ainda mais forte: o piano começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E soava muito baixo, muito firme aquelas notas de outros tempos, sem tristeza. O mais velho ajoelhou, suas lágrimas correndo, e sentou-se ao pé do som. Logo logo ela também, e ficaram os três no chão. E a música corria como dentro do perfume e o aroma desta cena ia por dentro dos ouvidos que sangraram tão divinos, tão milagres de tal força. Ela toda tão serena percorrendo pela casa e podia-se sentir que aquilo era uma luz, ou que ao menos sem aviso tudo se iluminava. Aquela era uma presença em que não se poderia acreditar, mas eram os dois, eram os três, e entre si se confirmavam. Estava acontecendo. Estavam os três naquela casa, juntos novamente. E depois que aquelas notas todas juntas silenciaram houve um grande fio de voz, mas sem som, este vazio. Houve um grande fio de voz como dentro de seus corpos, como um frio pelo ventre, um enorme arrepio que deixou tudo mais simples. Ele estava ali pra sempre, era feito de presença. E aonde houvesse infância, seria bom que se soubesse, ele era a tal criança!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-856497953333385275?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/856497953333385275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=856497953333385275&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/856497953333385275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/856497953333385275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/06/casa-cheia-de-saudades.html' title='Casa cheia de saudades'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-6745354290945016757</id><published>2009-05-24T12:47:00.000-07:00</published><updated>2009-05-24T12:48:33.960-07:00</updated><title type='text'>Musa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Se o maior gozo da vida está na morte em seus leões todos de vento todos fartos sobre o creme das estrelas, se é o tempo em que todos os caminhos serão meus e todas as manhãs recuperei diante de Deus as minhas formas de saber e fui seguindo descontente, este é o dia. E mais um dia de recuperar a antiga forma e o vulto farto das canções que um dia fiz em outra festa para ti, musa, senhora plena de todas as formas em que repousa meu ser desordenado e caótico, minha língua de pura natureza que te forma novamente. Tu, minha criadora inseparada. Tu, bendita, semente ativa e solta neste mundo pelas ondas do meu corpo, rego a tua palavra e lança nos meus olhos teu fermento de alvoradas. As maiores proporções e o sinal de teus silêncios, tão maiores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quando, se tudo o que me atira é desalinho e medo? Mas nada de seguir-te como vão os outros seres, nada de saber-te como sabem os outros marcos. Não, nada de ti como seria nesta vida. Outra, muito longe, não se sabe a direção. Dentro do ciclone como fossem por teus pés vejo a luz do mar sereno refletindo nos teus olhos cor de nuvem e direção. Nada de seguir-te e inventar seu corpo em voz. Dentro dos meus planos como duas aves soltas vejo jóias em suspenso. Duas noites, seus cabelos. Duas barcas, meu destino. Sigo no teu rumo, musa, como um farto desalinho de correr sem mais lugares entre as sombras destas carnes, destes mais profundos ciscos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-6745354290945016757?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/6745354290945016757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=6745354290945016757&amp;isPopup=true' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6745354290945016757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6745354290945016757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/05/musa.html' title='Musa'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-6117690145915504759</id><published>2009-05-17T10:59:00.000-07:00</published><updated>2009-05-17T11:00:02.905-07:00</updated><title type='text'>Poema escrito por dentro do sono</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Naquele lugar os braços do amor. Como é possível ser isto que eu sou sem nem conhecer-me? E todas as coisas, tudo guardado em segredos confiados aos homens terrenos, e nada se abre, e nada se estende em nome da vida, da morte, das coisas sensíveis. Os dois inimigos estão se perdendo por dentro da casa, os olhos sangrando sugando seus corpos, seus ombros pesados com medo do mundo. Chopin lhes contou que é preciso correr, que a noite é imensa por dentro do ódio, que a lâmpada queima. Os dois inimigos parece que voam na rua das cores. Terríveis azuis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem percorre seu curso de sempre. Dentro do silêncio ele depositou um sonho esquecido que vou lhes dizer: é preciso perdoar as pessoas que engolem moedas, pois elas se transformam no chocalho da própria existência inútil e sem poesia. Aquele homem havia engolido quinze moedas. Quinze moedas perdidas no corpo demente. Fazia barulho e pesava, mas um dia poderá dizer que levou desta vida suas quinze moedas. O homem acorda. É bom que esqueceu! E este poema é cheio de sono, meu Deus! e cheio de paredes frias sem ouvidos, sem matéria, paredes feitas de vozes profundas e um rio gelado sem condições. Quem levaria consigo este corpo na hora do adeus? Quem vai embora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia ela volta e o rosto que eu amo volta consigo. Um dia ela queima e um dia ela some. Por dentro da moça eu faço um alegro e então ela flor de uma hora pra outra, e então ela vinho, e então ela chuva, e então ela acorda e rouba-me um beijo. E vamos cantando e abrimos um abismo embaixo do mundo. E vamos caindo o vôo sem nome. Um dia ela volta e eu fico contente. E eu fico feliz. Um dia ela volta e eu pinto seu corpo, mas como é difícil pintar um sorriso. Um dia eu termino e o quadro se esquiva. Um dia ela morre e agora, ai de mim, Monalisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez a estrela mais triste. Ela era tão linda que eu quase chorei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-6117690145915504759?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/6117690145915504759/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=6117690145915504759&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6117690145915504759'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6117690145915504759'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/05/poema-escrito-por-dentro-do-sono.html' title='Poema escrito por dentro do sono'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-8130476856743017244</id><published>2009-05-02T14:21:00.000-07:00</published><updated>2009-05-02T14:23:25.868-07:00</updated><title type='text'>Cecília (ou Poema Chorando)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;E este coração batendo não sabe, mas tenho outros corações batendo por dentro deste que eu conheço. Preciso confessar meus pecados, minha pequena ira de gente que erra e se odeia, e se duvida e pede a Deus e aos deuses todos e todos os dias que me abençoe e permita que sempre meus olhos estejam claros para os mistérios profundos desta vida e deste mundo aleijado. Permita que eu saiba que tenho uma filha que não sei se terei, e chamará Cecília, e será uma pessoa alegre e turva em seu enigma de mulher que há de me ensinar os tempos de envelhecer. E eu que não sei se irá nascer esta menina, que há de parecer com a mãe que não sei se será minha, que não sei se serei dela por mais que a ame acima de mim, acima de quase tudo pois existem memórias que também fazem chorar; e eu que não me conheço e condeno meus caminhos de todos os passos confusos, porque assim é a natureza humana do indivíduo e sabe-se lá se à esquerda ou pelo destro é que se chega onde se é. Ah, este é que sou eu ainda não aprendeu o que é a vida e o amor pode sofrer as amarguras do naufrágio sem que se perceba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cecília, vai! Vai e chama tua mãe mesmo que tua voz seja ainda uma vontade sem noção de tempo ou de espaço. Vai que teu pai ainda não se conformou com esta família e pede chorando que você construa uma torre de infinita espera até que o espírito obedeça à profunda ordem da tua criação.Que rosto terá o perfume de tua mãe que não sei se já perdi, ou se a terei um dia? Que solução poderá descobrir dentro de mim a eterna fonte, o soluço mais grave, se nada está correto e todos os dias são dias de morrer um pouco mais na seiva desta horta tão sublime? Eu preciso de teu rosto, Cecília. Que tua imagem abençoe o meu pensamento como um beijo delicado de filha sumindo por dentro do espelho desesperado contendo apenas minha sombra vazia. Mas que prece contém a missa em honra de ti? Não sei, Cecília; vai e chama tua mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que estou me desdobrando na veia absurda deste choro impossível de sangrar, neste abismo sereno e cru da minha consciência farta. Não mais as palavras como um muro cercando os planos de tua existência. Agora você está livre, Cecília. Mas, por favor, em nome de tudo o que é mais sagrado nesta vida, não suma, não deixe que meus pés absorvam a certeza amarga de tua fuga, não deixe que tua mãe te leve para longe, tão longe assim de mim e deste lugar onde você ainda não existe, mas será porque é possível. Não feche os teus olhos tão doces que ainda não conhecem cor, não deixe desviarem deste caos sobre os meus ombros. Não morra, Cecília. Não morra nos meus braços, nas pontas dos meus dedos. Não morra porque a morte de uma filha pode ser longe demais pro meu serviço aqui na terra e a missão se tornará muito difícil sem você. Não vá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes, chama a tua mãe, senta-te no colo indeciso desta mulher e beija-lhe os lábios macios com ternura, com o carinho de toda filha mais velha e quem sabe outras virão depois, tão vivas e tão fortes, mas cada qual em seu tempo. Antes de morrer, Cecília, espera a morte de teu pai, cuida essa velhice meiga que tua mãe te ofertará depois como um serviço missionário e, quando ela também quiser fechar os olhos, chora por nós dois, e diga aos filhos que tiveres do poema em que teu pai te chora como coisa viva e sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-8130476856743017244?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/8130476856743017244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=8130476856743017244&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8130476856743017244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8130476856743017244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/05/cecilia-ou-poema-chorando.html' title='Cecília (ou Poema Chorando)'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-7300923204191146247</id><published>2009-04-20T15:13:00.000-07:00</published><updated>2009-04-20T15:14:25.294-07:00</updated><title type='text'>A resposta existe?</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Há em todo sorriso o desespero secreto de uma casa. Casa de tão profunda e marcante melancolia que poderia se chamar de alegre, feliz melancolia contente em sua tristeza pueril de cacos de vidros dançando pelos olhos escuros da moça suicida. Porque isto é a minha música secreta de morrer, dos instintos transvirados em sombras e marcas de mãos pelo teu corpo. Esta mão que você pode sentir está abrindo um espaço e um tempo de tranças na audição total do teu mundo criado a partir do leite tranqüilo do meu coração. Há em todo sorriso esta ferida que adivinho por dentro dos teus braços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Secreto limbo dos seres que peregrinam atrás da linha concreta, qual o verdadeiro caminho do amor? Flecha de intensa velocidade marcada por todos os frios abertos no meio dos ares, qual o verdadeiro caminho? Tu que não sabes a dor de teu alvo nem sequer sabe a pena e o corte direto na carne. Esta é a nota mais grave deste corpo, como a velha senhora que morreu demais quando mataram seu cachorro, ela que alimentava os cães de rua, que tratava as feridas e comprava carne de segunda e misturava com os restos ainda frescos na panela para alimentar os outros cães. Quem teria a impossível maldade de ferir este coração? Mas a flecha é indiferente e eu sei que você pode sentir a dor desta crueza. Ninguém poderá nunca adiantar sem poesia a primeira lágrima da consciência quando esta senhora abriu a porta que dá para o seu quintal e viu seu cachorro principal morto, a boca meio aberta, o vômito, o sufoco destilado naquele sinal de luta que é engulho e contorção, e a medida em que foi se aproximando, a consciência buscando um recanto de contração e angústia, a consciência teimosa mentindo para si mesma, que não havia morte naquele lugar, e que sempre seria o seu cão quando abrisse a porta que dá para o quintal. A língua roxa, alguém será que pode, alguém por favor se sacrifique em nome desta mulher, é urgente! Antes que a flecha alcance o alvo, é preciso urgentemente que alguém se mate em nome do cachorro desta senhora que é a pura bondade. Alguém, por favor, que eu não tenho coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a nota mais grave deste corpo, que o tempo passando por dentro das coisas mata até as mães, e as mães não se poderiam contentar em ver seus filhos morrendo, mas daí veio a cigana, ou a advinha comum –que desta parte dos detalhes não tive tempo de invenção– e disse que ela, uma outra dona que não a do cachorro, que isto sim é que seria por demais os sofrimentos máximos, disse que ela veria morrer o seu caçula e ela teve por isso tantos filhos quanto pode, para que nunca morresse o último. Ela queria não ter acreditado por depois de tanto tempo vir morrer exatamente de complicações no parto, mas no último instante a consciência feliz gritando baixinho em seu ouvido: “Nós conseguimos, mulher! O caçula não morreu; você não viu nada. Eis a liberdade!” e foram todos feridos daquela vida fértil que, para si mesma, não teve de nada nem o perigoso perfume dos gestos próprios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É enorme a distância entre a vida e a matéria viva e dentro do corpo está o homem esperando eternamente por acontecer. A semente nunca pode congelar dentro do tempo e eu te digo: ainda não sei qual é a experiência que persigo; ainda não compreendo o limite intocado, a comunhão e a gravidade harmônica desta música nascendo por debaixo dos meus pés, mas eu quero a liberdade total, o instante de maior leveza onde o pássaro percebe que pode voar e que é solto para todos os lados dentro do invisível. Aquele espaço enorme prende o pássaro ou o liberta? Vou te contar o meu maior segredo: A resposta existe? Eu sou o pássaro da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-7300923204191146247?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/7300923204191146247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=7300923204191146247&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7300923204191146247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7300923204191146247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/04/resposta-existe.html' title='A resposta existe?'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-3102504390965039415</id><published>2009-04-05T17:59:00.000-07:00</published><updated>2009-04-05T18:00:37.775-07:00</updated><title type='text'>Palavra Líquida</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Seu rosto era um copo de leite tranqüilo, deitado sobre o enigma furtivo e desconcertante dos choros, das dores, das velas encarnadas dentro do peito de todos os presentes. Quando meu avô morreu senti que perdia, por um momento, todos os momentos, todos os dias interiores da minha vida e que ficava apenas uma espessa superfície banal de restos colados, um adesivo sem sentido por cima das narinas, a respiração fraca de uma folha solta chafurdando no ar como uma liberdade contínua em desespero total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque todas as pessoas seriam pálidas e em todas havia a divindade dinâmica da vida. Cada homem, cada criança e todas as mulheres, todos os seres possíveis e existentes eram essa massa viva, e percebi por um instante que o universo estava incorporando meu pensamento. Eu, que sempre sofri por cada mecha de cabelo cortado, estava agora sofrendo o desespero que escurece, o desespero insensato de descobrir e de descobrir que quando se descobre tudo se torna impossível e sem explicação, porque está claro, porque a nossa alma é um sítio de fogo e desertos, porque o meu avô morreu e alguém retirou, por conta disso, um pano que cobria a minha felicidade de ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém deveria compor uma sonata, ressuscitar os grandes mestres por um momento para soarem o vazio deste silêncio particular em que estou mergulhada, para que todo o murmúrio secreto do meu espírito gritando se transformasse em chuva e liberdade, como um beija-flor voando ao contrário porque é mais livre que todas as aves, porque ele sabe que as suas asas são um terremoto sereno de glórias profundas. Alguém – e este seria o grande momento do vulcão – alguém deveria tocar o meu rosto enquanto chovesse porque o amor experimentado tem o peso de todos os homens sobre a face da terra e tudo o que tenho é ainda uma memória seca de viagens e lugares inexistentes, de pessoas sem tato e lições de morte comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero o arrebatamento completo, a perplexidade das repercussões refletindo as ondas por dentro dos vitrais de um templo novo. Meu corpo deslocando os corações concretos numa missa toda misturada e toda pura, a palavra inaugural reinventando o mundo pela poesia e pela dor, um parto cheio de alegria e choro, a voz, a única voz sensível entrando pelos meus ouvidos e ascendendo ao nível de corpo pelas sombras. Tudo um novo labirinto porque a consciência da morte é um pulso latejante e firme como a veia que arrebenta e pinta tudo de vermelho, porque o sangue é vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi. E nessa experiência todas as pessoas em volta comovidas pela morte, todos intranqüilos e surdos enquanto a natureza abria seu vestido de terra e flores sobre a minha cabeça. Eu recebo a unção, minha Senhora. Eu recebo a unção e abro os olhos para receber o teu beijo de licor e vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-3102504390965039415?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/3102504390965039415/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=3102504390965039415&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3102504390965039415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3102504390965039415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/04/palavra-liquida.html' title='Palavra Líquida'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-5609236724132306433</id><published>2009-03-27T23:53:00.000-07:00</published><updated>2009-03-27T23:54:22.743-07:00</updated><title type='text'>Testemunho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;À experiência nenhuma, ao fato perdido antes da realidade sensível do tempo, aos mortos compondo seus rostos de nuvens e fumaça, quero dedicar a minha vida. Quero morrer, eu também, antes que aconteça, antes da marca, do coro medonho das vozes insanas do mundo. Que seja a minha vida só esta presença constante e sem nome, o prego fincado na parede, a sombra e o vento que ninguém percebe e que ninguém perceba quando eu toque em seus olhos. Que ninguém me veja, desejo de solidão e força, que ninguém me escute, música desesperada, que a vida se encaminhe sem mim como a paixão mortal dos que se queimam. Este desejo viril, sem máculas e destituído de mágoas, o desejo mais intenso, maior, maior que todas as pérolas, todos os contatos, todas as formas que se possam imaginar, encontra este homem, a moça, o velho ou quem quer que seja – que o que digo é só o desejo se dizendo – encontra a nossa consciência triste e cresce como um grito, e explode por dentro de nossos corpos vermelhos e pinta de vermelho a nossa concretude. Vamos! Escorrega por dentro destes corredores uma massa vazia de matéria impura, desliza e cai por cima de todas as carnes, tudo é vermelho e quente dentro de tuas veias. Esta é a tua realidade. Antes a menor porção do que um silvo profundo, o vazio tamanho do universo entre cada estrela, corpos celestes, a velocidade maior e leve e não esta presença molhada de sangue, e não esta ferida coberta de peles e dores.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Acordar. A realidade é maior que a nossa vida ou é tudo esta ilusão que vou criando? Desejos de criança com medo da morte. Acordar. O sonho que se encontra é músculo e suor. A criança desce os corredores imensos e não pode perceber que brinca, não vê que o movimento é divertido e único, frágil e inocente diante da consumação ferina. Por dentro de seus pés uma asa sorri, pede que se vá de encontro aos países profundos da poesia e da milésima repetição dos contos. Vê que a repartição dos sonhos merecidos está agora no centro de mundos aquecidos pela fantasia e pelo medo. Quem desnuda esta vida? O que acontece para que tudo se perca no labirinto inventado das idades e a cavalaria se desmonte diante de nossos olhos? Desejo mortal de pensamento e ruínas, divisão e carpintaria inútil destes objetos magros de doenças. Quem irrompe da criança o monstro que navega pelos ares como um demônio medindo a terra é que compõe este desejo de nada. Quem acusa aquilo que se perde? Ilusão tardia no meio da noite, penetra dentro dos quatro cantos da nossa memória e cultiva de silêncios sombrios feitos de fantasmas a nossa ingenuidade. Onde o paladar? Onde os sentidos agora? E o mundo se desdobra por dentro dos números que vamos aprender e amar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O homem caminha sozinho no meio da rua. Um neurônio pretende morrer e lança por cima do cérebro uma corda gigantesca, enorme, maior que a arca de Noé. O homem caminha sozinho e percebe que o pescoço está cercado pela corda. Não há desespero e nem consciência daquela percepção. O neurônio se mata e no fundo do coração há uma festa de amores e ternuras maiores que a saudade e o ódio repudia a frustração da paz, desacredita em Deus e tudo deve padecer irreversível. O homem caminha sozinho e do fundo dos seus olhos salta uma memória vazia e fundamental, um cheiro, perfume da primeira casa em que viveu, primeira vida, primeira rua de menino e as primeiras pessoas. Um dia a rua encheu e todos foram ver o motivo do barulho: a primeira vez que viu um morto descoberto, com sangue, olhos abertos e coração palpitando o perdão dos últimos pecados. Realmente acontecia! É possível morrer! Realmente acontece! Todos foram conversar sobre o morto quando este fora recolhido. Todos lamentavam a morte do desconhecido como se estivessem tentando pedir ao responsável pela vida que não morressem eles daquele jeito, no meio da rua. À noite, brincaram de todas as brincadeiras, mas foi estranho porque todos usavam de cautela e foi difícil atravessar correndo a rua que dava para as marcas de sangue. Enquanto não passou uma semana e a poeira cobriu completamente a última lembrança daquela nódoa, todos corriam perigo de morte. Poderia morrer atropelado e viver como um homem sem face no mundo dos mortos. Ele andava sozinho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Na rua cruzada pelos vazios da moça de olhos azuis havia um encontro de felicidades únicas que ela nunca poderia imaginar. Foi recebendo a mensagem do tempo com todos os erros, e nós, que poderíamos fazer se ela nunca aceitou ninguém? Era geral a comoção e a angústia e todos os dias a visitávamos, e trouxemos presentes, e fizemos das canções de amor um hino somente à sua tristeza porque ela tinha os olhos azuis e a lembrança de todas as fraquezas. De tempos em tempos esquecíamos que éramos todos apaixonados, mas o silêncio daqueles olhos eram uma sereia de nosso convívio e novamente nos reuníamos e lançávamos flores e jóias, e pedíamos que sua voz nos acalmasse não de nada, mas de sua própria dor e prejuízo porque aquela era uma que nunca houve igual quem se perdesse mais com tanto afinco em si mesma. Não acreditamos nunca que houvesse pessoa mais triste como aquela a quem nunca ninguém pousou o tato e seus olhos eram duas pedras de rubi sangrando o azul celeste por cima de nossas cabeças.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O desejo de morte. Quem anunciaria tamanha incoerência? As mãos entrelaçadas serão o fio completo da vida e do que não se vê. Percebe agora, que nunca mais verão aquele homem, aquela criança, a mulher e os personagens mudos deste conto; que nunca nenhuma linha se fará por intermédio de coisas acontecidas, mas todas por dentro da teia sensível do que nunca se mostra e que ninguém jamais ousou dizer. Só eu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-5609236724132306433?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/5609236724132306433/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=5609236724132306433&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5609236724132306433'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5609236724132306433'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/03/testemunho.html' title='Testemunho'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-5643555985090091023</id><published>2009-03-16T20:19:00.000-07:00</published><updated>2009-03-16T20:21:33.111-07:00</updated><title type='text'>Eu</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;De quantas mortes eu preciso pra compor uma poesia? De quantos dedos ou palavras, que sempre acabo me perdendo no meio do caminho e nunca sei se aquilo que fica é desejo ou inspiração? Não sei mais quantos limites é preciso ultrapassar porque deixei de acreditar que os limites realmente existem e fica só uma sombra angustiada de dúvida e calor caminhando por dentro dos meus passos. Sei o que sei e tudo aquilo em que acredito desfaz-se no esquecimento rápido de um segundo. De um milésimo de centésimo de segundo que não suporta sequer a idéia de existir e vai andando, correndo por dentro de si mesmo como um cosmos paralisado por dentro dos corpos reunidos em farpas e arames, reagindo a todas as horas inacabadas e todos os segredos e todas as filas de gente que não sabem nem onde, nem quando, nem por que, mas há um instante locomovendo suas linhas mortas, seus perigos, suas imagens intranqüilas de pó e serração como um desenho que nunca se acaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca me preocupei com a inteligência porque a vulgaridade do pensamento é capaz de transpor o minúsculo e isso é o que me interessa. De onde menos se espera, tudo se cala, e a falta de voz, a lâmpada apagada, o brilho nos olhos mortíferos de um cachorro que passeia por dentro dos ossos que devora é que faz do ser humano a potência máxima, a única infinita luz capaz de perceber a miséria e o abismo, e ir. Quem nunca se atirou no impermeável é inútil diante da poesia e da música, do que sobra sem reclames e voa por cima de montanhas cheias de nada, de cumes adversos e raízes tranqüilas de não. Eu sou a peça que falta e o labirinto cheio das águas mais diversas que jamais conhecereis iguais. Eu sou a neve que joga por cima do teu semblante vazio a estupidez que dá sentido à vida e aos animais, a Deus e aos fiéis incompetentes de suas vantagens invisíveis, às máquinas, ao nada. Eu sou aquele que proclama à vida sem que a defina numa forma frágil e corrigida, e parto por cima, por baixo, por todas as laterais inconscientes e indefesas a glória de saber-me vivo, morto, permanente e fugidio dentro de cada estação e rumor, dentro de cada tempo e memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você, que me escuta e me conhece, que não sabe quem vos fala e sente a terrível sensação do medo, do esquecimento e da fria corrupção dos seus órgãos, escutai. Vós, que de toda mínima faísca de incompreensão e sangue, de vermelho e cores e sons, de tudo que te é impossível encerrar num teorema ou numa súmula perfeita e que te faz tremer a toda e qualquer situação de perda, foge. Vai, que o longe é o mínimo que espero de ti. Vai, que a vida que procuro nestas linhas que ofereço é cão, ardor, ferrugem e fogo. Vai, que o que terás de mim é pura seca e maldição. Vai, que o que fica de mim te é mudo e surdo, porque nem terás a mensagem que espera e tampouco te darei ouvidos por covarde acostumado que tu és. Eu – digo de todo a santidade claríssima e repugnante do meu coração – sou aquele que dói, sou aquele que percebe na maldade o gosto de humano, de suor, de libido e corpo maltratante, de semente e árvore, de nó, coisa que pára e se pergunta quem é o próximo, sem ter certeza que virá alguém, algum espírito acordado, penumbra no meio da noite a refazer o equilíbrio que deixei sentado nos meus ombros. Eu – digo sem que me pereça vício ou condição – sou aquele que ama. Pelo amor mais justo que amei, pelo amor mais simples que sonhei no meio do dia, banhado pela claridade imensa e juvenil, sou aquele que morre. Sou quem te diga que o que vinha até aqui constante agora pára, dá com seus botões num outro esquema e volta, e se dirige ao próximo, e contesta, e discorda, e todas as possibilidades se confundem porque nada se acaba, porque tudo se ama e explode por dentro das cinzas que gritam. Eu sou o ar que bate na cara. Respira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-5643555985090091023?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/5643555985090091023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=5643555985090091023&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5643555985090091023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5643555985090091023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/03/eu.html' title='Eu'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-905299762743428897</id><published>2009-03-09T13:17:00.000-07:00</published><updated>2009-03-09T13:29:47.661-07:00</updated><title type='text'>Da Epopéia dos Mortos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"E ali chegamos e percebemos que o nome mais puro, porém, ainda era escrito por letras e palavras, e percebemos sua força e o sagrado por dentro de suas entranhas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da Epopéia dos Mortos&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;***&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;Houve um lugar, não se sabe onde nem em que tempo, um homem houve por lá e que sonhava apenas com seus mortos. Não sabemos o seu nome, nem as circunstâncias de seu espírito, mas aproximemos um pouco a memória, cantemos em sussurros a sua presença e eis que surge uma centelha, uma nódoa, um plasma disforme se configura no final de nossos olhos e, repentinamente, a mão de tudo o vai formando. Do meio da matéria ínfima a delimitação de uma pequena forma. Aproximemos ainda mais, que essa figura é de tudo complexa e havemos de encarná-la. A voz com que rogamos, a força em que detemos nessa unidade o cosmos que desenha faz um homem. Sim, um homem de princípio muito novo, mas esta é uma gestação tardia e logo sua criança se desnuda, os cabelos grisalham, a coluna verte à frente e temos sua conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este homem, sua família trata-o por sonâmbulo, distúrbios do sono, doenças desconhecidas, psicológicas. Ele, entretanto, desdenha dos cuidados e soma as experiências: – Estar acordado é meia parte da realidade inteira, a outra eu vivo dormindo. Mas quem pode compreender o sonho que não sonha, a dor que não nos dói é uma ilusão de tristeza sem sentido. Este sabe o que bem lhe importa, aquele o que lhe convém, Fulano morre de tremores e medos, Sicrano de amores impossíveis, Beltrano cospe à cara de quem lhe parece o estar ofendendo, às vezes um olhar desatento e vem a discussão, a briga, a foice. Este homem sonha e considera a realidade acima de tudo. Sua mãe estava na cama, por cima de seu leito haviam globos de água concentrando goteiras e ela reclamava que fosse concertar as coisas. Por debaixo da pia formava-se um abismo, negrume de vários lamaçais e os garotos responsáveis por destruir a caixa d’água brincavam, pulavam, faziam o impossível severo por cima da laje. Não vos confundais, que isto não é surrealismo, impressionismo ou o que quer que seja. Este homem tem um sonho real e concreto, e não uma forma de dizer o que seria um sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu amigo, depois dos golpes na garganta, sentiu que era forte o suficiente para trazer o facão de cozinha e foram os dois atrás dos arruaceiros. Um boi grande, farto de gorduras vinha atrás correndo, apresentando perigos, e sua irmã, a mais velha, ainda desiludida de todos os amores, apenas um amor multiplicado por todas as possibilidades de vivência em sua vida, trazia um véu de noiva e uma tesoura. Ela ia recortando os pedaços, rasgões por dentro das grinaldas e uma fartura única de melancolia. O homem vendo por dentro de todos os espaços as lembranças perpétuas, as dores que nunca chorou, e sentiu que ainda alguma coisa gritava recolhendo suas realizações, os seres passageiros voltando, sua irmã e sua mãe, seu melhor amigo de infância e juventude... não preciso mais chorar. A vida se completa mais das coisas que se vão, a vida se apresenta mais nas vozes que se calam. A morte, esta vida em silêncio, é algo que somente por dentro de mim encontra os seus limites e tendo chegado até os mais profundos abismos, quem diz o que é a realidade tem o sangue desenvolto entre as sombras que formei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto se passou entre o momento que dilui a última esperança do sonho e o momento em que se abrem os olhos, a escuta ainda indecisa, persistente de que toda a existência é presença e amor, e tudo o que se dói, também. Meu corpo conhece a luz que foi, esta consciência sem razão de que tudo se constrói, tudo o que vive e morre está em mim como uma flor que nasce, como uma pedra que repousa segura de sua dureza, prestes a perceber que do lado de dentro de si é exatamente como fora. Sim, tudo o que vive e morre está secreto em tudo, em cada um, deve ser assim que se percebe o que se diz verdade e assim é que entramos nela e ela em nós. Não, tudo, antes de sentirmos, já era uma só coisa, vivida como um sonho em que só surge gente morta pra contar o que, na vida, é absurdo e pulsação. O homem se levanta, olhos abertos, paredes erguidas, o ar. Respirar, tudo dentro de um só movimento pede passagem a outro movimento. Ele surge da janela como um deus esquecido e a rua, cheia de toda a possibilidade de caminhos, morre por dentro de um sonho que apaga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-905299762743428897?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/905299762743428897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=905299762743428897&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/905299762743428897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/905299762743428897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/03/da-epopeia-dos-mortos.html' title='Da Epopéia dos Mortos'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-4158011284587097089</id><published>2009-03-04T13:56:00.000-08:00</published><updated>2009-03-04T14:01:25.570-08:00</updated><title type='text'>Sucuri</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Há que se contentar, Sucuri desenha só a si mesmo. Seu perfil, em caneta, não há quem se disponha a dizer o contrário, é muito igual. Pede-se bastante, mas os dedos tortos, a idade, o álcool, sabe-se lá o que, mas é impedimento o suficiente e resta apenas a disposição unívoca de tratar apenas de seu próprio rosto. Pega-se uma lasca de papel, entrega-se a Sucuri, e logo temos o seu rosto desenhado sempre na mesma pose, um retrato perdido no tempo como um coágulo vazio esquecido de seu sangue. Pega-se da vida, de uma vida inteira, e cola-se apenas um perfil escangalhando, recém apodrecido de marcas enormes. Isso é o que sabe de si este homem. E o que faz com este rosto apenas, que nem conhece o vazio que encerra? Não, não há vazio nenhum encerrado, mas aberto de todos os lados, por onde quer que passe, no sorriso e no choro, porque Sucuri é dos que choram por coisa nenhuma, emocionado com músicas de prole vulgar, a poesia feita de coisa nenhuma, versos sem noção, desinibidos da realidade. Um homem interessante, este.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Existem certas frases, algumas banais, outras de inteligência única que não esquecemos, mas somente as que germinam de poesia nós incorporamos. Muito se diz, de várias formas se pode dizer que a pobreza, a nossa situação e dificuldade em viver é algo que realmente afoga, sufoca, mata, destrói, mas Sucuri diz, e confirmo: “sentir o gosto amargo da natureza”. A mão abaixa, pega de um capim de beira de calçada, leva à boca. E aquele perfil estampado à tinta no papel responde com a sua gravidade triste, estática, de um morto que abre os olhos e percebe que não vê. Acho que é por isso, receber de si a menção de apenas conferir o que não sabe, nunca saberá. Desenhar um só desenho, o único formato, saber de cor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A história desse homem é feita de coisa nenhuma. Não há que se dizer, que se contar. Não se pode distrair senão as plantas, os coros de seres inapropriados à vida humana com as largas experiências desse pobre. A largura, o amplo aborrecimento das ruas, das casas, dos homens, não podem mover uma palha perto de seu bico seco. As palavras não saem. Sucuri é feito todo de interjeições, de minuscularidades, sopros inanimados, intangíveis, inconclusos, coisas feitas só de afeto e separação como os milagres que desprendem a realidade de si mesma e repousam dentro do cotidiano infalível da força acumulando vida e morte num só tino. E um desenho que gira, pisa-se em cima e sobe. Um defunto no papel, seus olhos tristes, cegos. O papel flutua um segredo: Sucuri sabe voar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-4158011284587097089?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/4158011284587097089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=4158011284587097089&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4158011284587097089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4158011284587097089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/03/sucuri.html' title='Sucuri'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-7842138438840909374</id><published>2009-02-25T22:17:00.001-08:00</published><updated>2009-02-25T22:18:10.305-08:00</updated><title type='text'>Memória</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Preciso da música perfeita. A música que faça o meu sentido em som, em cores, letras. Preciso da memória dos meus antepassados remoendo em minhas carnes o poder de suas vidas, seu passado, meu futuro e pensamento. Há que se encontrar em meus retratos a tesoura, o giz, o quadro suspenso por dentro do espaço em que tudo acontece ao mesmo tempo. A unidade pede passagem e se exalta passageira. Isso que te digo preciso esquecer, buscar o novo símbolo de mim, da minha culpa de existir, porque toda a significação se perde no contato dos meus dedos e dizer o que eu te digo se desfaz em brisa fina.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Brasa. Há que se queimar no instante em que me afeto o teu líquido imperfeito, gelo derretendo séculos atrás. Por dentro dos teus mares a onda mais seleta, o leito mais sadio dos nobres que já fui. Quem desta placenta não sabe o que gerou, não vê o que virá? Mas vai, que a vida é mais imensa que todos os amores, que todos os meus filhos e meus netos e toda a minha prole desintegra por meus olhos. Não sei o que dizer, não bebo desta água tão profunda que nem seca, que nem sede construiu. Hoje estou doente de um amor que nunca morre, de um saber que nunca fui, mas tanto me acrescenta e tanto que me foge. Vem, morte subindo pelas paredes, o verde imortal formando pérolas de jaz. Vem, sangue de milhares, de outras cores que possuo, e rega impaciência a existência que transmito. Trânsito jorrando nas veias, nos vermes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sopro. Esta é a vida que desenho. Quantos e quantos são os quadros que possuo por fazer. Quantas e quantas naturezas me virão. Eu o puro, macio diante das cores incompletas no meu sonho, não sei que realidade construir. Tijolo por tijolo, cada célula um preço e minhas doenças de viver. Cada nome um silêncio, abismo de possibilidades e paixões que reencontro e desconheço. Mestre de venturas e sossego, minha memória se enxerga, meu corpo em si sorri. Eu dono simples, abro os braços invisíveis, abandono de algo vão. Seta de presenças mais terríveis, mais tranqüilas, que não sabem de onde vem, que persegue os que virão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-7842138438840909374?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/7842138438840909374/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=7842138438840909374&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7842138438840909374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7842138438840909374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/02/memoria.html' title='Memória'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-2399022679502495675</id><published>2009-02-20T05:08:00.001-08:00</published><updated>2009-02-20T05:10:26.720-08:00</updated><title type='text'>Ensaio de um ensaio poético em que termina onde devia começar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;A verdade absoluta está aí em todo lugar. É comum de nossa época dizer que ela não existe, mas, geralmente, esta afirmativa se baseia em equívocos, tais como pensar que a verdade absoluta se pode compreender em determinada experiência particular que ateste, em sua grandeza, a incomparável amplitude daquela. Isso é muito comum no caso daqueles que se dizem sensitivos, sobretudo nos religiosos que, seja por ignorância ou pelo caráter abismado daqueles que os rodeiam, seja por mera pretensão, são considerados “iluminados” ou “abençoados” etc. Um outro equívoco muito comum, e este é o que mais coopera para o esquecimento da questão que é a verdade, é aquela idéia já muito cultivada de que somente pelo método científico de se compreender a realidade das coisas é que se pode, partindo do paradigma que o próprio cientificismo criou, chegar a um entendimento do que seja a verdade simplesmente pela explicação de causa e efeito dos fenômenos da natureza e pela observação telescópica do universo físico. Assim, a ciência retira da verdade o seu caráter absoluto e torna-a compreensível somente através daqueles fragmentos que ela conseguiu encadear em conceitos explicativos. Ora, é muito comum que se considere, sem que faça muita objeção, uma afirmativa que fora antes comprovada cientificamente, mas isso é que não está certo, pois devido a este fato é que se torna possível a formação de um mundo composto por homens esquizofrênicos; homens que se configuram tão fragmentados quanto a verdade que aceitam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Havemos de compreender que muito dessa incompreensão e desleixo para com a procura da verdade absoluta consiste nela se manifestar tanto no que é, como também no que não é, de forma que a verdade, em tudo aquilo que desde ela se vai nos mostrando no acontecer das coisas em si mesmas, sempre oculta algo que também é próprio dessa verdade e é exatamente o compreender em si o que se apresenta simultaneamente com aquilo que se esconde é que torna a verdade absoluta por excelência. Esta característica torna difícil a compreensão da verdade exatamente pelo fato de que nossa forma de compreender o mundo é, desde a primeira infância, encaminhada pelo viés do pensamento lógico estruturado e medido pela razão técnica e paradigmática. De forma que, sendo impossível esquematizar e estudar analiticamente o que não se mostra, fica realmente difícil experienciar a aprendizagem a que se pode chegar quando procuramos, através do sentimento do corpo (que é a nossa máxima integração com o absoluto), concrescer com a verdade sempre indefinível. Daí que se apresenta a questão que pergunta de que forma o homem pode, a partir de suas dúvidas e incertezas, dizer qualquer coisa referente à verdade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ora, o discurso científico se escreve a partir do intelecto, da observação metódica aplicada aos ditames da razão subjetiva que impõe e determina matematicamente a realidade visível que se generaliza num determinado conceito, gerando o objeto abstrato a partir do que era concreto e singular. Assim é que se pode chamar a todas as árvores de árvores desconsiderando tudo aquilo que, entre elas, é diferença e singularidade. Um outro discurso é aquele que se tece com o intuito não de se alcançar o entendimento de algo como uma finalidade pressuposta, mas sim com o anseio de perpassar uma experiência sensível cujos sentidos não se podem compreender, visto que saltam diretamente daquele lado oculto que a verdade comporta. Este segundo discurso é o poético.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-2399022679502495675?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/2399022679502495675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=2399022679502495675&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/2399022679502495675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/2399022679502495675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/02/ensaio-de-um-ensaio-em-que-termina-onde.html' title='Ensaio de um ensaio poético em que termina onde devia começar'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-8494207908952870292</id><published>2009-02-16T17:54:00.000-08:00</published><updated>2009-02-16T17:57:51.923-08:00</updated><title type='text'>Pleno!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Há uma coisa no amor que os homens não podem entender. Algo grande, enorme, feito de coisas que beiram o tamanho de Deus, das coisas impossíveis e gratuitas que retiram o lugar de onde estamos e cria um tempo para sua própria contemplação dentro do corpo. Sim, alguma coisa enxerga somente no amor, e nada mais, como somente em Chopin encontrei a noite perfeita, como somente pela vida se pode viver, e não em idéias e teorias, e não se valendo daquela hipocrisia antiga tatuada nos mais belos discursos produzidos por esta humanidade vazia. E esta noite, uma cadeira cheia de memórias e livros, um homem inteiro pensando em morrer pelos mais diversos pecados que alguém já pode cometer. Vontade de matar, de fumar os seus cigarros e que durem até a eternidade incontínua dos seus olhos fechados. Mil retratos no escuro, todas as mulheres de sua vida e do amor apenas uma falsa recordação de poesia que escreveu, versos frescos, palavras escritas na pedra com a força de um gigante sem pudor. Quem o amaria o amor que ele deseja?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma coisa na vida que nem sempre se apresenta, que nem sempre se percebe. Muitas coisas, um milhão, mas este homem sentado vai morrer amanhã e o que mais? Todos os dias de sua vida endurecidos como o cristal por dentro dos seus olhos, a paixão adormecida em todos os cômodos da sala, a grande noite. Ah, sempre a noite enorme por dentro do casaco, em cima dos móveis, nos gestos mais simples. E o desejo inacabado de uma vida que esfumaça num ponto de caos pode levantar de alguma coisa a consciência de que vai. Amanhã eu morro e o que fiz? Nem sei se o que pensei me vale a vida que eu não tive, nem sei se valeria me sentir realizado e agora o mistério total. Mas sempre algo disso se apresenta, sempre a morte nos espreita ou então que é isso de viver, senão uma mosca, um inseto em nosso quarto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conta dos feitos, o cheiro da casa, e o homem de repente se levanta. Encontra um novo corredor à sua espera, um novo cheiro, um novo tempo, talvez, de repensar a vida e aproveitar o máximo possível. O gosto do cheiro da casa agora um cheiro de gosto da terra, tudo parece crescer em suas mãos, em seus pés, como raízes que compõem a máxima beleza, o máximo sabor da vida em outros planos. A esfera sensível dos seus olhos e as luzes, a memória reascendendo a vida no máximo brilho, o corpo aberto, a alma em tudo e em todo canto o seu poder de concentrar-se limpa, linda como o amor que desejou por todo o tempo. Que alegria! O desconhecido finalmente, a surpresa total e a leveza dos sentidos. Quem diria, espírito sereno, amor da minha vida em meus sentidos de procura. Quem diria, dor de corpo, que prazer de vento frio respirando em minhas narinas. Só um passo e a luz me empossa; só um toque. Ele vai: se sente pleno!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-8494207908952870292?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/8494207908952870292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=8494207908952870292&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8494207908952870292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8494207908952870292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/02/pleno.html' title='Pleno!'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-7163670593814046126</id><published>2009-02-15T13:32:00.000-08:00</published><updated>2009-02-15T13:34:03.347-08:00</updated><title type='text'>Aurora II</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Quando Lúcio nasceu houve um profundo silêncio de mortes e luzes. Raramente se chove quando uma criança nasce e não chora. Lúcio não chorou. E choveu. Choveu a maior tempestade de Julho, de todos os invernos, de todas as regiões do mundo e em todas as pessoas. Principalmente Aurora, que frutificava seu primeiro raio de presença, e olhava com tamanha imprecisão aquele gosto de gente que lhe vinha de dentro. É o meu corpo, sangue do meu sangue, carne de mim, do meu ser. Lúcio incompreendido não chorava e não houve quem ousasse dizer que estava mal. Era um brilho, cortou os pulsos de todos que olhavam e nasceu, por si só, para si mesmo, e Aurora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi logo assim que ao completar os sete anos teve por entendimento o que se passava em cabeça de Constança: estava possuído pelo demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Certamente esse menino é avariado por causa do pai que nunca viu, e você não deve se fazer de boba, que já é demais o ser por natureza. Escuta que isso é grave o que eu lhe digo: leva esse menino o mais depressa à catequese, que precisa. Já faz mais de duas semanas que anda às voltas com esse livro. Você parece que não vê, Aurora, são desenhos esquisitos, pessoas tristes. Isso não é coisa que se mostre pra criança. Nem isso e nem essas músicas que você escuta. Vai escurecer ainda mais o pensamento do garoto. Chopin, Beethoven, Klint... Só falta agora dar a foto do diabo pra ele, que aí ele percebe o que é que anda pela casa. O mundo está cheio dessas coisas, elas andam escondidas, se escondem nisso de Arte pra ganhar prestígio de gente inteligente e fazer o desvario geral. Se ainda não bastasse a pobreza e o dinheiro, mas é muita esperteza o que o demônio tem. Você devia prestar mais atenção aos sinais. Nunca te faltou educação espiritual, sempre foi reta. E agora o menino desse tipo?! É certo que é o germe ruim do pai. Deve até ser que um dia ele pega e some por aí, também, de invisível influência. Eu entendo dessas coisas. Já vi muito mais que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento de Aurora sorria. Pensava que devia às vezes dizer alguma coisa, cessar aquele dito de uma vez por todas, que minha paciência não se pode machucar de tanto jeito ao mesmo tempo. Mas não se ofende a quem se ama. Sua mãe estava já entrando em idade que não adianta discordância, nem desprezo, nem chorar, nem nada. Era uma pessoa certa e que detinha experiência de vida. Oxalá tivesse consciência de que a experiência de vida que se tem só vale a nós e se baseia somente na verdade que nos foi apresentada. Mas e a minha verdade, que não conheço ainda nada da vida? Desde que Ulisses foi embora, antes que ele aparecesse e viesse Lúcio, que havia de verdade na vida que eu pudesse dizer que me serviu de experiência? O que é que disso tudo fica guardado, além da verdade da memória, que só faz possível quando vem e está presente? Aurora desdobrava todas as falas de sua mãe com um sorriso de quem compreendia tudo o que era dito, mas não aceitava meia palavra de toda aquela fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lúcio, tendo ouvido tudo o que foi dito a seu respeito, decidiu que seria o dia em que o Diabo finalmente entraria dentro do seu corpo. Aprendera na escola um truque muito eficiente para que lograsse o que queria. Entrou na sala de cabeça baixa, os movimentos cambaleantes mal-fingidos, como quem espera que o percebam, derrubando jarros, esbarrando em móveis e, de repente, teve certeza de que o viam. Era a hora! Levantou a cabeça e procurou os olhos de Constança que encontraram logo os seus. As pálpebras levantadas apresentavam sua pele interna, o aspecto medonho, muito comum aos de idade pouca, era a confirmação: estava realmente possuído pelo demônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obviamente que Constança e tampouco Aurora sequer chegaram a desconfiar de algo estranho quanto ao aspecto físico com que o garoto se apresentara, mas agora Constança tinha certeza que, se não fosse o demônio, alguma coisa rondava aquela casa, fazendo núcleo de força no garoto, núcleo ruim, uma força que se impede até que seja liberta, até que ninguém o esteja notando de perto e, de repente, ataca. Aurora sabia que sinceramente Lúcio não gostava da avó. Mas não fez força nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-7163670593814046126?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/7163670593814046126/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=7163670593814046126&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7163670593814046126'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7163670593814046126'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/02/aurora-ii.html' title='Aurora II'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-5604421879403080919</id><published>2009-02-09T14:00:00.000-08:00</published><updated>2009-02-09T14:02:21.929-08:00</updated><title type='text'>Aurora</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Ulisses não se poderia distrair ao contato de seu nome. Uma sombra, aquele nome. E remoendo nas trevas, as mesmas de seu rosto, um desdém sem direção fazendo caminhos na parte insensível do peito. Não haveria retorno ou chão. Confuso, sua vista apreciava o corpo quente como um líquido escorrido de seu próprio leito, endurecido na cama. Ela estava morta e nunca mais abrir os olhos. Ulisses acostumou a vista naqueles seios e viu que o rosa se movia com freqüência e arrepio. Lindo o corpo. O movimento saltitando feito um silêncio vazio. A mulher estava ali, mas seu rosto celebrado era apenas um discurso. Aparência oca de percepção. Ele não se arrependia. Disse a ela que fosse embora, mas a voz não chegou a sair; ouvia seu nome com prazer e egoísmo. Ulisses. Ulisses. Tecia seu nome com todas as letras e depois faziam amor. Amor? Ulisses... Ulisses, Ulisses. Ulisses e sussurros. Ela sempre comprazia seu desejo e sua fúria com o rosto adormecido. Queria ser vista por todos os lados. Todos os corpos do amado repartido em um na sua cama. Em todos o rosto dele. Sua a cama dele e somente ali a sua casa guardando o corpo e os fluidos. Eles teriam uma criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Você devia parar de sumir. Pela criança, você devia aparecer mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ulisses repercutiu aquele som e nenhum movimento de voz conseguiria ressoar em sua garganta. Era um nódulo. Seu corpo não podia exprimir uma gota de suor como resposta, mas olhava a moça com toda a paciência e desprezo. Nenhum sinal de barriga, talvez não houvesse ali um corpo crescendo. Os olhos nunca deixavam o sossego chegar. O quarto moribundo... Não, ele conseguia distinguir com clareza. A casa morta já pela manhã, o rosto com que ela ignorava sua ausência. Era mais difícil perceber que ignorar, ou não ligava? Como ela consegue engolir o meu tédio, esse ranço todo embutido na carne, nos olhos, no rosto? Passada a hora do banho ele saiu. Ela ficou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aurora reconsumiu a solidão que despertara seu nome nos olhos fechados. Aquela sensação toda verde, nublada dos pensamentos que lhe serviam o nexo descomposto e a certeza estranha de que amava um homem seco, uma folha estalando debaixo dos seus pés incapaz de produzir sequer a cinza inorgânica das pedras. Aquela imagem dura de um homem cujos olhos cerceavam tanto a existência como a sombra esquecida de uma estrela que explode. Um ninho de sobras o amor que sentia e o café deixando um ar cotidiano já chamava a sua atenção. Levantou-se e a incerteza consigo entristeceu um pouco mais o conflito que se armava em torno a sua cabeça. Trazia um corpo consigo duvidando da semente. É uma dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-5604421879403080919?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/5604421879403080919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=5604421879403080919&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5604421879403080919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5604421879403080919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/02/aurora.html' title='Aurora'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-6805117088783936059</id><published>2009-02-05T20:42:00.001-08:00</published><updated>2009-02-05T20:42:42.618-08:00</updated><title type='text'>Tragédia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Difícil matar uma pessoa. Os olhos cobram, sempre irão cobrar, trazer sua memória encurtada de visco, como um lodo que jamais nos deixa, nós a pedra, o corpo enrijecido, banhado de todas as mágoas, de todos os gritos de desespero, o ódio passando pelas unhas, uma fina dor de dentro dos ouvidos, no fundo do peito, a carne toda tremendo e a carne toda parada. Lembro-me da impressão estranha, a primeira pena, ingênua, não poder tirar o corpo do filhote de dentro da caixa, os insetos roendo sua figura. Foi há muito tempo. Sentado numa praça, pensando em nada, havia um antigo pastor, de boa fé, o qual sempre me teve em boa conta, e um cheiro muito estranho. Devia ser a mesa, pois melada. Devia, mas não era, e havia ali perto uma pequena caixa de papelão. Devia ser peixe, as moscas enganavam. Devia, mas não era. E quando me levantei estava despreparado, o corpo atento apenas às moscas. Uma luta para que não me tocassem. E me aproximei, a caixa aberta em minha frente; e vi. Um filhote, o cachorro do tamanho de um antebraço, a boca aberta, o cheiro forte e os bichos. A festa dos insetos, parasitas de um talvez espírito, uma alma calada diante das possibilidades. E o rosto no caixão, a minha única dor, a maior, a terrível. O rosto de meu pai, como uma flecha dentro da minha garganta, sangrando, sangrando e sangrando nos meus olhos. E agora matar? Não se deve pensar, o sentimento sem vez, somente a razão esquecida em si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podia ver o corpo, um jeito de pessoa que deixaria de existir, mover-se nunca mais, abrir-se nunca mais a se ajeitar de novo, respirar, suor, nunca mais dormir e acordar, a última vez de ver o mundo seria à minha frente, olhando a sua morte no meu rosto até movê-la toda só em si. Mas eu não morreria? Todos já não morrem algum dia? Podemos esperar: eu a que ele morra, ele a própria morte. Mas não, há um preço, e eu sou o credor, nem de honra, nem de ouro, mas a voz que diz o fato diz um preço a se pagar. Vai ser hoje. E todas as vozes no escuro esperam por mim, a noite no quarto, a louca memória mudando os fatos. Também vou morrer, um dia eu pago. E ele vagava de um lado pro outro como se esperasse, talvez soubesse. Ah, seu cão, monstro, dragão, cobra, veneno, eu vou matar. E vai ser agora. Por cima de tudo restando apenas uma sombra vaga de infelicidade para sempre – mas que é isso de sempre? Qual o tempo que dura, se não há tempo, não há nada, só a morte por cima de tudo, por trás de tudo, por dentro de tudo? – restando apenas o corpo sem restrições, lançado ao grande caos da perplexidade última e primeira, ao foco de luz, todas as estações fechadas sob o risco de abrir-se totalmente, mais nenhuma palavra, restando apenas o corpo. Não pode fugir, difícil matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-6805117088783936059?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/6805117088783936059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=6805117088783936059&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6805117088783936059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6805117088783936059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/02/tragedia.html' title='Tragédia'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-7358998796132026193</id><published>2009-02-02T11:32:00.000-08:00</published><updated>2009-02-02T11:34:12.164-08:00</updated><title type='text'>Pingo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Uma gota de felicidade. Aquele momento era uma gota de felicidade e isso era o bastante para que tomasse um banho de vida. Ficara surpresa porque não foi preciso acontecer nada para que sentisse aquela serenidade vinda de sabe-se lá onde, o gosto de olhar para as coisas surgindo delícias terrenas, secretas, imensas. Seu corpo estava agora mergulhado no mistério da alegria gratuita, seus olhos deviam brilhar. Ah, se pudesse ver seus próprios olhos! E então tentava, fitava o reflexo tardio, muito fraco o cristal resplandecendo do fundo dos óculos e fazia alguma força para perceber-se natural, embora quisesse chorar mais do que tudo. Aquele arrepio corria por dentro de seu espírito e voltava soprando por todos os caminhos; cada poro uma seiva noturna buscando seu brilho perpétuo de sombras; os pelos muito ralos, a pele muito viva, muito branca. Todos os santos vieram dizer-lhe ao ouvido que ela havia se transformado num copo de leite e ela então sorriu porque realmente se sentia derramada na boca de todos os homens, todas as fibras enrijecendo nos seios. A beleza estava liberta de tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sem cadeias. Sim: brilhar ao máximo a flor disparando seus tempos de sol. Sim: tarde vazia, nenhum vento, nenhum bicho, nenhuma casa; apenas a sensação de sua própria solidão correndo alegre e transformando a realidade possível em música. Ela seria uma deusa e novamente haveria o batismo dos seres. Eu, a toda poderosa, a única maravilha corrente, o ser transcendental, a única divindade acesa e pairando por cima das ondas, meu ventre rastejando sem maldições por cima da areia. Sentir o gosto da terra, sugar-lhe de tudo a aurora do meu próprio conhecimento. Ah, isto é saber de mim. E seu rosto vermelho, a disparada burlesca do sangue – quase podia sentir-se o barulho. Era um mar, meu Deus. Era um mar. Nenhum acontecimento e tudo aquilo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não, alguma coisa em si comemorava. Alguma coisa percebia que agora estava enfim realizando sua morada. Mas o quê? Ao redor, nada conhecia, ninguém, coisa nenhuma. O que, então? A fruta de repente aberta, a carne vermelha acumulando em vida seus vestígios noturnos, morenos. Suas mãos buscavam alguma coisa pelo vento, a água vazia dos tempos remotos latejando nas pernas, uma excitação contínua e cega procurava lugar. E de repente percebeu. Sem rodeios, sem mais flores ou imagens, os símbolos desmascarados e a alegria total no fundo do abismo. E deu-se a partida numa disparada inabalável. Ninguém a proibiria de correr até cansar; até morrer. Se ela quisesse, morreria. Dali só poderia transformar-se num planeta. Estava pronta! Sentir-se. Meu corpo por dentro de mim, por fora de mim. A presença disso que eu sou finalmente no plano do meu coração, sem conflitos com tudo o que eu penso. Isso sou eu, e estou morrendo. Que lindo viver, meu Deus! Que lindo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-7358998796132026193?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/7358998796132026193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=7358998796132026193&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7358998796132026193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7358998796132026193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/02/pingo.html' title='Pingo'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-5129567178029221517</id><published>2009-01-30T18:34:00.000-08:00</published><updated>2011-06-06T16:49:24.844-07:00</updated><title type='text'>Vitória do Filho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;– Mas e se de repente o mundo virasse azul, o que aconteceria?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Bem, o nosso planeta já é azul!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– É? E o mundo e o nosso planeta é a mesma coisa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Tem gente que não duvida disso. Há quem diga que a terra é uma coisa e o mundo é outra. Certas coisas nem as pessoas grandes sabem responder com certeza.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Mas se você me disser que é a mesma coisa, então está certo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Pode estar e pode não estar. Mundo e terra, por exemplo, são duas palavras diferentes. Nós não usamos a mesma palavra para dizer a mesma coisa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Então cada palavra é uma coisa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– É. A palavra fala o que é uma coisa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Se só tivesse uma palavra, era só uma coisa então que tinha?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Não, se só tivesse uma palavra é que o homem ainda não teria inventado outras palavras para as outras coisas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– E qual foi a primeira palavra do mundo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Eu não sei. Acho que ninguém sabe responder essa pergunta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Porque senão ele ia saber qual é a primeira coisa do mundo, né?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– É. Eu acho que é por isso, sim. Mas por que é que você me pergunta tanto?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Porque eu não sei das coisas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– E você acha que eu sei?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Mais do que eu. Você já é grande, já viu um monte de coisas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Mas existem coisas que não vemos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– E como se inventa a palavra da coisa que não vemos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Acho que é através do que sentimos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Então quando a gente sente alguma coisa é uma palavra?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Não sei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Eu bem estou sentindo uma palavra agora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Ah é? E que palavra você está sentindo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Não sei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Mas então como sabe que está sentindo uma palavra?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Porque estou sentindo uma coisa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– E que coisa está sentindo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Não sei. É uma coisa sem nome.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– E como sabe que está sentindo uma coisa, se a coisa não tem nome e nem pode ser dita por uma palavra?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Porque estou sentindo. Vou inventar uma palavra. E aí vai ser o nome do que eu sinto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Isso... Está pensando?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Sim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– É muito difícil dar nome ao que sente?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– É. Não sei se estou sentindo azul ou verde.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– E você está sentindo uma cor?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Não.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Então como está em dúvida entre azul e verde?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Porque quero pintar o que estou sentindo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Mas azul e verde são coisas que já existem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– E eu não posso inventar o que já existe?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Não. Se a coisa já existe ela já existe, não pode inventar mais.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– E como eu existo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Como?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– É. Não existia criança antes de mim?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Sim. Sempre existiu criança no mundo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Mas se uma coisa inventada não pode ser inventada...?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Não, meu bem, cada criança é uma criança.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Então o meu azul é o meu azul e o meu verde é só meu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– É. Tem razão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Viu? Eu sei inventar melhor que você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-5129567178029221517?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/5129567178029221517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=5129567178029221517&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5129567178029221517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5129567178029221517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/01/vitoria-do-filho.html' title='Vitória do Filho'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-106112047792489105</id><published>2009-01-28T18:30:00.001-08:00</published><updated>2009-01-28T18:33:27.458-08:00</updated><title type='text'>Meditação (conclusão)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Mas não sou eu também um homem inteligente? Também eu não me utilizo das fórmulas e nomes e das conquistas humanas? Também eu não estou, com todo este discurso, diminuindo o Real em aplicá-lo a meu desespero leve de pessoa notando? Sim. Sim. E sim. Mas eu assumo e tomei posse dessa inteligência somente na minha doação integral de mim às coisas que me digo utilizar e assim, pertencendo mais ao mundo que me serve de experiência no meu engano e ciência, eu procuro ser completo e ignorante diante do que habito. Mas sem aquela posição de superioridade e menos ainda aquela de desprezo a quem alguns se acomodam somente para sofrer seus falsos galardões com mais tristeza. E se disse que tenho olhado com mais desprezo as pessoas, é outro assunto e que tem que ver comigo, não com o que sou e com a minha existência enorme e excedente. Não me proponho mais às divisões. Eu procuro a inteligência pela qual me integre à felicidade de ser todo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E em ser todo, não sendo, acho que foi uma tendência ao fracasso; alguma coisa que se empossou de mim em tudo o que eu fiz na minha antiga busca por conhecimento é que deve ter feito com que eu viesse a me dar completamente às coisas que, sei de antemão, nunca entenderei. Por que então esta procura se meu próprio abandono já se pesa e mede diante de mim como se eu morresse só de procurar? Mesmo a morte, essa dor sublime de retorno, dói somente a quem ainda vive e mesmo assim consome a gota de essência que nos sobra. Ser humano é passível de haver fé, mas haver o inevitável comprova a existência não de Deus, mas do homem enquanto coisa e o homem enquanto coisa está sem limites porque não pensa. É. E sendo simplesmente se lhe arranca alguma coisa e dessa perda, ganha a incrível atribuição do desumano porque somente aí é que estende no varal da finitude preocupante sua gala de tormento. O homem, antes de existir, não conhecia e era feliz por isso e sem vergonha. Sua ética e moral eram a própria reunião de sua nobreza e lhe bastava um par pra que perdesse todo o senso umbilical sem egoísmos. Houve o par e o homem não conteve seus espaços.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dizer do homem, pra mim, é doloroso porque assopra estranhamente a experiência que não tenho. O que estou fazendo aqui só te finge que descubro dessas coisas uma forma de pensar que assegure a maneira como eu vou levar a vida pro adiante. Mas não. Eu continuo perdido e mais agora do que quando comecei porque me abri e não obtive a mínima resposta que não a eloqüência da minha própria dúvida que se desdobra. Desse desdobramento vai aí muito límpida a turva capacidade de neblina que eu alcanço pela forma: esta forma que é neblina e luz ao mesmo tempo e que redunda e tanto mais repete mais descobre. O círculo da minha linguagem é um alvo impossível colado no cerne da minha composição ignorante e somente tentando acertá-lo é que posso me aproximar cada vez mais dele. A mira de que estou me utilizando não me serve, não presta pra nada. Aliás, só pro nada serve. É inútil. E é isto!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-106112047792489105?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/106112047792489105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=106112047792489105&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/106112047792489105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/106112047792489105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/01/meditacao-conclusao.html' title='Meditação (conclusão)'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-8849399534007364613</id><published>2009-01-26T14:12:00.001-08:00</published><updated>2009-01-26T14:13:39.129-08:00</updated><title type='text'>Meditação (terceira parte)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;E esta vida eternizada, para que a eternizo se não me resta nada e nenhuma ocupação mesmo agora? Os homens da massa não me entenderiam eu acho, a não ser que me viessem um por um escutar o meu apelo em defesa do nada a que estamos frequentemente nos submetendo dia após dia sem percepção ou gesto de reverência. Mas se me entendessem, de que valeria, se entendimento também tem a força somente do raciocínio e ainda está por demais conjugado à subjetividade expressiva das afirmações e certezas, o que nada tem que ver com a Verdade? Também, de que me adianta o entendimento dos homens se me proponho, nesse egoísmo triste e vazio, mas cheio de mim, a somente dizer as coisas sem acrescentar a isso um objetivo ou finalidade? O que tenho é uma voz que fala pelo que eu sou e desde que seja permitido por aquilo que me possibilita dizer tudo pelo fio desse silêncio que excede latejante e que mais parece um empurrão dos meus sentidos ferinos e inofensivos. Desta voz eu sofro a riqueza da expressão que será nula, talvez, mas não pretendo estar sozinho sempre dentro das palavras e frases que tenho formado. Alguém mais precisa assumir essa culpa enorme e essa capacidade porque se me esforço por dizer a mensagem de todo este silêncio, alguém, um dia, quem sabe, a de se esforçar por auscultar a tudo o que tenho dito. E talvez inaugure a partir daí suas percepções e dores como eu as inaugurei – do nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi somente o nada o que me possibilitou a dor e a pureza de sentir e, ademais, o impulso negligente para conseguir, no despudor, salientar toda a minha depressão e afeto pelo desconhecido que sou e em que existo. Alguma coisa antes do nada que me houvesse dado a primeira satisfação ontológica não seria necessária? Não. Não quero problematizar o nada. Que ele seja supremo em suas plumas de possível aprendizagem porque funciona muito bem no homem e naquilo a que a vida e os olhos humanos aspiram descontentes e estúpidos. Porque é natural que o homem seja estúpido e descontente. Daí que ele se negue sempre nestas permanências severas, já que o fácil tornou-se uma ambição tão forte e impertinente que acabou lhe tolhendo a própria medida da grandeza. E pra tudo basta um nome ou uma fórmula guardando sua experiência total e fascínio e maravilhoso e poesia. O homem inteligente descobriu a pequenez que não devia. Ou melhor, não descobriu; ele a criou deliberadamente como forma a se explicar melhor e definir o insolúvel natural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-8849399534007364613?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/8849399534007364613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=8849399534007364613&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8849399534007364613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8849399534007364613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/01/meditao-terceira-parte.html' title='Meditação (terceira parte)'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-168875913534215652</id><published>2009-01-24T11:04:00.001-08:00</published><updated>2009-01-25T19:11:26.460-08:00</updated><title type='text'>Meditação (segunda parte)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Não sei o que fazer do orgulho a que este método me impele porque não tomo por superior em nada o existir à minha maneira. Estou perdido e gasto na minha condição de homem e ir ao fundo dessa condição é a única coisa que tenho podido fazer. Meu rosto, se diz aquilo que sinto, é um rosto confuso e meu corpo expressa mal porque me desengonço facilmente. Mas este meu corpo que digo ainda não é o Corpo a que pertenço como a razão maior da minha identidade e dos prazeres a que me disponho na entrega. Esta entrega de mim é o que deve haver de menos entendido porque não sei a quem ou a que me entrego e este Corpo maior, coberto pela própria essência, também só é possível enquanto houver sobre ele uma camada muito grossa de ignorância. Esta entrega deve ser mantida como um segredo que, em se esquecendo de contar, resta sempre numa percepção de que algo está manifestando sua presença em nós e na terra simultaneamente. É como quando o homem se percebe de barro que eu faço as minhas descobertas e gozo minha pequena sabedoria. Que mais posso eu fazer?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que mais posso eu fazer se no desprezo ainda não consigo ser cruel e me orgulho francamente de ter um caminho e, antes, de saber que tenho um caminho mesmo que isso não me venha a engrandecer? Mas engrandece. Deve ser grande saber que não é possível ser maior nem menor ou pelo menos há de ser louvável a percepção de que poucos são tomados e que consiste na sensibilidade não trazer ninguém à luz das coisas realmente fundamentais e sim, como que para nossa surpresa, nos leva de encontro ao que pensamos ser já domínio de nossa ciência, filosofia e sabedoria – em nossa razão de feno – como coisa ainda sob um véu de sombra que fala desde o silêncio que sobra em nossa vã captação do real e das realidades. Esta é a sensibilidade verdadeira que me tem posto as coisas todas do avesso tomando como ponto de partida as lições que aprendi com os homens de bem e com a história da humanidade. Mas ainda sou frágil e, sobretudo, sou curioso de uma forma que a própria curiosidade às vezes não me deixa enxergar bem o que anseio compreender porque me toma de súbito uma cegueira presa mais à euforia de sentir que ao próprio vigor do sentimento que me aguça o tato. Acho que é bastante aceitável ser frágil carregando a sensibilidade real. O homem é bastante aceitável por isso e seus olhos carregam ainda a sombra de existir sob o título da nobreza que sua raça lhe impôs. Aliás, não a sua raça, mas a sua razão. Estou soando como um alerta aos próximos, mas a voz com que falo e a expressão de me utilizo ainda não os alcança porque, de tudo o que faço de importante, o primordial está naquilo que é inútil e disso não posso me privar ou aproveitar, nem tampouco desesperar e desistir porque, em tentar fazer algo do inútil, é comum que a conseqüência seja este fracasso e frustração. Mesmo assim resta esse traço de grandeza impresso no silêncio carregado dos meus olhos. É disso que eu posso viver mais e daí é que hei de acabar inventando minha vida não eterna, mas eternizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-168875913534215652?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/168875913534215652/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=168875913534215652&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/168875913534215652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/168875913534215652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/01/meditao-segunda-parte.html' title='Meditação (segunda parte)'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-4731289145070188480</id><published>2009-01-20T08:07:00.000-08:00</published><updated>2009-01-20T08:11:23.902-08:00</updated><title type='text'>Meditação (primeira parte)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Minha observação lançou um juízo que ficou maior que a coisa observada e isto se tornou um saber para baixo. Tenho olhado as pessoas com mais desprezo, ultimamente, e, às pessoas que amo, tenho olhado com ainda mais amor. Alguma ordem se instaurou em mim e desde então a intensidade com que se me formam os sentimentos está por demais exacerbada. Não que isso me pareça ser um esforço inconsciente por me integrar com mais afinco ao próximo e com isso determinar uma nova aproximação com o mundo porque ainda sou covarde demais para que consiga essa aproximação e, mesmo que estivesse fazendo de forma irracional, alguma sabedoria estaria dando conta de me confortar diante do novo que seria o sentir melhor por sentir mais. Mas seria mesmo melhor? Alguma coisa de mais não estaria somando um esforço que exigisse uma competência maior de existir e, com isso, a fadiga de ser? Se nem tudo o que vejo por aí alcança na luz em que se põe aquela gota fundamental de existência e nisso me comovo e invejo, acho que sofro de uma covardia ainda maior que a de simplesmente não conter a minha aproximação com o desconhecido de sempre e mundano. Acho que minha covardia, não sendo somente a ironia de a qualquer custo ter de viver e estar incluído no tempo e no espaço, forja também uma inexplicável busca que vai além da minha origem. Como se a procura por mim fosse também um desejo imenso de ser outra gente menos complexa ou, melhor, ser apenas. E o peso da consciência está me atirando para muito longe do que eu sou e estou entrando em parafuso porque somente sou o que sou por intermédio da minha consciência. Onde está o ponto de falha que deu origem a todas essas coisas abstratas em que me encontro tão perdido? Aonde eu poderia me escorar tranquilamente sem que o peso dessa consciência não se pusesse tão forte nem tão demente a ponto de me diminuir tanto enquanto eu vou crescendo dentro da minha confusão? Eu não sei. Eu não sei e é somente por isso que eu pareço estar sendo tão impulsionado a continuar e me parece também que é este o caminho que devo seguir porque neste caminho importa bem mais a caminhada, e o fim, sendo somente um ponto de repouso, não me há de caber a mim que estou sempre nos limites do movimento buscando, neste movimento, uma outra maneira de ser pleno que não me apresente um final porque isto sim seria diminuir-me muito e não estou preparado para tão pouco também.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Preciso não olhar para trás e perder essa mania de apego e comoção. Não pela idéia de fraqueza a que isso possa remeter, mas sinto muito e tenho sentido cada vez mais que me apego e comovo sozinho por mim mesmo como se o amor, de repente, não me fosse bastar e, continuando assim, logo precisarei de uma nova maneira de ir vivendo a paixão cotidiana que tenho pelas coisas e pessoas. E essa paixão cotidiana, por ser cotidiana, não é a mesma sempre somente pelo nome de que me utilizo pra falar dela. Preciso cada vez mais perder o medo que tenho de assumir certas impurezas porque meu coração, de tanto se apertar, talvez exploda um dia e será repentinamente. Mas nem essa idéia de coração como algo sentimental me deixa à vontade com as metáforas. Nem a separação de nada e coisa nenhuma porque – de tão vasto que é – o Universo acaba se permitindo interpretar à maneira vulgar de nossa pobreza imaginante e disso se geram crises cada vez mais estúpidas e cada vez mais incorporadas às condições humanas. Preciso realmente não olhar para trás para que não consiga perceber o que me atrevo a dispensar. Quero naturalmente desconsiderar certas riquezas da lógica para ir seguindo meu fluxo de sabedoria com mais decência e lealdade. O caminho deixado para trás, da forma como venho vindo, precisa ser jogado fora para que não seja uma outra alternativa de caminho pela desistência. Agora que comecei não posso mais parar nem por muito acreditar que estou incerto demais para continuar adiante porque definitivamente não me importa mais a direção. Tudo é caminho: esse é o meu novo método.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-4731289145070188480?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/4731289145070188480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=4731289145070188480&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4731289145070188480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4731289145070188480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/01/meditao-primeira-parte.html' title='Meditação (primeira parte)'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-8036489262809366733</id><published>2009-01-14T20:41:00.000-08:00</published><updated>2009-01-15T20:08:39.680-08:00</updated><title type='text'>Princípio de Novela (ou Termine se Quiser)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Se eu deixasse de medir as palavras. Se as palavras bastassem para expressar toda a minha inaptidão para o amor e para a terrível decomposição da vida, mesmo entre as coisas que ainda sofrem apenas a esperança de nascer. Mas nem mesmo a expressão me bastaria nem nunca nada me basta porque a solidão que me vive sabe de cor todas as cores dessa existência inútil que levamos. Se me bastasse alguma coisa ou eu soubesse de um caminho, mas nada conforta a solidão de existir entre os outros e dessa forma a vida não pode conhecer conforto nem mesmo sequer reduzir o seu peso de anomalia diante da natureza vegetal ou das pedras; diante do conforto orgânico dos animais sem consciência da própria ausente de virtudes, que é a grande e triunfal virtude dos que apenas vivem diferentes de nós. Esse desejo incompreendido de lançar-me sempre para fora da experiência cativante deste mundo corrompido de doenças e costumes me sufoca, e não há palavra que sustente a dor de não lograr sequer dizer o que não sei. Esse vazio de não conseguir alcançar nem mesmo a dúvida que opera o meu cansaço. A tristeza já não me abandona e, em sua paixão por mim, começa a ferir a tudo que me rodeia, tornando-me asqueroso e patético diante da poesia constrangedora do universo infeliz a que nos submetemos enquanto pessoas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Se eu deixasse de matar a fome que sustenta o horror e o tédio da aproximação feroz com o outro, talvez o diálogo não me doesse tanto. Por isso não posso agüentar os olhos dela e a tristeza em que a estou envolvendo por mera covardia e tampouco consigo suportar a culpa de ter-me desenvolvido assim, arisco, desde a idade mais virgem, com tudo o que se movimenta e possa lembrar-me a aspereza repulsiva da vida latejando e doendo em tudo aquilo que se encolhe como um inseto pisado deixando mostrar-se o amarelo sangüíneo e indiferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Se eu deixasse de calcular todas as horas, cada instante suspenso não teria a esperança doente de uma promessa ou o peso inevitável de uma vida. Nunca mais os olhos dela e nunca mais toda a mentira que finca raízes tão profundas na corrupção dos meus sentidos. Não! Nunca mais um Deus. Porque posso ouvir os olhos dela e já não suporto o som grave e frio dessa imagem de fantasma enquanto emudeço todas as minhas vozes e me recolho ao silêncio fatal diante de tudo. Nunca mais, nunca mais! &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Se não existisse uma promessa de amanhã a memória vacilante e algum espasmo de alegria. Se não existisse a procura selvagem por uma nova origem dentro do tempo que circula fingindo novo ser e nova realidade. Se não fosse cada instante de prazer a certeza indubitável do sangue correndo na veia. Se não, eu juro, nunca mais!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;P.S.: O título é verdade, quem quiser que termine a novelinha porque eu acho que não consigo. Travei aí onde parei!&lt;br /&gt;P.S.2: Nica já deu a sua contribuição... faça o favor, tome vergonha na cara e deixe cá também a sua!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-8036489262809366733?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/8036489262809366733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=8036489262809366733&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8036489262809366733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8036489262809366733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/01/princpio-de-novela-ou-termine-se-quiser.html' title='Princípio de Novela (ou Termine se Quiser)'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-1335336862883413590</id><published>2009-01-10T11:27:00.000-08:00</published><updated>2009-01-10T11:29:01.907-08:00</updated><title type='text'>Dica</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Apropriar-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os termos;&lt;br /&gt;todas as letras&lt;br /&gt;em todas as línguas;&lt;br /&gt;todos os símbolos,&lt;br /&gt;formas em barro,&lt;br /&gt;nuvens, desenhos;&lt;br /&gt;sombras subindo&lt;br /&gt;por trás das paredes;&lt;br /&gt;todos os sonhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada, porém,&lt;br /&gt;por dentro de mim&lt;br /&gt;encontra passagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e fica rodando&lt;br /&gt;de círculo em círculo&lt;br /&gt;num imenso caminho&lt;br /&gt;imenso sem porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corpo trancado&lt;br /&gt;cercando minha voz,&lt;br /&gt;prendendo,&lt;br /&gt;sangrando,&lt;br /&gt;abrindo meus olhos&lt;br /&gt;num véu indeciso&lt;br /&gt;parece que enterra&lt;br /&gt;sua morte nos vãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida esquentando&lt;br /&gt;por dentro do rosto&lt;br /&gt;parece que expia,&lt;br /&gt;parece que corre&lt;br /&gt;somente em si mesma,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-1335336862883413590?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/1335336862883413590/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=1335336862883413590&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1335336862883413590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1335336862883413590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/01/dica.html' title='Dica'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-4622040693569596460</id><published>2009-01-08T17:35:00.000-08:00</published><updated>2009-01-08T17:44:16.230-08:00</updated><title type='text'>Milagreiro (Dionisíaco - Diálogo primeiro) - conclusão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;De que tamanho era o som daquela resposta, se parece que não existia como nós? Não cabia em mim embora estivesse todo por fora igualmente. Era uma articulação que não sabia cultuar-se vestida. Eu estava nu. Com toda aquela estranha sensação de estar no mundo, também, não poderia ser diferente. Parado. Não poderia pensar nisso como algo corriqueiro jamais, pois agora o lugar onde eu estava, desde então, seria todo preenchido de mim e me extravazaria em seus limites, que era o universo inteiro aquele campo situado no meu corpo. Eu estava nu. O mundo em sua armadura frágil de acúmulos não sustentaria mais o meu peso, a minha incrível leveza distraída e encontrada entre os bichos; entre as pedras e as coisas que se mostram de uma forma diferente. Nunca mais a mecânica inventada, só me importa aquela que ainda não compreendo, mas já sei de cor. Os números temporais desfeitos em pó. Eu cresço a lama orgânica de tudo. Estranha sensação de ser gente e ocupar um lugar no espaço. Tudo ao revés: o espaço me ocupava em qualquer canto. Nenhum número ousaria contar, nem poderia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A medida das coisas havia perdido o prestígio e desequilibrara-se diante da pulsação firme dos meus olhos finalmente normais. A normalidade dos olhos era o primeiro evento daquele antigo tempo em que eu agora me incorporava na tranqüila comunicação original. Aquele antigo tempo do primeiro ano em que estas experiências vão sendo vividas extraordinariamente. Assim somente é que pode ser o tempo porque tudo o que é temporal, antes de fugaz, é concreto e assustadoramente trágico e sem abstrações. Não mais. E a tia olhando pro Deus que ela não via, falando pro Deus que ela não via, receberia aquele vento e aquela chuva. Era o temporal inaugurando aquela sensação de tarde e aquele ano. O primeiro. Nunca antes pensando esta paz eu a deixaria. Nunca sabendo o episódio que a tudo sempre se acompanha eu teria me detido, mas a vida não é uma escolha e recolher-se à morte é a configuração de um túmulo imaginário. A vida, em todas as suas formas, carrega sempre a memória desses olhos perdidos; humanos. Era acontecer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-4622040693569596460?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/4622040693569596460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=4622040693569596460&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4622040693569596460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4622040693569596460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/01/milagreiro-dionisaco-dilogo-primeiro_08.html' title='Milagreiro (Dionisíaco - Diálogo primeiro) - conclusão'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-8641746270532866723</id><published>2009-01-07T07:07:00.000-08:00</published><updated>2009-01-07T07:08:45.188-08:00</updated><title type='text'>Milagreiro (Dionisíaco - Diálogo primeiro) - primeira parte</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Então isso é que era a vida? Mas como, se escapava? Poderia ser que a tarde fosse mais cinza com a chuva, mas era a luz o que eu via. E nos gestos da tia alguma coisa tinha voz e agradecia e pedia o melhor para o ano que entrava. Aquilo que se chama Deus agia em sua boca e eu via a luz em cada gota. Parado. Quando nasci em mim os meus olhos surgiram de dentro como do céu e havia nele um nosso movimento novo que mirava. Estava diante de mim? Poderia ser que a tarde se comprometesse inteiramente de pessoas, mas era tarde pura, também. Eu estava ali e era aquilo que era a presença. Não mais a minha só, mas a presença da vida estava no dinamismo absurdo daqueles braços erguidos e a palavra nunca valeria mais o mesmo com a tarde daquela forma. Era a primeira da minha vida e a memória vai se conservar, eu sei. Sei que mesmo diante daquela conhecida e doce podridão ela se há de conservar inteira em mim e tudo. Agora eu estava lá de corpo inteiro. Então era isso? E continua. Não pára nunca. Sei que nunca mais essa tarde deixa de passar e a podridão da tarde não tem cheiro porque é a própria coisa que se respira antes do aroma. Acho que se meus pés estão molhados a tia molha o rosto. Água na boca. Deus, da forma como se crê, está entrando e não pára nunca, também, como a chuva que acaba. Nuvens na garganta que pede. Estou aqui de corpo inteiro, sim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E sentir aquilo já era uma separação, pois me deixava para trás. Os rostos sabiam cada um aquilo que neles eu poderia descobrir. Os rostos se fechavam e eu poderia crescer sem que ninguém participasse. Mas isso eu não queria e de que forma fazer com que todos entrem no acordo sem que se percam de si como eu de mim? É uma condição muito complicada aliar-se ao sono das pessoas. Meus olhos percebiam diferente o próprio olhar e já se refletia nada. O contato direto coagulou a sujeira invisível das formas. Tudo funcionava. Eu poderia ter a esperança que não tenho, mas passou. Não vou modelar aquilo que não sei porque a vida é maior. Era isso? O ano começou. O primeiro ano começou e tenho certeza de que não acaba nunca e nunca pára e tudo funciona. Alguém vai desdobrar essa chuva como eu, como vós.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sentir-me reconstituir de todo após aquele grande período de espera que desconhecia. Morrer como se fosse a paz derradeira da vida que, em tudo, foi geral e absurda. A vida de um animal esta vida, como um círculo perfeito todo feito de maciço. Sentir-me inteiramente a consciência de que tudo brota a mesma semente; o mesmo germe luzindo a grandeza de todas as passagens como um foco no céu que se estende breve e permanece sempre. A vida. O tempo não teria outra chance. O ano. O primeiro ano começou agora em nós. O tempo na vida. Você percebe em mim. Eu sei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-8641746270532866723?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/8641746270532866723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=8641746270532866723&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8641746270532866723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8641746270532866723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/01/milagreiro-dionisaco-dilogo-primeiro.html' title='Milagreiro (Dionisíaco - Diálogo primeiro) - primeira parte'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-1656094611667948118</id><published>2009-01-02T08:43:00.000-08:00</published><updated>2009-01-03T11:27:48.611-08:00</updated><title type='text'>Ondas</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Talvez não fosse amor, e deveria fugir dali para o mais além de todos os longes, acima de qualquer distância, à profundidade irreversível de todos os mares e à altura secreta da montanha mais branca, o gelo perdendo o tato de seus dedos e os lábios morrendo pelo frio mais justo, o corpo rígido por completo e os olhos sacrificados diante do pólo contraposto ao sangue repentino na corrida conservada pela vida. Estaria dali à uma hora diante da porta fronteira, as coisas abandonadas ao arranjo sereno dos dias sem gosto, os dias com que se mostrara indiferente às dores desesperadas e ao contato insosso daquela intimidade conquistada à força pela empolgação de sumir, cobrir-se de independência e começar finalmente a vida que jamais tiveram, os anseios de terreno aberto, a correria permitida como dois selvagens pelo meio das coisas proibidas, o gosto de tudo na saliva morna e depois os corpos reunidos porque a tudo se permitiriam.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas não. E não passara três meses antes que se percebessem fracos diante daquela vida, também. Afinal, tudo era vida, não importando o arranjo que assumisse. Seria sempre a criança, a que não sabia de onde seria a próxima surpresa e o que faria diante dela. Mas nos últimos dias ele já não a tratava com a mesma doçura e paciência, os olhos estavam esquecidos e agora era certo de que tudo aquilo também estava cercado de tempo e de gelos intensos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Eu acho que nós não podemos durar mais muito tempo. Sinto que estamos acabando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ele ficou perplexo diante das palavras que ele mesmo temia dizer. De repente, o medo de que tudo fosse realmente verdade, as soluções impossíveis perdendo o contorno frágil e já o medo vertical de que tudo se tornasse o silêncio preso dentro das sombras. De novo tudo aquilo e a dor, a dor imensa dos que estão sozinhos e a saudade vazia do corpo que ainda estava ali. Sentia que ela o abandonava. Ele o faria mais tarde, mas aquela resolução mudava tudo. O corpo trêmulo, a carne subitamente fria como um remédio diluído dentro do copo d’água, a essência espalhada pelo bem de outrem. Mais uma vez o sacrifício. Que diria depois que tudo terminasse? E é certo que naquela hora era impossível ser feliz, a recordação dos pontos firmes em que havia mais sorriso do que tudo o que se possa imaginar, os sacrifícios pretendidos e as promessas feitas com toda a sinceridade enraizada na ignorância do que não sabiam. A tristeza vinha de supetão e aos poucos, impossível evitar, compreender, impossível. Ela continuava:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Não sei como pode ter acontecido e o que esfriou nosso corpo, mas é certo que alguma coisa, não sei se o amor, porque sinto que ainda te amo e realmente o amo demais, não sei se o que chamam de paixão porque ainda estou apaixonada por você com todos os sentidos e com todos os meus nervos e forças, mas é certo que alguma coisa está se despedindo de nós. Talvez já esteja há léguas daqui, visitando outros casais, arrastando tudo pelo caminho até encontrar o lago vazio, as águas paradas do mundo onde nunca se realiza nada e todas as coisas se consumam. Não sei o que está acontecendo, meu amor, não quero te perder.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Era difícil distinguir palavra por palavra, o movimento vazio de seu corpo trêmulo, aquele pavor inacessível onde tudo é resignação e fé, desespero e morte, o corpo trêmulo, meu Deus, como dizer palavra que fosse possível ou que realmente exprimisse alguma coisa diante daquela morte imprecisa que vinha caminhando sorridente ao seu encontro? Nada havia o que fazer, ou poderiam tentar recomeçar tudo de novo, a vida é sempre essa novidade que faz dia após dia, de todas as coisas, as boas e as ruins, e um dia em que se morre pode ser seguido de um dia em que se vive, ou então as duas coisas num só dia, ao mesmo tempo. Bastava o espírito anular-se e logo ressurgir num outro cosmos. Mas não estava sozinho, como ressaltar a importância desse cosmos, captar as coisas por dentro do ouvido dela e ressurgi-la em si mesmo para que os ânimos furtassem aquela dor e ressurgissem puros novamente, duas crianças aprendendo tudo de novo, sobre todos os caminhos. O tempo novamente pueril e novamente os olhos serenos e úmidos, a intimidade brotando toda reconquistada. Ah, que desejo de arder, já via em seu rosto corar novamente a saudade e o desespero amuado contornando as distâncias que se haviam lançado dentro deles. Era difícil, mas seriam felizes, sim. De repente, os olhos fixos, tomou a decisão triunfante de uma nova vida e se ergueu inteiro na firmeza dos que morrem tranqüilos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ela o seguiu com seus olhos molhados, as águas correndo, a praia quebrando vendo um homem afogando no mar bravo. Aqueles olhos viram ele se aproximar, os olhos erguidos, de repente, beijou-lhe os lábios, ás lágrimas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Eu sempre te amo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E antes que as palavras surtissem o efeito da escuta, a porta se abriu e fechou, o mar secreto, enfim, levando embora o homem nas ondas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-1656094611667948118?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/1656094611667948118/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=1656094611667948118&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1656094611667948118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1656094611667948118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/01/ondas.html' title='Ondas'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-3633688005578588271</id><published>2009-01-01T04:25:00.000-08:00</published><updated>2009-01-01T04:31:14.488-08:00</updated><title type='text'>Sucessão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Janeiro na carne. Teu alvo traje te anima de vinho e festa,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;mas nem tua alegria é mais firme, nem teu passo mais profundo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;nem tua casa e teu pássaro afinado te correspondem melhor com o que há de fora à fora&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;no espaço da tua vida. És o que nunca está contente e, por assim dizer, estas feliz&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;com que há de novo. Um gafanhoto pousa em tua consciência e te dispara febril&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;na rua, de cotovelos rotos em unidade com a paisagem triste que constrói.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ufana e ris com sinceridade pela alma que tens, mas não em ti;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tua alma no meio da cidade saboreia melhor a existência e o limbo de haver o que é&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;possível. No meio da praça, dos cães jogados fora, das pessoas indigentes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No meio de tudo em correspondência com o novo formato da moldura que não tens&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e que supões calado. Um disco voador repousa triste em tua cabeça oca de gente cansada,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;mas não alcança, porém, o que se deve em essência para terminar o que se deve.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Daquilo que esqueceste, sobre todas as coisas, resta aquela voz que outrora amaste.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sua plantação de uva, um micróbio terrível assola sua alimentação diária e tens desgosto,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;seu uniforme é bom e nu como todas as coisas. Mesmo em guerra, tua pátria te ama&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;pelo fogo e pela moeda, mas não te aborreces, que és figura fina e complexa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que podes tu diante da força da palavra maior? Crê simplesmente e te verás maior&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;com o tempo de ir morrendo enfraquecido pela maravilhosa monumental do tempo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que és em tudo. Sobrarás em resto e em sobra sobre todas as coisas que amaste.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sobrarás em tudo como se fosse tão eterno como supor que és.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Daí terás o fim que bem mereces, mesmo sobre Deus e suas idéias. E voltarás à origem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;das coisas, e te serás consumido tão breve quanto ser feliz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Janeiro na carne, sua e sangra na aurora envelhecida em capricórnio e aquário. Depois,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;terás sossego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;P.S.: Poema pedante, daquele tipo que a criatura que o escreve renega, escrito em ocasião da chegada do ano de 2004. As palavras e os versos não passavam pelo filtro, ainda...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-3633688005578588271?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/3633688005578588271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=3633688005578588271&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3633688005578588271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3633688005578588271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2009/01/sucesso.html' title='Sucessão'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-3907268314235282906</id><published>2008-12-26T21:18:00.000-08:00</published><updated>2008-12-26T21:21:59.026-08:00</updated><title type='text'>Circular</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Pingaram uma gota de sangue nos teus olhos&lt;br /&gt;e daí então não te restava mais nada.&lt;br /&gt;Todas as raízes estavam já incorporadas nos teus poros de vastíssimas memórias,&lt;br /&gt;eram vermelhos os teus olhos passeando como dois loucos&lt;br /&gt;pela terra germinal&lt;br /&gt;e em tudo havia já a marca das tuas dores e do teu nervosismo insensato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você pensou em voltar,&lt;br /&gt;mas já não podia lidar com a vastidão sem desespero;&lt;br /&gt;já não era possível ir seguindo sem finalidade&lt;br /&gt;porque tuas pegadas indicavam numerosas solidões&lt;br /&gt;que se apagavam em tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem mais o teu rosto poderia ser contemplado diante das águas:&lt;br /&gt;o vento desfigurava a tua idéia de ti&lt;br /&gt;e a voz lançada nesse vento trazia o parasita da saudade para chorar as tuas mágoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rio consumia tua angústia.&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;Este colírio aceso queimando nos teus olhos!&lt;br /&gt;Daquela antiga ordem em que puseste a tua vida&lt;br /&gt;salta um leão ferido consumindo a própria carne entre os dentes&lt;br /&gt;e você concorda agoniado com toda a alteração, por mais que te doa nos sentidos;&lt;br /&gt;você treme na raiz de todas as veias&lt;br /&gt;enquanto os séculos passeiam na ponta da tua língua&lt;br /&gt;com um gosto de sal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Não te falta mais nada.&lt;br /&gt;Agora você há de reter toda a tranqüilidade doentia da tua fadiga mundana&lt;br /&gt;    numa só pose.   &lt;br /&gt;Agora você pode fugir pr’aquele canto sem cultura e sem abismo,&lt;br /&gt;para o grande segredo da esperança malograda em que habitava o teu olhar.&lt;br /&gt;Agora você pode mirar.&lt;br /&gt;Mira!&lt;br /&gt;Contempla a grande medida das coisas terminadas em si mesmas;&lt;br /&gt;repara a simetria a que tudo se inclina&lt;br /&gt;e comemora este incrível festival de silêncios enormes.&lt;br /&gt;Vê!&lt;br /&gt;Todos os silêncios reunidos no teu corpo&lt;br /&gt;até que te confundas absolutamente com o círculo caótico da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-3907268314235282906?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/3907268314235282906/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=3907268314235282906&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3907268314235282906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3907268314235282906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/12/circular.html' title='Circular'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-4438357651728219753</id><published>2008-12-22T22:09:00.000-08:00</published><updated>2008-12-22T22:13:29.873-08:00</updated><title type='text'>Prece</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Grande mistério universal,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;portentoso de todas as comunhões&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e todas as glórias que pairam sobre a superfície terrena,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tu que destitui a grandeza de todos os homens,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que os guarda em seu leito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;cobrindo-lhes com seu manto de perfumes inacessíveis,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;rogo-lhe que detenha em ti a minha vida,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o meu desespero&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e a minha força que sei débil.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Tu, Grande mistério por cima de todos os ventos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e no mais fundo abismo das águas sombrias,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;acalanta meu ego profundo e desesperado nas horas soturnas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;no tempo em que meu coração vibrar sem alegria ou contentamento,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sem mais a confluência necessária para os cumes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que residem entre a vida e a morte.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meu senhor e dono sem rosto,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;minha purificação total de todos os pecados,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;minha enorme dádiva e dúvida,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que és a porta diante da qual se quedam todos os reinos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;desde o início dos tempos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tu que és o início dos tempos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a roda-viva e o pão divino,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;logra em meu espírito demente o teu saber&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e a tua graça,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;logra em minha alma a tua pena&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e o galardão com que te animas sobre os céus,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;toca em meu peito a tua dureza serena que esquenta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;para que eu não sinta mais ódio,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;para que eu durma tranqüilo na paz do teu rumor singelo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e para que eu venha de olhos abertos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;toda vez que o teu clarão denunciar meu ser humano&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;resguardado dos perigos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Grande mistério e maldição dos movimentos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tu que desafias minha honra e identidade,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;afasta dos meus ombros o teu peso,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;converte minha vida em meu domínio,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;atira nos meus passos o caminho que persigo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e vai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-4438357651728219753?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/4438357651728219753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=4438357651728219753&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4438357651728219753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4438357651728219753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/12/prece.html' title='Prece'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-8537181333256082613</id><published>2008-12-20T18:18:00.000-08:00</published><updated>2008-12-20T18:21:19.134-08:00</updated><title type='text'>Um homem.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Havia ali uma solidão parada, segura, conforme todas as circunstâncias, mas exatamente dentro de si. No lugar aquele que não se pode nunca identificar se na cabeça, na vida, no silêncio. Havia ali, além de si e de tanta memória retorcida, contida, guardada em milhões de segredos, um universo expandindo, uma estrela cadente piscando nos olhos sensíveis de humano e uma posse ordinária que não sabia recolher dentro do espaço um lugar que fosse, nenhuma tangente de melancolia precisa se poderia afirmar naquela imprecisão de vida que ia andando por todos os lados.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Era uma porta aberta escondida nas sombras e o outro lado da parede estava prenhe de recordações. Ninguém saberia dizer agora o que é que se estava prestes a construir. Havia ali uma escuridão sem nada e era o tempo de escolher, quem sabe, a coisa que seria o que ele é. Isso, que sou eu, pensou, talvez ainda não deva se engessar em forma alguma, talvez nunca descubra o que eu sou e até por isso vá sempre duvidando das coisas. E duvidar das coisas era ainda ser incompleto? Não poderia nunca responder porque duvidar ainda é sempre alguma coisa que não se pergunta, mas a dúvida se afirma como pergunta e isso era mais que cruel na sua mente porque uma coisa é perguntar e outra coisa é responder. Mas a dúvida burlava as regras e se respondia como pergunta. Sempre como pergunta e isso gritava sem condições de alinhamento com a vida pretendida, com a possibilidade objetiva de corresponder-se com qualquer coisa que fizesse, mas agora era uma porta e ele ia passar, por mais que não soubesse o desenho que viria. Ele era o traço, a tela, a tinta e tudo. Ele deveria morrer antes de partir. Mas quando é que não se morre nessa vida? Melhor seria ir, de uma vez, sem olhar nunca para trás porque mesmo olhando, quando se volta o corpo já se está de frente. A realidade não pára de crescer à nossa vista. Quem duvida? Eu acho que tudo deve ser ainda essa coisa que não se pode dizer. Certas coisas realmente não se dizem. Tudo, então...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas estaria então preparado para as mudanças se soubesse de antemão que a mudança viria? Não sei. Não sabia. Havia um mistério de poema indecifrável em tudo o que passava por diante dos seus olhos; coisas que nunca se sabem ao certo; flechas e nuvens por todos os lados, como a lembrança aberta de uma cena fora da vida, algo que nunca se viveu e de que se tem saudades incríveis. Nunca saberia ao certo o que viria e a chance de recomeçar era sempre outra, sempre nova e ignorante à experiência antiga. O que se passava decerto não era alguma frase escrita por mãos desconhecidas; era, sim, a sua própria mão a que escrevia; seus pés a máquina daquele movimento contínuo e inconcluso. Da janela, o mundo que se oferecia fosse talvez aquele que pensou em menino, construído todo a partir de sua imaginação. Claro, sempre algum lance o surpreendia; haveria uma força inconsciente que não lhe permitia de todo perceber o que criava. Cabeça de criança quando o egoísmo aflora na percepção do pensamento próprio. E agora o esforço. Aceitar de vez o que viesse e tirar lucro de tudo, mesmo das ninharias, as pequeníssimas ocasiões. Não saberia nunca porque não via objetivo na vida. Não tinha planos, metas, algo que conquistado lhe trouxesse o que ele é. Seu ponto de apoio estava sempre ali e absolutamente incompleto, mas alguma coisa havia de fazer porque sem isso não se vive. Mas como realizar-se deveras na ação? Não sei. Não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-8537181333256082613?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/8537181333256082613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=8537181333256082613&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8537181333256082613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8537181333256082613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/12/um-homem.html' title='Um homem.'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-3469595548598401171</id><published>2008-12-19T14:09:00.000-08:00</published><updated>2008-12-19T14:10:55.606-08:00</updated><title type='text'>Expansão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Uma pessoa nova entrou em minha vida e o Universo se expandiu. Ou talvez tenha diminuído. No sentido translativo de Universo, na verdade, nada se modificou. Quem sou eu para com uma só pessoa arrancar para diante com a grandeza de tudo? Quem sou eu de verdade para com tudo distinguir o Universo de antes com este de agora? Mas o mundo mudou, não tenha dúvidas. Porque os olhos, o rosto e o jeito de corpo vão se denunciando à pequenez dessa grandeza singular com que me circulam as imagens de memória e os sons da nova fala. Uma só pessoa. Cada palavra é uma filosofia inteira em novos atos porque tudo se arrenegou a nova lei e daqui por diante todos os formatos hão de carregar o peso assombroso e arrepiante desta carga essencial. Um mantra, talvez; talvez um novo signo desperto ao significado que haverá de vir com o tempo e a pró-disposição da terra. Caia no esquecimento e nem com isso a verdade se vai apodrecer no limbo porque tudo o que se esquece sabe mais o bem e o mal que a vivência satisfaz.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É tempo de recomeçar. A voz dinâmica e extensiva de todas as coisas carrega no bojo de sua inconsciência divina a possibilidade maciça de todas as frases. Tragam-me os deveres complexos de nossa sociedade e saciem-se os desejos rancorosos de todos os homens. O Universo mudou ou talvez não, mas alguma coisa se expandiu em mim como um limite rebelado a sua própria sorte de coisa vã e terrena. Quem sou eu de verdade quando os olhos são tudo? Caia por cima de mim o cume de toda a humanidade nesta pessoa que sequer reconheço sua linguagem nova. O mundo inteiro a coisa nova, a posse desprendida e a garganta funcionando com dificuldade. Tudo hoje traduz a experiência simples desse caso e não serei eu o homem de que tudo se afasta. Venha a lua se quiser em sua lerdeza de fluir; venha o cosmos e o perfume que hoje o dia está tranqüilo; venha a luz; vejo a simples claridade motejar. Estou tranqüilo, porém. Alguma coisa mudou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Retirar a casca incompreendida deste rosto com o espelho; saber a humana decifração do rosto com o resto e retornar à minha antiga formação. O que é gente por mover esses domínios e ternuras que não sei? Somente a vida em seu enorme patamar pode ditar sua redoma de verdades. Menos que um inseto a minha compreensão, um círculo vicioso talvez, menos que nada. Assim é estar contente. Imagine um peixe devorando a minha solidão e nem assim será a dor que sinto. Há um momento de sonhos em que é impossível sonhar; a terra entra em desacordo com a nossa pretensão de massa corporal e viabiliza somente o encontro. Uma pessoa nova entrou em minha vida e a teoria se confirma: alguma coisa mudou, assim é estar contente, o Universo vive.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-3469595548598401171?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/3469595548598401171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=3469595548598401171&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3469595548598401171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3469595548598401171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/12/expanso.html' title='Expansão'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-7982584456933497769</id><published>2008-12-17T23:43:00.000-08:00</published><updated>2008-12-17T23:45:02.069-08:00</updated><title type='text'>Balanço</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Perdoai, meu coração.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas a intensidade e o pulso do sangue estão gelados,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;viraram flocos de neve por dentro deste corpo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Carrego os calendários de antes desta morte repentina&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e verifico que, de tudo quanto fiz,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;todas as realizações e esforços de aprendizagem,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;todos os contatos que travei,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a lembrança vaga dos lugares,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;os sonhos que tanto subverteram minha infelicidade tranqüila&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– verifico que tudo foi em vão,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que o tempo mortificara com seu manto de sombras&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o ânimo com que eu me dispus à vida,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e tudo de antemão,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o plano traçado desde o início,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a morte antes de me conhecer,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;antes mesmo da concepção de meus pais,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;de Adão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vislumbro com a infantilidade serena,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;com o choro da manhã orvalhando tudo quanto queira&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o meu amor secando,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tentando ruminar a última centelha de viva esperança,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;mas em vão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O amor,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e pesa em minha consciência o desperdício,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o que não logrei reconhecer&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e a importância triste das pessoas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a família numerosa em seus conflitos,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;os parentes todos morrendo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sem terem a chance de possuírem um nó deste vislumbre trágico.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Queria agora o último desperdício amoroso,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;queria agora a fé sincera dos que têm certeza,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;dos que realmente acreditam que conhecem Deus,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;dos que pensam que é possível saber o que ele é&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sem antes terem morrido a morte total,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a continuada morte de todas as coisas em si mesmas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quebrai-vos todos os relógios,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;todos os ponteiros como lanças no meu peito&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e agora essa liberdade magra.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Perdoai, meu coração,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu fui um homem triste.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-7982584456933497769?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/7982584456933497769/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=7982584456933497769&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7982584456933497769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7982584456933497769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/12/balano.html' title='Balanço'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-5401880213259165905</id><published>2008-12-16T00:53:00.000-08:00</published><updated>2008-12-17T19:13:31.864-08:00</updated><title type='text'>Noturna (O gato)</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que Deus está no céu não se discute. Mas agora, em que céu? Que céu é esse que de lá se nos vêem cá, mas que de cá não vemos lá? Qual a dimensão e por que essa distância? Foram esses os primeiros pensamentos daquela manhã e, como tivesse dormido de maneira muito estranha, conseguia lembrar do sonho que teve. Todas as manhãs sentia o coração apertado, como se houvesse frio por dentro do corpo e aquela manhã, em especial, o frio foi enorme e logo de início sentiu vontade de chorar. A agonia daquela distância de alguém que morresse por ela, alguém que realmente se importasse e que tivesse alguma felicidade como motivo essencial de sua vida. Achava engraçado às vezes o fato de que somente conhecia pessoas tristes ou, se não eram tristes, felizes é que definitivamente não eram. Nem ali e nem em casa. Nem mesmo se lembrava de ter visto alguém que parecesse ser feliz na rua, mas aí o sentimento aquietou-se porque não se lembrava mesmo de muitas ruas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Quando as meninas formaram a fila para hora do café, o padre Júlio apareceu com o seu rosto esquisito de pessoa que sorri sempre e ela pensou que ele talvez fosse feliz. Mal cogitou a possibilidade e pensou o contrário. Quem muito se ri desse jeito é que não deve ser feliz. Provável é que um homem, principalmente um homem que escolheu ser padre – alguém para os outros e para Deus – esse homem é que não deve ser feliz ou talvez achasse que fosse muito feliz antes e pudesse colaborar para a tristeza dos outros, além de se garantir no paraíso confuso de suas crenças. Mas o que realmente achava é que tanto sorriso era apenas para não se mostrar como era, como sempre fora: triste triste triste. Pensou no que estava fazendo e pensou que se ninguém pode ser feliz, se ninguém é feliz nesta vida, o que seria dela? E aquele sentimento começou a esvaziar o seu coração lentamente até que a Dora lhe chamou  perto da boca e disse que ela precisava saber de uma coisa enquanto comessem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não conhecia muitos lugares, mas poderia garantir, com absoluta certeza, de que não haveria  na face da Terra lugar em que houvesse tanta sombra como ali. E era um sombrio estranho, que enganava. As paredes pareciam sempre muito frias e parecia haver limo por baixo da pintura, mas punha-se a mão e estava tudo muito seco e firme, até mesmo quente e isso aumentava ainda mais a sensação de que o frio que sentia era aquele que passava por dentro do seu peito. Um frio de neves e pólos incompreensíveis, permitido apenas para os que aceitaram na inconsciência da vida a condição do pensamento contraditório. Observava as paredes quando ouviu o sussurro perto do pescoço – vem sentar com a gente – e obedeceu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eram duas, além dela, e se conheciam por motivos óbvios, mas nunca esse contato. Era um lugar de sombras totais e cada uma carregava sua parcela de escuridão. Dora e Flávia estavam sorrindo demais, como que muito ansiosas e ela não podia desconfiar do que fosse. Permaneceria calada até que fosse possível se afastar daquela mesa. O sorriso delas incomodava e não queria, não se importava em não ter amizades. Ainda mais sorrindo daquele jeito estranho. Quando estavam no meio do café, o murmurinho habitual cobrindo as conversas, Flávia chegou ao seu ouvido e disse:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– A gente pegou um gatinho. Você precisa ver.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Como assim, um gatinho? Perguntou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Um gatinho pequeno, ora bolas. Você quer ver?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Tá bom! Onde é que ele tá?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– A gente guardou ele escondido lá na casa grande.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Mas ele não foge? Quando é que vocês acharam?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Fala pra ela, Dora? Perguntou virando o rosto pra outra que se ria e fazia sinal com as mãos como quem pede para esperar. Depois comeram um pouco e Dora disse:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Depois ela vê.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Neila passou o resto do café pensando em como seria a cara do gatinho. Se fosse pequeno, ele teria o rosto maior, seria cabeçudo e feio, mas poderia ser já algum afeto naquele lugar. Poderia ficar grande e peludo ou talvez fosse desses comuns que não param quietos e incomodam quando estão no cio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Vamos lá ver? Flávia interrompeu as suposições.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Chegando à casa grande, que sempre lhe dera medo e que nunca sequer havia chegado perto por simplesmente não querer, subiram pela escada de madeira que dava para um espaço aberto, ou melhor, sem paredes, mas coberto de telhas de acrílico e com uma grande janela no final. Essa janela, vista do lado de fora, é que causava a estranha sensação de que havia sempre alguém no meio da sombra vigiando, mesmo quando ainda estava dia.  As coisas todas espalhadas, caixas de madeira, uma pá, lanternas que não serviam mais. Elas estavam no último andar (último de apenas dois) e, logo depois de sair por um pequeno instante, veio a Dora segurando o gatinho com somente uma das mãos. Era um gatinho cinza, feinho até não poder mais e com remela nos olhos, principalmente do lado direito. Neila sentiu imediata compaixão pelo gatinho, sobretudo pela remela que trazia nos olhos. Ela o pegou e tirou a remela com o polegar, gesto ao que as outras duas responderam com galhofa e expressão de puro nojo. Daí veio a Flávia e pegou o gatinho e o jogou bem para o alto. Neila teve um sobressalto e sequer pode tentar segurar o bichinho antes que ele caísse no chão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Por que você não pegou ele?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Mas pra quê? Ele não é gato?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Sim, mas e daí? Ele é muito pequeno, podia se machucar. Aí Dora interveio, rindo:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Se ele é gato é gato desde pequeno, não?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Mas e se tiver as pernas fracas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Azar o dele – Flávia categórica.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aquilo começava a lhe preocupar e não pensou que fosse agüentar quando, sabe-se lá de onde, tiraram um barbante grosso e amarraram na cintura do bichinho. Não, isso não, pensou, mas elas começaram a girar o gatinho pelo ar e, como se não fosse o bastante, jogavam ele contra a parede aproveitando o impulso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Viu como ele tentou agarrar na parede? E se riam de tudo como se a dor do gato, o não saber e o seu não ter escolhas fosse o hilariante perfeito para que o dia começasse bem. Neila não podia acreditar naquilo e, ao mesmo tempo em que batia um desespero de ver aquilo ela pensava em sair dali, mas precisava fazer com que elas parassem, pegar o gatinho e levar dali pra fora. Mas como descer as escadas o mais depressa possível sem que as outras fizessem algo que a machucaria? Elas bem que poderiam derrubar a escada e – Deus me livre – poderia até quebrar a coluna. Mas o gatinho ia de encontro à parede e caia tonto e, quando dava por si, antes de tentar correr, já tinha uma à sua espreita pronta para lançá-lo de novo ao ar, cada vez com mais força, e mais e mais, até que ele chegou a bater no telhado antes de cair no chão de novo. Ela não podia acreditar naquilo, realmente não era possível acreditar que estivesse vivendo semelhante tragédia, vendo o gato sofrer daquele jeito. Estava já chorando e as duas ali, rindo do gato e dela, e tiveram a idéia de fazê-la o alvo e lançaram o bicho contra ela, ao que Neila desviou ao mesmo tempo com medo das unhas do gato e profundamente penalizada. Por que estavam fazendo aquilo? Poderiam ter chamado qualquer outra, mas não. E daí lançaram o bichinho na parede com tal força que até mesmo elas tiveram que parar depois. E aí foi o desespero.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O gato caiu no chão e tentava se levantar, mas não conseguia mais. Ele tentava e parecia que cambaleava para os lados. Aí a Dora chegou perto dele e o pegou. Depois largou ele no chão, virou e disse:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Parece que a barriga dele inchou e tá saindo um negócio do traseiro dele. Acho que é pus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;– Gato tem pus, Neila? A Flávia perguntou, como se finalmente tivesse se dado conta de que o gato poderia e estava sentindo uma dor muito grande, uma dor maior até do que a pena que Neila sentia no mais dentro que fosse possível do coração. Neila continuou quieta e a Dora trouxe o gatinho pra perto dela. Depois disse que não queria machucá-lo e que elas só queriam mesmo era ver o gato pulando. Neila não ouvia coisa nenhuma e agora a presença do bichinho só fazia agravar o seu estado. Ela olhava para ele que parecia não olhar pra lugar nenhum e realmente saia alguma coisa como pus do traseiro dele. Dora e Flávia pediram que ela parasse de chorar e cuidasse do animal. Alguma coisa como que um remorso muito grande, atado ao medo de que vissem o estado de Neila e a interrogassem a respeito foi surgindo de maneira inevitável e agora o coração das duas apertava. Cada qual, é claro, à sua maneira. Dora pensava em culpar Flávia, que fôra realmente quem achara o gato e teve a idéia de maltratá-lo. Mas tinha sido dela a idéia de chamar Neila pra ver, já que ela estava sempre muito quieta e tinha cara de gente boba. E agora aquela situação irreversível porque o gato parecia piorar e nenhuma das três poderia fazer nada para reverter a situação. Flávia ficou parada pensando que não devia ter pego o gato pra elas e sentia um arrependimento profundo; um arrependimento tão profundo e verdadeiro que jurou em silêncio dali em diante jamais machucaria bicho nenhum e tentaria não tratar ninguém tão mal como estava fazendo a Neila, agora. E logo logo, não demorou dois minutos depois dessa resolução interior para que começasse a chorar, também.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O gatinho, dali a dez minutos, parou de tentar se mexer e abaixou a cabeça. Não demorou sequer um minuto depois de parado, morreu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Neila pegou o gatinho, ainda chorando muito, e ficou se lembrando de quando o viu há muito pouco tempo atrás, nem uma hora havia se passado, com seus olhinhos abertos, cheios de remela, seus olhos tristes que não sabiam, mas eram tristes, tristes de tudo, como todas as pessoas desse mundo, mais tristes que a Dora e que a Flávia, que chegou perto dela e pediu desculpas. Pediu desculpas, por favor, que foi mais forte que somente pedir desculpas, mas ela quase não prestava atenção em nada. O que importava era enterrar o gatinho, descer as escadas com sua raiva contida e inerte que começava a surgir, fazer um buraco onde não pudesse ser vista e enterrar o bichinho. E depois, dali pra sempre, os olhos do gato presos na memória e na tristeza como um sopro de fantasma que nunca teve rosto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-5401880213259165905?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/5401880213259165905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=5401880213259165905&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5401880213259165905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5401880213259165905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/12/noturna-o-gato.html' title='Noturna (O gato)'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-7296384463182537273</id><published>2008-12-15T10:16:00.000-08:00</published><updated>2008-12-15T18:40:01.792-08:00</updated><title type='text'>Maduro</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Preciso amadurecer. Abanar esses farelos de imaginação e crescer, não entrar mais em questões desnecessárias por tão pouco, discutir com os ignorantes à revelia do que eu penso e adquirir sossego. É um ponto muito difícil abandonar os meus desejos de pássaro sensível, louco de tudo, sagrado em penas e entrar na manca disposição dos homens concretos, se é que são concretos. Mas, e se eu morresse desse jeito novo? Os pássaros, ao menos, são enterrados no céu, entre as nuvens, e eles chovem por toda a eternidade de seus sonhos, pela gravidade sensível de seus pulmões que planam sobre nós. É como viver sempre de cores secretas entre a respiração dos homens, das plantas, dos bichos que amam sem saber. Mas é preciso amadurecer.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ou então esta loucura de vôo é que é a vida e, nem quero pensar, eu me engano de tudo e me condeno e me torturo pelos cabelos e pela pele à toa. E viver deste sorriso interno – o coração parece que ventila sobre o corpo – está para mim como um arremedo de alegrias invisíveis, a matéria simples desfazendo sua importância numa outra matéria bem maior em que se faz também de almas e vozes. Estou perdido de um lugar que não começa nem termina, mas está em mim e passa pelos meus poros e sua no meu rosto e não pode haver mais nada depois disso, somente esta dúvida que nunca cessa dentro do meu corpo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O tempo está passando e não me resta nada, nem me sobra, nem nada. Ou eu faço parte de tudo ou coisa nenhuma, não aceito a solidão que se inventa. Preciso amadurecer, vida, para cair nos teus braços noturnos, teus braços diurnos, de sol, de estrelas e pedras e ventos terríveis passando nos mares que existem no fundo dos olhos. Amadurecer completamente no amor, não para um homem, não para uma mulher, mas simplesmente no amor, que ele é uma casa serena e intempestiva, é a casa de todos os modos de ser que me concluem e continuam. Porque a todo momento estou nascendo pra vida tanto mais eu vou morrendo pra morte. Preciso amadurecer, meu deus, esfregar a minha carne e meu sumo em tua boca.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-7296384463182537273?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/7296384463182537273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=7296384463182537273&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7296384463182537273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7296384463182537273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/12/maduro.html' title='Maduro'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-8182665713843109796</id><published>2008-12-10T10:34:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T10:36:29.809-08:00</updated><title type='text'>Dialogal</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;a Jorge Luís R. Silva, mas em aberto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No argumento da retina&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tornei à distração original&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;aonde estava guardado o elemento universal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;da vida bruta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;indispensável.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E era nada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E era permitido, por isso,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que o sentido se encostasse às coisas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;de forma diferenciada&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;desta a que hoje se obedece&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;por comum;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e era permitido&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;porque toda borboleta traz consigo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a visão fundamental&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que procuramos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E todo verme;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e toda aranha;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e toda planta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Por simpatizar um pouco mais com a borboleta&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;é que tenho absolvido sua essência&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;de lagarta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Repara que me movo no sentido do ser&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e isto me permite absurdos geniais&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;de metamorfose&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e integração absoluta com tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ainda mais:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu posso me mover e transformar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;no cerne de um ovo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;como se fosse mutável pelo diálogo;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;eu posso nascer com asas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;se parir-me de ovo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(seria o óbvio),&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;mas sem bico&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;pois me agrada assobiar na voz dos homens&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e pra isso exige a boca&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;seu contorno de haver lábios. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meu assobio pensador&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;se pratica de olhar, concluo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-8182665713843109796?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/8182665713843109796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=8182665713843109796&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8182665713843109796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8182665713843109796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/12/dialogal.html' title='Dialogal'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-3493614989513904842</id><published>2008-12-05T21:48:00.000-08:00</published><updated>2008-12-06T13:15:40.416-08:00</updated><title type='text'>Soneto que eu não fiz</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Um gosto de eco de concha na boca;&lt;br /&gt;o gesto que eu não vi, não fiz questão&lt;br /&gt;de me atirar no movimento vão&lt;br /&gt;em que cantava a sua garganta rouca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fiz questão de perceber sua vida&lt;br /&gt;entre os vazios da distância pouca,&lt;br /&gt;por entre as cores da manhã nascida&lt;br /&gt;só de haver a sua presença ainda solta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era cinza esta manhã. Eram cinzas&lt;br /&gt;que eu lançava em minha respiração.&lt;br /&gt;Tua lembrança de hoje, sempre e de ainda,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sobre tudo o que faz meu ser desnorte,&lt;br /&gt;são o sangue de viver que sangrarão&lt;br /&gt;num vermelho que é de amor, de meia-morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;P.S.: "Soneto que eu não fiz" é o título do poema mesmo. Não quer dizer que eu peguei ele de alguém e o copiei aqui! Sou totalmente avesso a esse tipo de pretensa explicação e o blog nunca fala sobre mim e sim desde eu, mas o título se deve ao fato de que o forjei a partir (repito, a partir, não sobre) uma experiência absolutamente alheia e que não é o tipo comum de experiência alheia que gera a minha poesia, que se baseia no meu alheamento de mim para a criação liberta o máximo possível; não! Trata-se de fingir (recorde o fingere) o outro alheamento ou, se preferirem, o alheamento do outro (o que não é e nem deve ser a mesma coisa, mas assim quero que sirva) sem desapropriá-lo de sua experiência. Ei-lo o poema e seu título. Peço desculpas!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-3493614989513904842?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/3493614989513904842/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=3493614989513904842&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3493614989513904842'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3493614989513904842'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/12/soneto-que-eu-no-fiz.html' title='Soneto que eu não fiz'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-4969986310557941700</id><published>2008-12-02T12:39:00.000-08:00</published><updated>2008-12-02T12:40:08.092-08:00</updated><title type='text'>Aproximação em cinza</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Estava passando a vida inteira em vão. Sim, era vida aquilo e estava sóbrio. Tudo não passava de ser em vão e, pela primeira vez, se dava conta de todo aquele peso e se desesperava. Todo aquele peso, meu Deus, e a cabeça vazia doendo, os móveis, a poeira cinza, cinza o céu e a imaginação turva. Agora se dava conta e se perguntava de tudo o que em tudo se poderia perguntar, mas não adiantava. A vida é mesmo isso e essa é que é a nossa única liberdade sem conta: viver doendo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Já passava das dez e dona Sueli continuava seu desejo de morte. Não, não era desejo de morte, era alguma outra coisa entre desgosto e nervos. A pele já com as suas rugas e quantos acontecimentos fizeram alguma diferença? Não poderia entrar naquele tipo de questões ou então iria explodir. Mas pensa. Pensa e quanto mais pensa mais pensamento vem. Seus filhos, um já morto, sua viuvez estéril não tem memórias. Já não tem mãe, nem pai. Talvez nunca tivesse nada, mas a vida fez a sua diferença, traçou o seu risco de equilibrada satisfação e caminho e agora estava ali, a casa e os netos, a filha que nunca a abandonaria, mas a sensação amarga de que não havia realizado nada sufocando. Não levantaria da cama até que não pudesse mais agüentar a vontade de fumar um cigarro. Dona Sueli pensava em Deus e era injusto da parte dele que, de tanto amor, não lhe sobrasse parte decente, nem uma nódoa sequer. E era triste.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A manhã rasgando as cortinas e o céu nublado chovendo bem de fininho. Que é que eu vou fazer desse dia? Que é que eu sou para fazer alguma coisa? Decidiu que iria começar a ler a Bíblia com mais cuidado. Tanta coisa que não conseguia entender. Iria, talvez, juntar as provas contra a justiça divina e cobrar pelos esforços da busca. O ônus era demais e dava um encargo muito grande educar as crianças conforme manda a providência, educar e transforma-los em gente estudiosa, inteligente. A vida toda pela frente, ainda, os seus netos, mas ela...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A vida dói demais e esse era o rigor primordial do tempo. Seus olhos não poderiam mais abrir-se de outra forma, seu corpo já perdera toda a firmeza e agora também o espírito incomodado. Seria acabar? Estar acabando em perguntas sem sentido e começar a não perceber mais o sentido das coisas. Sim, deveria ser esse o vento que traz a aproximação da morte. Vou fumar um cigarro; dar motivos ao que venha por aí. Depois eu durmo novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-4969986310557941700?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/4969986310557941700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=4969986310557941700&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4969986310557941700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4969986310557941700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/12/aproximao-em-cinza.html' title='Aproximação em cinza'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-6145231560650664867</id><published>2008-11-28T12:41:00.000-08:00</published><updated>2008-11-28T12:43:26.513-08:00</updated><title type='text'>Divino (a partir de um pequeno trecho encontrado em residência de Augusto dos Anjos)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Foi doloroso compreender que Deus estava em mim, na minha essência, e que, estando em mim como ser vivo que sou, ele poderia e provavelmente também estaria, e está, no verme que permeia toda a amputação de vida carnal; toda matéria resignada aos naturalmentes que sugam em cadência musical triste toda a  nossa completa subjetividade derivada do lixo e de complexas intervenções da orgânica desentendida entre os corpos; todo o nada, o verme, enfim... Porque Deus, sendo minha imagem e semelhança, é o que me explica aquilo que sou por ignorância e fé e nele acredito cegamente como creio no verme e na dúvida. Em Deus, porque este não sei e ele mesmo se abstém completamente de mim na equação de sua voz latente e muda e no verme pelo contrário imediato. A dúvida se interpõe como uma teimosia natural de humanidade e natureza. Mas Deus, mesmo que lá não estivesse, habitava agora o verme de tudo que se putrefaz, de tudo o que se putrefez e se putrefará um dia. E não só em mim, na matéria, mesma, do ar existe um corpo que está morrendo e vai-se entrando pelas minhas narinas ignorantes. Estou inspirando a Deus pelo menor fluido parasita e tenho me preocupado com isso como nunca antes me havia perdido pensar. E podemos (nós, humanos) ser muito pequenos diante de toda a grandeza que supõe nosso sentimentalismo, nossa fé e, principalmente, nossa razão de cultura desencontrada. Porque há verme na fumaça da tecnologia; há verme na rosa que se entrega em casa de amante e no perfume da rosa cheirada; há verme entre as páginas da Bíblia Sagrada e há verme no hálito e na manifestação sincera e comovida do Amor verdadeiro. Tudo anda se corroendo por dentro e por fora e, fisicamente, há sempre uma vontade triste de acabar, que é inconsciente e constante. Foi doloroso compreender que Deus, no verme, é uma mágoa antiga de criação posta de joelhos resignados a si mesma. E Deus foi se diminuindo e perdendo a voz até ganhar, da mágoa, um pequeno corpo umedecido em que sua formação onipresente se apresenta menos corroída que um divino mandador. E disse amém numa carne de defunto. E me deixou perceber pra que eu chorasse um pouco a sós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-6145231560650664867?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/6145231560650664867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=6145231560650664867&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6145231560650664867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6145231560650664867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/divino-partir-de-um-pequeno-trecho.html' title='Divino (a partir de um pequeno trecho encontrado em residência de Augusto dos Anjos)'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-3966717056266106458</id><published>2008-11-27T20:06:00.000-08:00</published><updated>2008-11-27T20:08:22.800-08:00</updated><title type='text'>Hora</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Ninguém te soube, tarde morta,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;aborrecida de olhos e sementes&lt;br /&gt;como um pássaro noturno sabe a presa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que o engana, mas vem, devagar,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;sobre os escrúpulos do vento&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;obedecer a vida em ordem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;Ninguém te saberá, hora deserta.&lt;br /&gt;Na ilusão de recordar-te um tempo mais vivido,&lt;br /&gt;nem um sol caindo ao fundo&lt;br /&gt;brotará qualquer memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Habitar um tempo eterno... este profundo&lt;br /&gt;não consegue se instaurar como medida&lt;br /&gt;e, em si distância, se refaz como lugar à voz divina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Habitar em tempo cego... a própria vida aprenderá&lt;br /&gt;no ventilar das suas asas&lt;br /&gt;como um deus poente&lt;br /&gt;e louco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-3966717056266106458?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/3966717056266106458/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=3966717056266106458&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3966717056266106458'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3966717056266106458'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/hora.html' title='Hora'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-7564547341346233000</id><published>2008-11-23T13:54:00.000-08:00</published><updated>2008-11-23T14:03:09.718-08:00</updated><title type='text'>Noturna</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A percepção dos ruídos era estranha no meio da noite. Todas as outras meninas estavam dormindo. Talvez houvesse alguma como ela, acordada em seus pensamentos e fugindo daquele lugar para o mais longe dos longes, para o tempo das janelas abertas, os portões enormes de madeira, as águas correntes e a cachoeira imensa quebrando o silêncio e os ruídos dos insetos na paisagem. Fugia dali para o tempo de uma lembrança muito vaga; um tempo de ouvir uma música que ela pensava que nunca fosse silenciar. Mas como era mesmo o início? Bons tempos de esquecer-se das coisas. As pessoas sorrindo e passando, o seu corpo muito pequeno, ainda em estado de broto. Suas mãos estavam cansadas de tanto escrever. Não sabia o porquê de tanta vontade de guardar aquilo, mas hoje dona Fabiana disse que estariam prontas quando percebessem que a grande riqueza desse mundo consistia em se realizar através daquilo que, em nós, fosse empregado no desejo de ajudar ao próximo. Sua cabeça deslizou e escorreu pelo meio da moral que teceu aquela frase; buscou outro ponto de apoio e acabou se encostando numa interrogação severa. Estaria pronta realmente se percebesse aquilo? Mas ainda não era essa a grande pergunta. Quereria estar pronta? Ah, não... isso deve ser a morte. Seu corpo agora é que estava se ajeitando e tinha que perceber algo específico para estar pronta. Aquele lugar era feito de estranhas solidões, todas elas muito graves e sonoras dentro do quarto. Lembrou Clarice: “Que importa que em aparência eu continue nesse momento no dormitório, as outras môças mortas sôbre as camas, o corpo imóvel?”. Circulava entre palavras e dias. As lições que ela aprendia, as que esquecia por completo. Que restaria quando fosse dali para a vida, os grandes espaços abertos, as pessoas sem uniformes, os homens suando, os miseráveis mortos de fome, os cães mortos de fome, sua família tratando das coisas sem interesse. Quando, nessa vida lá fora, viria o amor que ela não sabia?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A impressão estranha de que tudo permaneceria igual no dia seguinte. Quanto tempo até que pudesse ouvir outros sons, vestir-se como bem quisesse. Era certo que mostraria as pernas. Sim, suas pernas que eram suas e de mais ninguém. Queria mostra-las, fugir dali usando saias curtas, fustigar a imaginação alheia e morrer friamente no desejo dos homens. Mas não os conhecia. Seria realmente bom? O corpo em dúvida oscilava dentro da semente ora opaca, ora oca. Seus olhos acostumados aquela escuridão ouviram um ruído. Uma das meninas levantava carregando o meio-sono que tinha, os olhos quase fechados. Esbarrava nas outras camas e um pouco mais à frente o corredor que dava pro banheiro. Assim era que se andava naquele lugar: esbarrando-se nas coisas, o caminho todo obstruído e, no final, um corredor estreito e liso. Sentiu vontade de se levantar, as luzes mesmo apagadas permitiam um caminho naquela noite estranha; mas depois a raiva de ainda não dormir, entrar no reino vazio das coisas reais sem matéria, as verdadeiras coisas reais sem matéria. Haveria um lugar de onde não se pudesse parar nunca de correr, os movimentos esquecidos, todas as cambalhotas, piruetas de todos os tipos, qualquer coisa que esquecesse aquela sordidez de passos seguidos, os braços calculando a distância exata de uma para outra, a marcha irrefreável até as salas de aula. Amanhã seria Biologia e História pela manhã, depois o almoço e seguia-se com Geografia e Língua Portuguesa. Aí o descanso, as meninas todas conversando e ela com aquela frase estranha na cabeça, sem dormir. Quando estaria pronta de verdade, ela que não se conhecia?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A noite encontrava uma rua e ela ia seguindo. Encontrou finalmente o antigo quarto, Moisés dizendo coisas da Bíblia que ela gostava de ouvir e depois ela descia e ia para a sala de estar. Finalmente lembrava do início da canção, o pai sentado de olhos fechados e a mãe sorrindo muito com a tia Iolanda. “Mas pra quê? Pra que tanto céu? Pra que tanto mar? Pra quê?” Aquela canção havia feito muito mal em sua primeira fase de memória. Ainda fazia. Realmente era algo que se devia perguntar. Mas hoje a pergunta vinha toda com outras coisas que pensava. Certa vez escreveu&lt;/span&gt; – &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Mas isso que se pergunta tanto não é só o que já sabemos da vida?&lt;/span&gt; – &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aquilo é que ela não podia dizer pra dona Fabiana. Não podia dizer a ninguém porque era tudo uma estranha busca de respostas. As coisas certas. O pai estava ali de olhos fechados e ouvia a canção tristemente, como se a gravidade do rosto acompanhasse os sons fechados da sala. Um filtro aquele rosto de seu pai, um filtro aquela conversa da mãe com tia Iolanda porque muito se ria. Estava já condenada ao segredo das perguntas e a casa trancada não era muito diferente daquele lugar. Daí foi que as paredes caíram e o Moisés despencou do andar de cima em cima do colo do meu pai. Minha mãe continuava rindo com a tia Iolanda e eu senti que o chão também desabaria, as rachaduras se formando como em desenho animado. Incrível o céu aparecendo por cima do teto despencado. Era de se espantar com a cena: algumas pessoas caíam do céu e eu as reconhecia. Comecei a achar graça, também, quando caíram no colo do meu pai dona Fabiana e a Clarice Lispector, ainda moça, sorrindo muito e ouvindo a mesma canção que eu. Depois eu fiquei só. Sumiram todos. Queria muito ver o que meu pai teria feito, mas agora estava naquela casa desabada. O chão não havia despencado como eu pensei, as rachaduras sumiam e em seu lugar um espelho indecente. As pessoas olhando por baixo da minha saia. Comecei a me sentir muito mal e corri. Corri naquele mundo espelhado e tudo era deboche, o reflexo encolhido gritando a Deus que me ajudasse e os homens todos, de repente sentindo o meu desejo de fuga, me perseguiam. As ruas se encolhendo... Pelo amor de Deus, NÃO! Não havia mais nada que fazer, os movimentos lentos, retardados e eles cada vez mais rápidos. Já podia sentir o toque dos seus dedos, o bafo peçonhento esquentando meu pescoço. Ajude-me, Senhor, alguém tocou meu rosto. Vai começar!...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não estava pronta. O quarto de manhã reconheceu meu rosto. Os olhos abertos; ainda suava um pouco, muito pouco mesmo por causa do frio que fez. Mas que alívio. O dia seria todo um só, talvez igual ao outro que passou, mas teria que estudar Biologia, História, Geografia e Língua Portuguesa. Dona Fabiana veio nos chamar para formar a fila e tomar café da manhã.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-7564547341346233000?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/7564547341346233000/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=7564547341346233000&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7564547341346233000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7564547341346233000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/noturna.html' title='Noturna'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-3719389468865996932</id><published>2008-11-21T18:50:00.000-08:00</published><updated>2008-11-21T18:51:15.014-08:00</updated><title type='text'>Descubro meus olhos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Descubro meus olhos profundos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e a vida pousou num deserto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Já nenhuma voz de tumulto&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou teu rosto erguido por perto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ou teu rosto erguido de longe&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;brincando com a minha memória&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;trazendo num tempo de instante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o que é e o que já foi, foi embora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Descubro meus olhos de vagas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;de loucas raízes desertas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;por entre as imagens forçadas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;na sombra de uma rosa aberta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Na sombra de um nó fechado&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;teu corpo coberto de areia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meus olhos tranqüilos boiando&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e o sangue parado nas veias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Descubro meus olhos na vida&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e a vida passou num momento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Já nenhuma coisa perdida...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Descubro meus olhos no tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-3719389468865996932?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/3719389468865996932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=3719389468865996932&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3719389468865996932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3719389468865996932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/descubro-meus-olhos.html' title='Descubro meus olhos'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' 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convém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-6503201933539952560?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/6503201933539952560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=6503201933539952560&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6503201933539952560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6503201933539952560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/procura-3-poema.html' title='Procura - 3º poema'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-1807707296706405740</id><published>2008-11-19T20:49:00.000-08:00</published><updated>2008-11-23T14:04:04.893-08:00</updated><title type='text'>Remorso</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Não poderia nunca se esquecer. Aquele estado de alma não passa assim tão rápido e mesmo quando passasse, ficaria. A consciência tremendo o que dali pra frente, o que dali pra trás, e uma forca na sua memória disparando um grito de não. Um não; era toda uma região de enforcados na sua memória porque o fato era sempre outro, havia sempre um talhe se esculpindo diferente e aquilo se multiplicava em tudo o que fisgava em sua sensibilidade. E agora, aquela sensibilidade morna se esfriando e esfriando cada vez mais, tornando gelo o suor e a segurança com que dizia as suas coisas. Onde a correção e pontualidade das palavras, dos atos? Alguma coisa se perdera na memória, também. Havia um labirinto que desvendar, os olhos a serem tapados: os seus e os outros, mas desde já a cegueira geral da sua vida. Quem sabe quando passaria, mesmo que ficasse? Era preciso a consciência antiga da inocência, o corpo com medo de Deus apenas e o arrepio desconhecido. O medo de ir pro inferno.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Agora aquilo tudo era demais. Quantos erros se podem cometer, meu Deus, e o espírito agüentando, mas como isso nos mata. Havia uma falha naquele destino de nunca mais voltar, corrigir um por um os seus deslizes, todos eles por mero acaso ou distração; as conseqüências, porém, circunstâncias enormes. O não abandonar nunca aquela fisgada no peito e as imagens confusas, plenas de embriagues. Não sabia ao certo de que foi que errara, mas alguma coisa havia acontecido. Vontade de esquecer para morrer de tudo. Chegariam as pessoas depois? Os rostos se voltariam para o ignorar? Todos carregando suas mágoas e defeitos, mas todos juízes e justos de si e daquela minha alma.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O terror. Quando os olhos tremem e se tem que voltar a caminhar pelos lugares. Quem poderia saber? São tantos os lugares que não é possível discernir o fato num espaço, apenas. É o meu corpo onde quer que ele esteja. Todos os olhos, até os animais, mesmo os pombos me vigiam por todos os lados. Eu, juiz de mim, não posso comigo e a sentença é cara diante da consciência. Eis o grande tribunal que me condena. E este remorso, Senhor... E esta angústia... ninguém jamais saberá o que sinto!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-1807707296706405740?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/1807707296706405740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=1807707296706405740&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1807707296706405740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1807707296706405740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/remorso.html' title='Remorso'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-3268009182015447865</id><published>2008-11-18T14:01:00.001-08:00</published><updated>2008-11-18T14:01:45.389-08:00</updated><title type='text'>Procura - 2º poema</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Certa cal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;modela a coluna vertebral de algumas crianças&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;para perdedores&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ou ignorantes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E daí que se conserva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;na estatura e curvatura de seus olhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a mesma resignada contemplação&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;de esclarecer as coisas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;pela sombra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-3268009182015447865?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/3268009182015447865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=3268009182015447865&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3268009182015447865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3268009182015447865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/procura-2-poema.html' title='Procura - 2º poema'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-4828383244118292848</id><published>2008-11-17T09:08:00.000-08:00</published><updated>2008-11-17T09:12:07.848-08:00</updated><title type='text'>Rua Vazia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Aquela era uma rua muito vazia. Sempre pensava nisso porque sempre pensava muito quando passava por ali. Como é possível que um lugar vazio cresça em nós a carruagem desgovernada dos pensamentos desse jeito? Porque, também, é muito complexo o que faz acontecer em nós, seres humanos, a coisa que nos torna humanos, mas esse lugar é muito pequeno. Há sempre muita linha de pipa enrolada entre os fios no poste e meu rosto se cansa de olhar para os espaços nulos entre os poucos carros parados. É muito freqüente espirrar nessas condições. Não sei o porquê, mas sempre espirrava quando olhava para o alto. O sol batia inteiro por ali e ele pensou em pedir perdão por tudo o que, na vida, tinha feito de ruim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;É fácil demais pedir perdão, mas é um medo terrível que dá não ser perdoado. Eu nunca sei o mal que fiz ao outro de verdade porque não o sinto, mas as pessoas sentem muito. Engraçado como algumas pessoas se magoam mais que outras. Isso é sensibilidade ou frescura? A rua vazia não pode responder, mas não era uma pergunta de se responder, também. A pessoa olha um cachorro atravessando leve e despreparado e se pergunta como é, no cão, a certeza de que não vai ser atropelado. Os cães nunca olham para os lados e queria saber como é o que eles sentem quando, por outro lado, são atropelados. O susto, a dor e o último grito. Só? As pessoas possuem mais consciência disso quando são atropeladas? Não creio. Mas aqui eu não serei atropelado jamais porque mesmo que tenha suas casas, seu espaço e seus carros, eles não passam por aqui senão raramente. Sem contar o azar...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O homem é levado a se pensar nessas condições de vazio porque, no final das contas, é onde tudo deve mesmo começar. Não acreditava, porém, que esse tempo de vida que começa do nada tenha obrigatoriamente que dar em nada, no final das contas. Costumava não pensar em Deus pensando nisso porque a idéia lhe parecia por demais autoritária. Era muito religioso e Deus era uma dessas coisas que ele preferia deixar lá no seu canto. Isso para não entrar em parafuso, mesmo. Conheço um rapaz que ficou louco e é muito estranho pensar em como se pode ficar louco e em como funciona quando se enlouquece. “Também é ser deixar de ser assim”, lembrou. Mas só estando louco pra saber de verdade o que é loucura. Ou nem assim, porque a percepção é, de certa forma, alterada. Mas que percepção não é? Por exemplo: essa rua é normal ou é louca? Não sei. Mas pouco importa, a rua já passou!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-4828383244118292848?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/4828383244118292848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=4828383244118292848&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4828383244118292848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/4828383244118292848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/rua-vazia.html' title='Rua Vazia'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-3201717677411053343</id><published>2008-11-16T08:43:00.000-08:00</published><updated>2008-11-16T08:45:25.953-08:00</updated><title type='text'>Procura - 1º poema</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Cada homem está rudimentando suas vozes&lt;br /&gt;dentro do temperamento desacreditado e primeiro&lt;br /&gt;do grave dorso em inútil e palha&lt;br /&gt;porque lhe resta somente&lt;br /&gt;(não cabendo inteiro dentro do nome que lhe pregaram)&lt;br /&gt;uma pena germinada dentro do sal&lt;br /&gt;contendo ainda o sangue&lt;br /&gt;de Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-3201717677411053343?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/3201717677411053343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=3201717677411053343&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3201717677411053343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3201717677411053343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/procura-1-poema.html' title='Procura - 1º poema'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-3091721571340106681</id><published>2008-11-15T13:55:00.000-08:00</published><updated>2008-11-15T13:56:24.598-08:00</updated><title type='text'>Reencanto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;De luz, que trouxeste, palavra fria?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Era preciso recompor o encantamento das coisas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;em cada mágoa,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;em cada passo de rua sobre o chão medonho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;na manhã tão suja.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Reerguer a torre do perdido aceno;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;o velho marujo recomposto da morte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;agradecendo teus efeitos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nunca o mar quebrando deste jeito, por quebrar,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;mas renovando o sal na orla,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;na pele da coxa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e um pouco de tudo na imagem gestante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um sopro de aurora no corpo das aves,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que tempo faria se fosses atento!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas vôo por vôo não diz coisa alguma&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e passam os olhos como a antiga nuvem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que já se desfez.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Renova-te em plumas. Aquela leveza&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que ora se esconde em corpo vazio&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;no fundo do copo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;está reclamando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;De luz, palavra, onde é que repousas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;em tempo tão gelo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que blocos imensos, montanhas decerto,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;te prendem na face a sombra formal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e não te garimpas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Humana figura, de culpa ferido,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;me entrego de todo à tua feição&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e lanço de oitiva,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e vibro de todo,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e atiro meu corpo até me sangrar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um sopro de vida nas tuas ferrugens&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;de máquina pronta, defeito talvez,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;te lance novata no tempo das vozes&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;da primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-3091721571340106681?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/3091721571340106681/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=3091721571340106681&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3091721571340106681'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3091721571340106681'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/reencanto.html' title='Reencanto'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-7248439439709961596</id><published>2008-11-13T21:08:00.000-08:00</published><updated>2008-11-13T21:09:25.277-08:00</updated><title type='text'>Primeira canção da chuva</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Percorro meus olhos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;na morte da nuvem&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que me fotografa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A lâmpada acesa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;queimando de insetos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;que teimam na chuva&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;apagam de instante&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a minha retina&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;em luz de trovão&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e quando se acende&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;de novo, indecisa,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;parece mais forte...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ó, vista enganada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-7248439439709961596?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/7248439439709961596/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=7248439439709961596&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7248439439709961596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7248439439709961596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/primeira-cano-da-chuva.html' title='Primeira canção da chuva'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-7206027767203035248</id><published>2008-11-13T14:59:00.000-08:00</published><updated>2008-11-13T15:27:57.246-08:00</updated><title type='text'>Foco</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Recobrar a paciência da luz e diluir a rosa&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;na manhã secreta.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vazio de mim, este foco garça a vida por um triz de pernas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e se opaca, resumido.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas não como sereia e desperdício, pois que a rosa vale ouro&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;nos perdidos&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e se deixa de igualar, uma por uma, suas partes afligidas pelo tempo&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e pela vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-7206027767203035248?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/7206027767203035248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=7206027767203035248&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7206027767203035248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/7206027767203035248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/foco.html' title='Foco'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-1868732156810833359</id><published>2008-11-12T11:01:00.000-08:00</published><updated>2008-11-12T11:49:05.401-08:00</updated><title type='text'>Lázaro acorda</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;A vida petrificada neste canto de poemas ganha relevos absurdos.&lt;br /&gt;É um sopro em tua narina crua, teu corpo levantando novamente dentre os mortos&lt;br /&gt;e um vazio absoluto nesta capa monstruosa que vestiste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado fica um homem abraçado à poeira subindo quando logras mais um passo;&lt;br /&gt;uma mulher, talvez, amaria a tua sombra irrelevante e preguiçosa. Amaria até teu corpo,&lt;br /&gt;mas és um ressuscitado e um ressuscitado não conhece o amor que bem merece&lt;br /&gt;porque o gosto do milagre anestésico proclama só a própria caridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde pisas, fica o passo recolhido. És o homem da escolha e não te podes desviar.&lt;br /&gt;És o homem consagrado, o ás, a grande posse da verdade e do mistério&lt;br /&gt;e tua humanidade só um pretexto divino&lt;br /&gt;pra que possas tramitar às coisas vãs que nós fazemos em soberba nos pecados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas teus olhos estão tristes, companheiro.&lt;br /&gt;Me permita a tua mão à minha mão dolosa e teu caminho se abrirá mais uma vez&lt;br /&gt;perante a morte de Caim e sobre o templo em que oraste.&lt;br /&gt;Permita-me o melhor desvio e te descobrirás o quanto és livre e mal-agradecido,&lt;br /&gt;pois tristeza é muita falha em quem morreu e sobrevive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo a voz de Deus já esqueceste em que idioma te falava,&lt;br /&gt;mesmo a morte é só um sono em que dormiste,&lt;br /&gt;mesmo a vida o mesmo sono em que acordaste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levanta-te, irmão, e ama!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-1868732156810833359?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/1868732156810833359/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=1868732156810833359&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1868732156810833359'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1868732156810833359'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/lzaro-acorda.html' title='Lázaro acorda'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-134453502180970650</id><published>2008-11-10T09:07:00.001-08:00</published><updated>2008-11-10T09:09:54.467-08:00</updated><title type='text'>Poema em voz baixa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Preciso recompor o olhar com que te via,&lt;br /&gt;a palidez parada do primeiro toque, a novidade do teu rosto perdido em cristal&lt;br /&gt;e uma sombra voando fazendo memória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, que é tudo sabido, preciso voltar.&lt;br /&gt;Um caminho por fora do tempo das coisas,&lt;br /&gt;algo liberto,&lt;br /&gt;meu rosto sem porte buscando delírio;&lt;br /&gt;e tu? Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda guardo detalhes.&lt;br /&gt;Não quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia um cordão em cima da mesa,&lt;br /&gt;a roupa vermelha jogada no chão&lt;br /&gt;e um copo com água já morno esquecido.&lt;br /&gt;Não quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despir-me de tudo, meu deus,&lt;br /&gt;a casa vazia seria um segredo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-134453502180970650?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/134453502180970650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=134453502180970650&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/134453502180970650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/134453502180970650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/poema-em-voz-baixa.html' title='Poema em voz baixa'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-8113025690818513134</id><published>2008-11-09T10:04:00.000-08:00</published><updated>2008-11-09T10:09:02.799-08:00</updated><title type='text'>Pensamento marinho</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;“Conforme a vida vai passando, onda quebrando em meio ao nevoeiro, alguma coisa te escora à base do mar. Eu sou quem me desconheço.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O velho olhou, releu, pensou em que diabos tinha dito e decidiu guardar o escrito na carteira. De repente valesse dinheiro mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-8113025690818513134?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/8113025690818513134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=8113025690818513134&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8113025690818513134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/8113025690818513134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/pensamento-marinho.html' title='Pensamento marinho'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-1509042640892892404</id><published>2008-11-09T00:10:00.000-08:00</published><updated>2008-11-09T00:13:11.209-08:00</updated><title type='text'>Universo e Lição de Deus (última parte)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Porém, se não sentisse (agora que sinto), inevitavelmente, um enorme amor por Deus, talvez não me houvesse descanso algum na vida, porque o repouso é preciso quando, na casca, trazemos nosso risco de pólvora secreta e é de segredo nosso avanço. Inevitavelmente, sim, estarei sempre orando mal me anuncie a lembrança de uma passagem bíblica que adore; já que a bíblia é uma reunião de tudo o que sou enquanto um mito renovado me circunda e me esclarece. Não como servo, é certo, mas como dignidade ignorante e seiva total. Deus, que todos saibam, é o poeta e sua arte somos nós e cada qual somos seu melhor poema. Busco, porém, uma intersecção como todo seu vocabulário e com todas suas cores e, naquilo que me anseio sublime, sublimo. E dói-me, então, a sujidade me beijando os olhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A parte isso é que ocorre de a gente se machucar. O que nos machuca (é importante dizer) não é o nosso doer inerente. O que nos machuca está aonde nós podemos nos doer. No amor, no sentir desejo, na capacidade incrível de ilusão e de errar quando tudo está certo no Ser maior. Por isso preciso muito e sempre buscar a Deus e ter com ele a intimidade que ele tem comigo, porque nele existir é que está o meu consolo e, se digo isso, é porque o fôra fora de todos os esquemas; incluindo a isso todas as religiões, fica certo que se tenha Deus não como um segredo sussurrado no ouvido, mas como a gênese poética que a tudo me preenche e não deixa que se torne absurda a condição absurda da existência. Ter Deus é minha inevitável opção por ter fé e, sendo assim, tendo mesmo somente meu sentimento de crença, o Nada se consome inteiro deixando tudo possível. Aí é onde finco minha bandeira e é daí pra lá que eu sou o crente impossível, porque busco o máximo de vida que me satisfaço e, onde toque a apside de minha consciência, busco também o máximo de mim. Quero estar em paz. É o que procuro agora que me dôo inteiro. Se houver, além disso, um resto jubilado de vida possível, que Deus o faça um grosso caldo e me derrame a inconsciência de havê-lo para que, quando reclame a morte minha vizinha, sua parede transparente barre o enxofre da passagem ímpia e eu me regozije de existir humano pólo-a-pólo como um sempre simples vôo forte. Seja Deus a minha altura e minhas asas; meu caminho por todas as direções. Obrigado e sim!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;A idéia que tenho do mundo é alguém que, no escuro, abre os olhos de repente sem saber o tempo que leva pra se acostumar. Ou ainda alguém que, de olhos abertos no escuro, não sabe se precisa acostumar-se com àquilo porque a escuridão pode repentinamente ser tudo o que haja para ver e nossa alma otimista é quem traz a luz como ponto de partida pra melhor se perceber as coisas. Afinal, ver o mundo e enxergá-lo são experiências distintas (embora seja preciso nunca separar as coisas por elas serem diferentes. Somos todos diferentes e, por ainda mais estranhos, diferimos de nós mesmos porque de outra forma o diálogo seria impossível e viveríamos a tensão do desrespeito um tanto mais intensamente, para nossa acidez estomacal da mente). Da idéia que tenho do mundo, brotam sonhos de todas as cores porque são as cores do Universo se as sonho e, nesses sonhos, não é a impossibilidade que alcanço (isso está além dos sonhos); o que tenho desenhado nos meus sonhos é a cura do homem, como um todo em que me incluo, e a cura do homem, quando eu sonho, é o próprio sonho de curá-lo, como Ser, de sua dor sem, com isso, deixá-lo de existir. Meu sonho de cura para o homem é o Ser sem dor na condição de que isto não o anulasse como humano. Eu sei, não pode ser, mas isto é sonho e é o sonho da minha procura por Deus também, quando ele me toca não de cima, mas de frente como quase atravessasse meu caminho em sê-lo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ter a Deus numa troca de, por tê-lo, dar-me a ele é o que sossega o coração de vez em quando e dá um pouco de ciência ao mesmo de estar num todo que me forma. Esta é a minha Natureza com seu cosmo coplanando à redenção do homem em tudo o que ele peca e é a isto que pertenço contente de doer-me inteiro nesta vida porque Deus só trouxe a dor na minha vida para entrar melhor em mim. A isto sou grato, Deus. És o verbo, o amém eterno e, em tudo, o amo. Sois eu e a vida inteira, minha e alheia, porque dói e aprende o máximo. Sois o Universo e a Lição de ti porque és o mesmo e sempre o outro. Obrigado e sim por tudo nesta vida, embora doa. Obrigado e sim por tudo que se cria e por tanto que renova. Seja esta a minha vida e meu caminho: Ser um homem de sentido e sempre. Este (agora o sei, finalmente) é o meu nome pra Deus. Eternidades imensas... Sentir... Por mais que me termine. Sim!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;29 de Julho de 2006&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;às 03:00 da madrugada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-1509042640892892404?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/1509042640892892404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=1509042640892892404&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1509042640892892404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/1509042640892892404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/universo-e-lio-de-deus-ltima-parte.html' title='Universo e Lição de Deus (última parte)'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-6016168362646608095</id><published>2008-11-08T08:17:00.000-08:00</published><updated>2008-11-08T08:27:51.166-08:00</updated><title type='text'>Universo e Lição de Deus (segunda parte)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;Um quarto de fé, três quartos de mim. Meu cansaço não sossega um minuto sequer, mas, no ponto em que me curvo, dói mais forte qualquer coisa e sei que é a vida me tragando aos seus pulmões. Quando me expulsa da tragada, eu tenho flores nas mãos. É preciso sepultar o eu antigo sem deixar de ser quem sou. É preciso reencarnar a memória inteira. Não numa outra vida, mas num passo diferente. Deixar pegada até nas sombras com esse novo passo, até no ar, até no amigo, até em Deus, se duvidar. E a vida que me deu foi uma frase que me disse extrovertido. Introverti-me todo e me pensei doendo desde então.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas Deus, além de tudo no claro e no misterioso, é a própria rosa vulnerável. Diferindo na matéria e no perfume porque é de ouro seu formato e de crendice o aroma estanque. Respirar é ir pro céu e estar mais salvo quanto mais esteja calmo; já que de nada vale o desconforto sóbrio de pensar-se na existência. E aos que não são de todo leves, dêem o chumbo pelas plumas como que, para disfarçar, se tentasse criar um grande número de fadas. Deus, além de tudo, é ainda o mais feérico.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E, do mais feérico, a cidade, ou o mundo inteiro de matéria, se confrange envergonhado numa consciência íntima de seu corpo. Congérie absurda esmigalhando, na grandeza dizimal, a pequenez imensa de seus mínimos detalhes. Porque salta ao meu perfume o alcatrão de urina humana e existe homem na mistura sob as pontes-viadutos; porque o olho indiferente sabe o sangue coagulado sem saber que ainda há pena na extensão do corpo seco no asfalto (e, se nisso grita um fantasma, é esperança de haver Deus: o que já nos cria bastante e nos dói; se não a ti ou a ele, pelo menos dói a mim e, se escrevo, isto importa que a obra doa); porque num barulho que explode, e supõe-se um som de tiro, morre um sujeito que não se determina e nosso medo pinta a face do que seja o perder um conhecido e, se o perdemos, adivinhamos e temos culpa por haver pensado a Deus sugerir um fato triste; porque a corrupção se consorcia ao nosso gosto por sofrer e reclamar o anarquismo que não temos, já que um poder não podemos, sendo preferível sonhar uma prudência alheia que seja tão enorme que somente nos agrade e nos conforte, e onde depositamos um voto, segue um olho tão aberto que secou e não vê mais (secou-lhe a lágrima última de lhe ter socado o vento); porque no sujeito, que assistimos da tv ter pulado do alto do prédio, ou suicídio, ou de prédio por cair, porque o abismo de senti-lo ir ao último momento é um cair pior em nós, que nos morremos fácil o tempo inteiro do edifício Vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sendo que, por mais morte que haja, há sempre vida no contrário e, estando no contrário, se afirma, nega-se à própria altura e sua queda se confirma não no chão, mas no depois que traz raiz e, em se trazendo raiz, identifica-se. E é isso o que sou quando me dôo e quando não me dôo, porque os estados opostos, por mais opostos que sejam, mente, eu sou; e agora o sinto tanto como a voz de Deus como o sopro primogênito da Terra em mim. Criar raiz me fez de todo uma união e, quando sopra o vento do mundo como se o espírito santo soprasse a minha cara, sei também que respiro a vida do próprio infinito como se, caso inspirasse com mais força, fosse capaz de encrudecê-lo e cuspi-lo a meus pés. Criar raiz me endossa a vida inteira daqui pra diante; é um derrame às avessas no corpo da alma. Sinto seus traumas como quem sorrisse idiotizado e se afirmasse: “És uma benção, ó eu que estou amando; ó eu que estou vivendo; ó eu que estou doendo mansamente de amor e vida. Sei que falta pouco. Mais um pouco e serei feliz. Por enquanto é ser vivo, o mistério e Deus. No futuro serei feliz. Hoje eu procuro o amanhã de sempre e me pergunto dos perdões que peço. Posteriormente serei o pedido e, por mais que seja sempre depois, é hoje que está a minha benção, o óleo ungido pelo ungüento de ter Deus e a Natureza. O óleo ungido pela vida de ser Todo finalmente e me sobrar o que não tenho. Ó eu que desconheço e existo e dôo, obrigado e sim!”. E se afirmasse mais em tudo também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;continua...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-6016168362646608095?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/6016168362646608095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=6016168362646608095&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6016168362646608095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/6016168362646608095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/universo-e-lio-de-deus-parte-2.html' title='Universo e Lição de Deus (segunda parte)'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-3690814332279047572</id><published>2008-11-06T19:17:00.000-08:00</published><updated>2008-11-06T19:35:58.662-08:00</updated><title type='text'>Universo e Lição de Deus  (primeira parte)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify; font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;Daí veio Deus e me disse: “Rapaz... você, nessa vida, vai se doer inteiro”. Fiquei feliz ali naquela hora porque finalmente sentiria qualquer coisa. Haviam se passado muitas eternidades desde o dia em que nasci e, desde então, eu vinha como a importância de uma sombra na noite de braços erguidos, buscando sempre o limiar do dia depois. Nunca tivera ouvido a voz de Deus, mas sei que a reconheci. E me falava de dores. (Doer-me inteiro será que valerá a pena?) Mas Deus não perguntou. Disse que seria a dor e pronto. Como não tivesse mesmo mais o que fazer, aceitei. Aí começou. Porque quando se começa a se doer é tudo muito maior que tudo e mesmo a dor se reclama numa flor chorando outonos profundos. Meu rosto cora do lado de fora de mim e volta os olhos novamente para o dentro absoluto. Pronto! Fisga-se a dor e me contrai os músculos cardíacos. Estou sentindo alguma coisa finalmente e, como é dor, me dá saudades também porque um homem que se dói não está contente e, agora que posso sentir as coisas, quero felicidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Deus, como o grande acontecimento na minha humanidade, deu aos contrários em mim a força do diálogo impreciso que nos permite sempre crescer sem sabermos nunca em que sentido; já que, em qualquer sentido que seja, depois que se sente é sempre o sentido da vida. Se duvido disso de vez em quando é porque preciso mesmo duvidar de vez em quando dessas coisas de dentro. Duvidar é o nosso passe de estranha comunicação com a vida. No final das contas, Deus não teve intimidade para chamar pelo meu nome. Sou conhecido por Deus como Rapaz e agora, que posso sentir dor, até isso me dói. Mas não sou um crítico daquilo que foi feito de mim porque não choro e me alivio dos céus como quem visse um fantasma e esse fantasma fosse Cristo. Não o das religiões, mas o fantasma do Cristo que viveu, por si, só de se dar ao mundo. Seria um fantasma grave e sem motivos. E por que é que, ao invés de me doer, eu não posso me doar?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Uma ordem divina pode me fazer de bobo o quanto queira, mas sinto que já não é mais só dor o que me dói. Sinto que é um sono profundo em que se cai da cama muitas vezes enquanto o roxo nos habita. Sinto mais que o que me disse a voz de Deus, mas não reclamo: eu sou o sempre calmo. Eu sou o quase altista na profundidade superficial das cores e minha vida, sendo assim, é uma arte plástica. Se me detenho insistentemente curioso o tempo inteiro, não é porque anseio uma resposta. Pelo contrário, ser uma questão é o que me instiga. Fazer parte de um corpo enorme em que se incluem todas as coisas, ser um e ser o outro, viver minha alma antiga... tudo isso é tinta do quadro que me forma. Eu sou uma casa onde sempre falta um quarto pra guardar toda bagunça.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;continua...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-3690814332279047572?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/3690814332279047572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=3690814332279047572&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3690814332279047572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/3690814332279047572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/universo-e-lio-de-deus-primeira-parte.html' title='Universo e Lição de Deus  (primeira parte)'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-2493310665726111503</id><published>2008-11-06T10:06:00.001-08:00</published><updated>2008-11-06T10:09:53.525-08:00</updated><title type='text'>Alguma canção...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Correspondência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os enforcados à metade escrevo&lt;br /&gt;como se fosse a leitura de alguém&lt;br /&gt;no meu desejo de silêncio e escuta;&lt;br /&gt;e apenas resta a carne ensimesmada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fica um gosto acre de desprezo&lt;br /&gt;em tudo o que te arranha na garganta&lt;br /&gt;assim como se o nó da minha voz&lt;br /&gt;rompesse no teu rosto o som do nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vai nesse sufoco um desespero,&lt;br /&gt;a mesma vibração cantando longe,&lt;br /&gt;os mesmos dois atores sempre mudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E vai como na cena dispensada&lt;br /&gt;a risco do que nunca se responde&lt;br /&gt;o pouco de nós dois que é quase tudo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-2493310665726111503?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/2493310665726111503/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=2493310665726111503&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/2493310665726111503'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/2493310665726111503'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/alguma-cano.html' title='Alguma canção...'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6859278587466694876.post-5165405186124988220</id><published>2008-11-05T20:44:00.000-08:00</published><updated>2008-11-06T19:34:55.496-08:00</updated><title type='text'>Presença</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;   &lt;br /&gt;Era de se esperar que aquilo não fosse algo que voltasse, mas sempre achei difícil controlar essas lembranças. Uma casa de que eu me lembro muito pouco e que me dava a impressão de que as paredes eram feitas de papel ou madeira muita fina e como que elas se dobravam para fazer do cômodo aquilo que bem se entendia deveria ser o espaço do tal cômodo. Era uma casa onde não eram as portas, mas as paredes é que era sanfonadas e aquilo me pareceu bastante estranho porque uma casa de paredes assim tinha jeito de ser pobre sabe-se lá o porquê e a criança não gostava de fazer visita a gente pobre porque nunca se serve nada e nunca que há muita fartura de coisas pra comer. Na parte da frente havia uma pista e a visão da linha férrea. Uma menina apareceu e ficou na janela. Um homem passou na linha do trem e aquilo foi o absurdo porque o trem passou e o homem sumiu e daí pra lá foram as risadas porque o homem morreu, mas na verdade ele tinha mesmo era sumido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Havia naquela casa uma velha que muito agradava a minha mãe e que me achou bastante educado. Eu gosto do jeito como ela arregalava os olhos e ria de vez em quando sem motivo, mas o cheiro da casa dava um certo medo daquela mulher e eu senti vontade de ir embora até que a menina e eu fomos pra escada. Nessa hora apareceu uma mulher que não deixou eu escorregar no corremão da escada e eu fiquei sem-graça. Fomos para a parte de baixo do prédio (que era um prédio, o lugar, um prédio mínimo, de um andar só, mas era prédio com escada e corremão). Lá em baixo foi uma tortura porque não queria ver de novo a mulher que me repreendeu e que não sei se era filha da mulher que arregalava os olhos e que era realmente mais velha e devia ser sim a mãe daquela outra. Ficamos por ali um bom tempo brincando de sabe-se lá o quê, mas eu gostava da companhia daquela menina que, às vezes, ou sempre, parecia com a minha irmã numa foto pendurada na sala por causa da forma do cabelo preso. E daí vem também a lembrança de um homem e é só; porque parece que esse era só um homem e pronto. O que dele marcou é a força que faço pra lembrar da cara dele porque em outra ocasião, com minha mãe na rua, encontramos a velha que arregalava os olhos e minha mãe perguntou: "E Fulano?" (o homem lá...) e ela respondeu: "O meu Fulano?" (era filho dela) ... "o meu Fulano morreu agora meio do ano" e daí veio em mim um remorso enorme de não lembrar da cara dele e uma raiva da minha mãe que sempre parava pra conversar e muito mais quando se diz que alguém morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu faço força de verdade pra lembrar da cara dele e não consigo porque a menina rindo comigo do moço que sumiu na linha trem não deixa, ainda mais com aquelas paredes e o cheiro da casa dando um medo. Eu não queria que ficasse de noite e a gente estivesse lá porque ia me dar uma sensação estranha e eu provavelmente ia querer chorar. Já estava com a sensação estranha só de pensar nela; a casa meio parada com a televisão ligada e minha mãe conversando com a velha a conversa mais chata. Isso tudo em voz muito baixa e a menina provavelmente dormiria cedo, mas eu não queria dormir ali porque de repente, naquela noite, eu mijasse a cama inteira e não saberia muito bem como acordar e dizer, além de toda aquela cerimônia de culpa e eu provavelmente iria chorar. Além disso, como é que eu ia beber água se nem conhecia aqueles copos? Nunca gostava de beber água em copo que eu não conheçia bem as bocas que bebiam ali. Era uma luta desde que pus a boca num copo com um gosto horrível, gosto pior nunca provei, na casa de um tio que enrolava rabiola. Ali eu não poderia dormir porque certamente seria no chão e provavelmente tinha barata naquela casa. Eu queria ir embora ao mesmo tempo em que adorava estar brincando com a menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois fomos embora e nunca mais eu voltei ali e nunca soube que lugar era aquele e quem aquelas pessoas. Mas, poxa... que saudade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6859278587466694876-5165405186124988220?l=gestosimples.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://gestosimples.blogspot.com/feeds/5165405186124988220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6859278587466694876&amp;postID=5165405186124988220&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5165405186124988220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6859278587466694876/posts/default/5165405186124988220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://gestosimples.blogspot.com/2008/11/presena.html' title='Presença'/><author><name>Click</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15663321337378089251</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_WpQQ7iYiV2o/SRKA9ZVd93I/AAAAAAAAAAM/y8rcovN7S2s/S220/Nas+bebedeiras.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
